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segunda-feira, 26 de maio de 2025

Carlos Moedas e o EuroPride

 



  1. Vai realizar-se em Lisboa, no próximo mês, o EuroPride — o maior evento do movimento LGBT europeu.
    Sobre o movimento LGBT, reafirmo o que venho dizendo há anos: está para os homossexuais como o Partido Comunista está para os trabalhadores. O movimento LGBT é um movimento político que pretende impor a toda a sociedade a sua visão da sexualidade, e que considera que quem dela discorda deve ser, no mínimo, ostracizado — e, eventualmente, até preso.
    Para este movimento, não basta defender o casamento entre pessoas do mesmo sexo; é necessário punir quem não concorda. Não basta que um homem diga que é mulher; é preciso que toda a sociedade o aceite e o afirme — e que quem se recusa seja devidamente castigado.
    Por isso, considero o EuroPride equivalente à Festa do Avante ou ao porco no espeto do Ergue-te. Têm liberdade para o fazer, mas contam com a minha oposição. Sobretudo, por se tratar de um acontecimento político promovido por um movimento totalitário, não deve contar com apoios públicos.
  2. Esta semana foi notícia que a Câmara Municipal de Lisboa aprovou uma verba de 175 mil euros para apoiar este evento. Para contextualizar esta decisão, é habitual a Câmara apoiar grandes eventos realizados na cidade. O exemplo mais evidente é a Jornada Mundial da Juventude, na qual a autarquia investiu mais de 30 milhões de euros. Mas não é caso único: a Web Summit recebeu mais de quatro milhões de euros no ano passado, a ModaLisboa recebeu 300 mil euros este ano, e ainda há pouco mais de uma semana a Câmara gastou 250 mil euros nos festejos do campeonato. Por isso, 175 mil euros para o evento mais importante do movimento LGBT não constitui propriamente um apoio extraordinário.
    Aliás, prova disso é o facto de a oposição não ter apoiado esta decisão (por querer mais apoio), assim como a maioria das associações LGBT se ter retirado da organização do evento, em protesto contra a Câmara.
    Isto significa que a decisão foi acertada? Não. Não considero que tenha sido uma boa decisão. Mas significa, claramente, que Carlos Moedas não é propriamente um entusiasta da causa — limitou-se a cumprir os mínimos olímpicos.
  3. Tenho visto por aí uma grande campanha contra Carlos Moedas, acusando-o de ser contra a presença cristã e a favor da causa LGBT. Não tenho grandes dúvidas quanto à origem destas acusações, tal como não duvido que não são movidas pelo amor à Igreja ou à família, mas sim pelas eleições autárquicas do próximo Outono.
    Infelizmente, estas acusações têm encontrado eco junto de pessoas bem-intencionadas, que ficaram legitimamente indignadas com a decisão da Câmara. Aos mal-intencionados, de nada serve apresentar os factos; mas a quem se sente justamente indignado, vale a pena refrescar a memória sobre o mandato de Carlos Moedas.
    Antes de mais, recordar que Moedas foi quem mais se expôs em defesa da JMJ. Houve momentos em que ninguém — nem mesmo os que mais entusiasticamente acolheram a notícia de que a JMJ seria em Lisboa, dentro da Igreja e na política — teve coragem de defender os custos do evento. Ninguém, excepto Moedas. Arriscou de tal forma que, se algo tivesse corrido mal, teria sido, muito provavelmente, a sua morte política. E, no entanto, ele — que nem católico é — teve a coragem de defender sempre a importância das jornadas para Lisboa.
    Além disso, nos últimos quase quatro anos, tem apoiado, com financiamento, cedência de espaços, apoio logístico e até com a sua presença, vários eventos organizados por católicos. E tem afirmado publicamente, sem qualquer constrangimento, que as organizações católicas devem sentir-se à vontade para solicitar apoio da Câmara.
    Tem também apoiado incansavelmente o trabalho das IPSS. Depois de anos de martírio socialista, em que o apoio social era dirigido apenas aos amigos do regime, ignorando ou prejudicando as restantes instituições, com Moedas as IPSS têm sido tratadas como aquilo que são: parceiras do poder público, e não concorrentes.
    Para além disso, Moedas tem feito questão de marcar presença em todos os momentos altos da vida social da Igreja de Lisboa: nas grandes procissões, na tomada de posse do Patriarca, na missa pelo sufrágio do Papa Francisco (a quem decidiu homenagear com o nome do novo Parque Tejo), entre tantas outras ocasiões. Foi com ele que o presépio regressou aos Paços do Concelho.
    É preciso ter muita falta de memória para afirmar que Carlos Moedas tem algo contra a presença cristã na cidade. Pelo contrário, a Igreja de Lisboa tem encontrado nele um aliado como não tinha desde os tempos de Santana Lopes e Carmona Rodrigues.
  4. Isto significa que a decisão de apoiar o EuroPride está correcta? Não. Mas se procuramos um presidente de Câmara com quem concordemos em tudo, então cada um de nós terá de se candidatar ao lugar. Caso contrário, teremos de nos contentar com alguém com quem concordamos em quase tudo — e com quem, de vez em quando, tenhamos uma ou outra discordância.
    Este ano haverá eleições. Ao longo dos anos, votei muitas vezes no mal menor. Este ano será dos poucos em que votarei com gosto em quem considero ser um grande presidente da Câmara de Lisboa. Não só votarei em Carlos Moedas, como tenciono dizer às pessoas à minha volta para fazerem o mesmo, e farei campanha com um entusiasmo que não sentia desde a última candidatura de Pedro Santana Lopes em Lisboa.
    E no Outono, espero que tenha uma grande vitória — sobretudo contra os zelotas que vivem de meias-verdades e mentiras completas.

