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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

É tempo de reconstruir, mas reconstruir o quê?


A grande novidade das últimas eleições legislativas foi a saída do CDS da Assembleia da República. Será esta a primeira legislatura em democracia que o CDS não terá qualquer representação no parlamento.

Com a saída do CDS do hemiciclo há um espaço político que fica órfão de representação parlamentar. Não há hoje no parlamento nenhum partido cuja a doutrina se baseie na dignidade da pessoa humana, especialmente da dos mais frágeis; na liberdade da sociedade, sobretudo da família, da Igreja e dos corpos sociais intermédios; num Estado ao serviço do Homem, que promova uma sociedade civil forte.

Evidentemente que existem vários deputados na Assembleia da República que defendem estes ideais, em vários partidos. Mas já não existe um partido que faça do personalismo cristão a sua doutrina.

Os partidos existem enquanto são úteis à sociedade. Evidentemente que a mim, que sou militante do CDS e que o tenho defendido o melhor que sei e posso, me custaria sempre ver o partido desaparecer. Mas é preciso que os militantes percebam claramente que um partido não é um fim em si mesmo.

O espaço da direita hoje em Portugal está bastante ocupado. Existe um partido de poder, onde há espaço para mais ou menos tudo o que não seja (muito) à esquerda. Existe um partido claramente liberal e um partido populista/de protesto, de cariz mais extremista. Se a tentação do CDS for, para voltar a ter força política, tentar ocupar algum destes espaços, então está condenado ao fracasso.

O único espaço que está livre é aquele em que o CDS sempre existiu, de forma mais ou menos assumida: o da democracia-cristã, baseada no personalismo. É nesse espaço que o CDS pode revelar a sua utilidade para Portugal.

Eu também acredito que é urgente reconstruir o CDS porque acredito que o espaço que o partido deixou órfão faz falta ao país. É preciso um partido na Assembleia da República que lute pela dignidade do homem, desde a concepção à morte natural. Que defenda a liberdade das famílias e a liberdade da sociedade, sobretudo na educação. Que promova a dignidade do trabalho, que se oponha ao esbulho fiscal, que esteja ao lado dos mais pobres e dos mais fracos da sociedade. É urgente um partido que acredite num Estado ao serviço do homem e da sociedade, sem ideologias.

Por este espaço político vale a pena lutar. Será um trabalho de formiga, feito na sombra, que exigirá muito esforço, mas que vale a pena.

O que não vale a pena é lutar por manter um partido de egos, de palavras redondas, preso a um passado que já não volta. Também não vale a pena lutar por um partido que procure ser a imitação barata de outros ou que troque o seu ideal por um sonhado sucesso eleitoral. Não vale a pena porque um partido assim não é útil, não vale a pena porque tal tentativa está condenada ao insucesso.

É tempo de reconstruir. E a perguntar que aqueles que querem reconstruir o CDS têm que fazer é: reconstruir o quê? E isso é mais importante do que nomes e protagonistas.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Trazer a democracia cristã para o século XXI - Jornal Económico, 13/12/19

O desastre do CDS nas eleições legislativas fez o partido entrar em convulsão. Mas depois de 6 de Outubro descobriu-se que afinal todos os militantes do CDS, dirigente incluído, afinal discordavam do caminho que o partido estava a seguir!

Ironias à parte, a verdade é que se têm multiplicado o número de personalidades que bradam por um CDS verdadeiramente democrata-cristão, que na sua boca significa mais de direita e mais conservador. Supostamente seria esse o segredo para conquistar os eleitores.

Tenho vários problemas com estas exigências. O primeiro dos quais é que são tão vazias como o famoso pragmatismo de Adolfo Mesquita Nunes que resultou no resultado que se conhece.
Vazias porque se baseiam na mesma ideia: aquilo que realmente importa é dizer o que o eleitorado quer ouvir. A anterior direcção afirmava que as pessoas queriam era ouvir falar dos problemas concretos. Os que agora a criticam acham que as pessoas querem é ouvir falar da lista de temas que, regra geral, alimenta as redes sociais.

Esta estratégia, de adaptar o discurso à contingência que supostamente garante o melhor resultado eleitoral, é a estratégia que destruiu o CDS. No fundo, é a estratégia de Paulo Portas, mas sem ele. Funcionou com Portas porque ele era um político de excelência. Mas o ‘portismo’ sem Portas não funciona, porque na ausência de um líder de excepção, não há uma ideia ou causa que levem as pessoas a apoiar ou a votar no CDS.