 

segunda-feira, 26 de junho de 2023

A escravatura do Orgulho

 


A direita-conservadora vive fixada nesse espantalho que é o marxismo-cultural. Ou seja, vive fixa na ideia de que uma filosofia falhada e derrotada no século XX é a principal ameaça cultural do nosso tempo.

Não digo que partes da teoria marxista, sobretudo a adaptação da luta de classes à luta interseccional, não influencie os grandes debates culturais do nosso tempo. Mas o problema mais dramático da cultura contemporânea não é o marxismo, mas o liberalismo individualista.

Vivemos hoje no primado do individualismo, onde o Homem é aquilo que diz sobre si mesmo, onde a realidade não interessa, apenas interessa aquilo que eu digo. Um tempo onde toda a sociedade tem de aceitar aquilo que eu digo sobre mim e tudo aquilo que se opõe à minha ideia sobre mim mesmo é uma agressão.

Isto é especialmente vivível na causa LGBT, que vai acrescentando sempre mais letras, de forma a acomodar cada vez mais “identidades”. O Homem passou a ser definido pelas suas atracões e pela sua sexualidade, deixando de ser filhos de Deus para ser filhos da moda, da sociedade, filhos de si mesmos.

E esta maneira de olhar para a sexualidade, centrado em si mesmo, afirmando que tudo o que me sacia sexualmente é válido (excepto o que for crime, então aí é preciso mudar a lei) e que qualquer opinião que diga o contrário é repressiva, é profundamente anti-humano. Esta visão da sexualidade, centrado apenas nos meus gostos e necessidades, significa reduzir o outro a um mero objecto de prazer. O individualismo reduz o próprio a uma criança mimada e o resto da humanidade a objectos que existem para o meu desfrute.

O resultado está à vista, apesar de toda as promessas de libertação sexual que há de trazer a felicidade à humanidade, finalmente livre de barreiras da moral, temos uma sociedade cada vez mais infeliz, cada vez mais incapaz de se relacionar, cada vez mais violenta, cada vez mais depressiva.

Por isso é especialmente preocupante ver a Igreja alinhar nesta mentalidade. A Igreja sempre afirmou com clareza que o Homem não é definido pelo seu pecado. O Homem foi criado para Deus, e é definido pela Graça de Deus. E por isso a Igreja a todos acolhe como Mãe, no convite contínuo a aderir a Cristo. Por isso a Igreja sempre falou com pessoas com tendências homossexuais, não permitindo que a sexualidade de uma pessoa a definisse.

Infelizmente, são cada vez mais os documentos que falam de pessoas LGBT (com mais ou menos letras), como se a sexualidade de uma pessoa definisse quem ela é. Como se de repente, houvesse uma classe à parte, diferente de pessoas, a quem o convite de Cristo a segui-lo não se aplicasse completamente, por causa da sua sexualidade.

Esta falsa misericórdia não é acolher ninguém, não é respeitar ninguém, pelo contrário, é reduzir pessoas iguais a mim a uma única dimensão da sua vida. No fundo, mesmo que não seja essa a intenção, é dizer que às pessoas com tendências homossexuais, ou que não se identifiquem com o seu sexo, de alguma forma, não lhes é oferecido o mesmo que é oferecido a mim.

Isto porque a moral sexual da Igreja não é um menos, não é uma obrigação, é uma graça. É uma forma mais Humana, mais bela, mais plena de se viver. Tratar uma pessoa apenas de acordo com o que diz sobre si, e não de acordo com aquilo que Deus diz sobre ela, é recusar a essa pessoa a dignidade de criatura de Deus. E isso não é dramático apenas para a sociedade, é dramático sobre para essas pessoas, a quem a Igreja recusa a Graça de Deus em troca de uma ideologia mundana.

 O mês de Junho, mês do Sagrado Coração de Jesus, mês dos Santos Populares, transformou-se no mês do Orgulho. E orgulho é o que mais define esta sociedade, onde o Homem recusa a paternidade Divina, e prefere-se criar à sua própria imagem e semelhança. O movimento LGBT não defende ninguém, nem promove qualquer igualdade, apenas ajuda a impor a escravatura do individualismo egoísta. Que o poder do mundo, vergado por esse individualismo, alinhe sem reserva nesse discurso não me espanta (embora me dê pena). Mas a Igreja tem o dever de ser Luz do Mundo, e de continuar a afirmar a Liberdade dos filhos de Deus num mundo de escravos do orgulho.

quarta-feira, 17 de maio de 2023

O Rei vai nu!




No conto infantil O Rei vai nu, há uns trapaceiros esperto que convencem o rei que lhe fizeram uma roupa com o mais belo tecido do mundo, mas só pode ser visto por pessoas sábias. O rei não via tecido nenhum, mas como não queria passar por burro, apreciou a sua nova roupa inexistente e “vestiu”. Logo todos os cortesões, também eles com o medo de serem rotulados de incultos, apreciaram a nova roupa do Rei, quando este se lhes apresentou de ceroulas. Quando o rei se foi mostra ao povo, também este, querendo parecer sábio, aclamou a maravilhosa veste real. Até que uma criança gritou “o rei vai nu!” e a farsa acabou, percebendo todos que tinham sido enganados pelos trapaceiros.

Cada vez mais, quando oiço discursos sobre a ideologia de género, com construções sociológicas cada vez mais complexas, me lembro desta história. Uma sociedade que procura convencer-se a si mesmo de que a realidade não é real, que aquilo que “sentimos” é superior aquilo que é, tudo para sermos “modernos”. E no entanto, apesar de todas as teorias e sentimentos, a realidade continua a ser o que sempre foi: homem e mulher.

Tenho o maior respeito por todas as pessoas. E todas devem ser tratadas com dignidade. Mas não nos enganemos, dizer a um homem que é uma mulher não é respeitá-lo, é alinhar numa farsa igual ao dos trapaceiros da história infantil, que encontraram na corte e no povo, idiotas úteis para levar avante o seu esquema. Um homem sentir-se uma mulher não o transforma numa mulher, e obrigar todas as pessoas a dizer que é uma mulher, ensinar, às crianças que é uma mulher, também não muda a realidade. E ao contrário do que acham os arautos da modernidade, preferir a realidade aos sentimentos, não é uma violência, nem um desrespeito, muito pelo contrário.

Sobre os disparates das teorias de género e o movimento alfabético, muito haveria a dizer. Mas para mim basta-me uma história infantil: o Rei vai nu! E isso não muda, por muitas cores projectadas, por muitas campanhas nas escolas, por muitas leis que aprovem, o rei vai continuar nu.

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Ataque ao TC, um prego na Democracia - Observador

O que é realmente preocupante é ver deputados arvorarem-se em porta-vozes de um lóbi político, fazendo exigências ao presidente do Tribunal Constitucional. Os deputados não são meros comentadores políticos, nem são apenas representantes de movimentos sociais. São titulares de um órgão de soberania. E a Assembleia da República não só não tem qualquer poder de fiscalização sobre o Tribunal Constitucional, como tem o dever de não se imiscuir, de não pressionar, de não condicionar o funcionamento do mesmo. Ter deputados a pedir explicações ao Presidente do TC, ou a pedir a sua demissão, é um atentado ao princípio da separação de poderes. Mais grave ainda é que um partido peça a audição parlamentar de João Caupers. Como se tivessem poder para fiscalizar o Tribunal Constitucional!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Sobre o bullying ao Tribunal Constitucional: algumas notas



1. Existe em Portugal um lóbi LGBT. Isto em si nada tem de mal, existem vários lóbis políticos, que defendem a sua agenda. O problema deste lóbi é que não pretende apenas defender uma agenda cultural e política, pretende impô-la a toda a sociedade. De tal forma que discordar dessa agenda se torna uma ofensa que deve ser social, quando não judicialmente, punida.

A agenda LGBT não é do respeito pelas pessoas independentemente da sua sexualidade. Não é a da igual dignidade de todas as pessoas. Mas uma agenda que considera que a sexualidade não é ditada pela biologia, é uma construção pessoal, que  deve ter um impacto na organização social. E não toleram qualquer oposição à sua agenda.

É preciso distinguir com clareza o movimento político e social LGBT dos homossexuais. O lóbi LGBT pode e deve ser combatido, como movimento totalitarista que é. Os homossexuais são pessoas com os mesmo direitos e deveres que todos os outros e que devem ser tratados com a dignidade que é devida a cada ser humano.

2. O actual presidente do Tribunal Constitucional cometeu o “pecado” de ter uma opinião contrária ao lóbi LGBT. Não disse nada contra os homossexuais, apenas contra um movimento político e as suas pretensões. Mal estaremos quando em Portugal houver um movimento político que está acima da crítica.

A tática típica da esquerda, de usar a técnica da amalgama, colocando no mesmo cesto ser contra o casamento entre pessoas do mesmo e o apedrejamento de homossexuais, serve apenas para confundir e intimidar.

A pretensão de que os titulares de órgãos de soberania têm que ter a aprovação do movimento LGBT é absolutamente anti-democrática.

 3.  Leio que duas deputadas do Bloco de Esquerda exigem que o presidente do TC se retracte ou então que se demita. Entretanto o PAN quer chamar à Assembleia da Republica João Caupers para saber se mantém o que escreveu em 2010. Tudo isto porque consideram que as ditas opiniões são homofóbicas.

Ou seja, há deputados que consideram ser sua função supervisionar o Tribunal Constitucional e pressiona-lo quando não concordam com as opiniões dos seus membros. Deputados que consideram que o Tribunal Constitucional responde perante o parlamento. Que ousam fiscalizar se está de acordo com a Constituição o Tribunal que é o interprete legal da Constituição.

É digno de país de terceiro mundo! A nossa Constituição é bastante clara sobre os direitos dos juízes do TC:  Os juízes do Tribunal Constitucional gozam das garantias de independência, inamovibilidade, imparcialidade e irresponsabilidade e estão sujeitos às incompatibilidades dos juízes dos restantes tribunais. Como é evidente, os juízes que decidem sobre a constitucionalidade das leis, dos actos públicos e dos próprios partidos, não estão sujeitos aos estados de espírito dos deputados.

Permitir que os deputados pressionem ou condicionem os juízes conselheiros é um perigo para a democracia. Se o presidente do Constitucional estivesse dependente dos partidos, se o pudessem remover quando não gostam das suas opiniões, significava que a Assembleia da República não tinha qualquer limite ao seu poder.

Espero que os restantes partidos percebam o perigo que estas posições do BE e do PAN representam para democracia.

4. Este ataque ao presidente do Tribunal Constitucional tem um objectivo claro: condicionar a sua decisão nas matérias que são caras ao lóbi LGBT. Quinze dias depois dos deputados terem feito letra morta da Constituição, temos agora alguns deputados a tentar condicionar o Tribunal Constitucional à sua agenda.

Não devemos esquecer que o TC foi chamado a verificar a constitucionalidade dos artigos da Lei da Igualdade de Género que se aplicam ao ensino.

Assistimos ao maior ataque à independência do TC que há memória. O tom usado pelo Bloco e pelo PAN não deixa qualquer dúvida: ou o presidente do TC cede à sua vontade ou eles irão atacar. Este é o verdadeiro escandâlo e a verdadeira ameaça à democracia.

5. Fernanda Câncio, autora do ataque a João Caupers, há muito que é uma activista política. E isso não tem mal nenhum, todos temos direito a defender as nossas ideias. O problema é que faz activismo político coberta com o manto do jornalismo. Apresenta como reportagem peças de comunicação política, que têm como objectivo defender a sua agenda.

O papel do jornalista não é esse. O papel do jornalista é dar a conhecer a verdade. É relatar os factos. É um trabalho difícil, mas essencial para a democracia.

Aquilo que Fernanda Câncio faz é usar a credibilidade do seu jornal para fazer política. E fá-lo de maneira consciente. Basta ver como as suas grandes reportagens rapidamente encontram eco nas associações e partidos, em geral pela mão de antigos companheiros de blogue. Câncio já não é jornalistas, é lóbista. Era bom que a Comissão de Carteira Profissional tomasse um atitude relativamente à senhora. De cada vez que Fernanda Câncio assina um pedaço de publicidade política como jornalista é toda uma classe que perde credibilidade. E isso é injusto para os muitos bons jornalistas que trabalham honestamente, tentando dar ao público os factos e não a sua agenda pessoal.

 

 

terça-feira, 2 de junho de 2020

Os Conservadores, o movimento LGBT e o duplopensar.



Tenho visto por aí algumas pessoas de direita muito contentes por o partido Conservador inglês ter decidido juntar-se aos festejos do mês do orgulho homossexual. Este contentamento vem acompanhado de muitos conselhos para que a direita portuguesa, sobretudo o CDS, lhe siga o exemplo.

Segundo estes arautos da nova direita, esta seria uma posição que respeita a liberdade pessoal e a igualdade. Há, contudo, um pequeno problema. É que esta posição, aparentemente liberal e humanista, ignora uma primeira premissa.

Para que a agenda LGBT seja de facto uma questão de liberdade pessoal e dignidade, primeiro há que reduzir a pessoa à sua sexualidade. É preciso que a intimidade de cada um seja identificativo de quem ela é. Já não se trata de A ou B, com a sua história pessoal, com a sua vivência própria da sua intimidade, passa a ser parte de uma entidade abstrata que são os homossexuais. É a aplicação da tese clássica do marxismo, da guerra de classes, a todo uma nova panóplia de grupos e sub-grupos.

Isso é claríssimo naquilo que foram as duas grandes conquistas do movimento LGBT na última década: o casamento e a adopção por pessoas do mesmo sexo. O que estava realmente em discussão nestes casos não era a sexualidade de cada um. Porque para o Estado a vida íntima de cada um não releva. O Estado não legisla afectos, não legisla a olhar pelo buraco de fechadura. O ponto era saber se o Estado devia regular a relação entre duas pessoas do mesmo sexo, no caso do casamento, e se duas pessoas do mesmo sexo poderiam adoptar uma criança.

Não estava em causa a igualdade ou a liberdade pessoal. Pelo contrário, estava em causa impor a visão de uma sociedade onde a sexualidade é um factor de diferenciação. Trata-se de impor, através do Estado, uma visão da sociedade onde a pessoa é definida pela sua sexualidade. Vejamos o exemplo da adopção: antes dois homens nunca podiam adoptar. Agora dois homossexuais podem adoptar, mas dois irmãos não podem. Antes a diferença era ser preciso pai e mãe para a criança, agora a diferença é a relação que tem com o outro adoptante.

Por isso nunca percebi aqueles que tanto se opõem ao Estado, sobretudo os Liberais, e depois defendem que o Estado possa interferir e regular a vida íntima dos cidadãos.

Mas mais grave do que isso é perceber o que significa este apoio à causa LGBT hoje. Hoje quando a questão do casamento e da adopção está encerrada. Hoje quando já existe legislação abundante contra qualquer forma de discriminação. Qual é agenda que este movimento defende hoje? A educação! Dos adultos e das crianças.

Para o movimento LGBT não é suficiente que o Estado tenha adotado a sua visão da organização social, é preciso que todos concordem com essa visão. Não basta que exista o casamento entre pessoas do mesmo, é preciso que ninguém se atreva a discordar dele. A lei não é suficiente, querem também a hegemonia cultural. E isso faz-se através da repressão do adultos e da doutrinação das crianças.

A repressão dos adultos usa como instrumento os crimes de ódio. Ou seja, censura e criminaliza opiniões. E não falo de insultos e de bullying. Falo de opiniões como esta que escrevo. Ou de outras opiniões com as quais não concordo, mas que não me passaria pela cabeça censurar.

Mas mais grave é querer impor essa visão da sociedade às crianças. É retirar aos pais a liberdade de educar os seus filhos. Não se trata simplesmente de ensinar a aceitar e a respeitar a diferença, trata-se de incutir nas crianças uma visão social, cultural, moral, independentemente da vontade dos pais. Para o movimento LGBT eu não tenho o direito de ensinar ao meu filho a visão cristã da sexualidade. Ou seja, não posso ensinar que a sexualidade é para ser vivida dentro do matrimónio entre homem e mulher.

Aquilo que o partido Conservador hoje apoia, assim como os seus seguidores em Portugal, é que o Estado tenha o direito (e mesmo o dever) de impor a visão dos movimentos LGBT sobre a sexualidade a todas as crianças.

É sempre grave ver que há quem defenda que o Estado tem o dever de impor uma visão ideológica à sociedade. Que deva operar engenharia social através da lei e da educação. Mas pior é que haja quem o defenda em nome da liberdade. Orwell estaria orgulhoso.