O segundo problema é que embora usem muito a expressão democracia cristã acabam a defender outra coisa: um partido conservador e verdadeiramente de direita, o quer que isso seja. A democracia cristã é uma doutrina política com princípios claros: dignidade humana, solidariedade social, subsidiariedade.

Claro que os conservadores de direita se revêem em muitos destes princípios. Mas não são confundíveis e, em alguns casos, nem sequer compatíveis. A democracia cristã não é conservadora, porque o seu ponto não é conservar uma tradição ou sistema, mas defender a dignidade objectiva de cada Homem. E está acima da divisão anacrónica de esquerda e direita, porque não está presa a definições ideológicas, mas procura soluções concretas que permitam organizar a sociedade para o seu fim último, o bem comum, independentemente das soluções preconizadas caberem nas definições de direita ou esquerda.

É preocupante que diante da actual crise a discussão no CDS seja sobre qual a máscara que convém usar para o partido recuperar nas sondagens. O que realmente importa discutir é se o CDS tem hoje algo a propor ao país.

Numa direita sobrepovoada que espaço sobra para o CDS? O espaço para o qual foi criado: a democracia cristã. Há 44 anos atrás, diante do avanço do socialismo, os fundadores do partido tiveram a coragem de propor outro sistema. Um sistema baseado na dignidade humana, com respeito pelas liberdades individuais. Uma sociedade baseada na família e na solidariedade entre os indivíduos. Um Estado construído de baixo para cima, descentralizado, com espaço para os corpos intermédios da sociedade. Um país com uma economia de mercado, mas com mecanismos de regulação que proteja os mais frágeis. O CDS não se limitou a opor-se ao socialismo, propôs uma verdadeira alternativa a este.

Acompanho por isso Filipe Lobo d’Ávila quando afirma que é preciso refundar o CDS. Mais do que conversas vazias sobre direita e conservadorismo, é preciso coragem para retomar o ímpeto inicial do CDS e trazê-lo para o século XXI. Para menos do que isto é tempo perdido.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

CDS mais ou menos à direita? Uma perda de tempo. - Público, 17/10/19

O novo desaire do PSD e do CDS trouxe consigo o regresso do debate sobre a Direita. Mais uma vez assistimos à discussão sobre o que é preciso mudar para que o Partido Socialista deixe de estar no poder excepto em alturas de crise.

Da parte do CDS este debate acaba sempre por cair na discussão sobre se o partido deve ser mais à direita ou se deve ser menos sectário, de maneira a facilitar uma grande coligação de centro-direita contra o PS. Invariavelmente o problema resume-se no quão à direita o CDS deve ser.

O problema é que ser de direita não quer dizer coisa nenhuma. Direita e esquerda são adjectivos surgidos na revolução francesa que descreviam onde se sentavam os mais conservadores e os mais progressistas na Assembleia Nacional. Desde então tem sido usado como forma simples de classificar os partidos e as doutrinas políticas. Mas em si mesmo, simplificando para efeitos do argumento, não querem dizer nada.

À esquerda o problema não se revela tanto pelo simples de facto que esta se identifica com o socialismo nas suas múltiplas variantes. Mas aquilo que habitualmente descrevemos como direita é um conjunto variado de doutrinas e ideologias políticas com raízes e propósitos diferentes.

Por isso ser “mais à direita” não quer dizer nada. Ser mais à direita pode significar um Estado mais autoritário, ou menos Estado. Pode significar mais europeísmo ou mais nacionalismo. Pode significar mais liberalismo económico ou mais regulação do Estado. Mais à direita significa coisas diferentes para um Liberal, um Conservador, um Democrata Cristão ou um nacionalista.

Mas pior do que querer ser mais à direita, no vácuo desta expressão, é querer que haja uma só direita. Uma só direita significa abandonar qualquer pensamento original das várias direitas, e unir-se em volta do combate à esquerda. No fundo é transformar a direita em apenas uma “contra-esquerda”.
Qualquer uma destas duas opiniões tem como consequência deixar as direitas ser definidas pela esquerda. Desistir de apresentar qualquer ideia original, mas simplesmente combater o socialismo. Ou seja, no fundo, é não propor uma alternativa ao pensamento da esquerda, mas simplesmente reagir a este.
O grande problema das direitas foi perderem a sua identidade. Para serem poder aceitaram a predominância cultural e social da esquerda, e limitaram-se a ser a governanta do país, que aparece para pôr as contas em ordem. E está tão afundada nesta mentalidade, que mesmo quando reage o faz meramente rejeitando as propostas da esquerda, mas sem qualquer capacidade de propor uma visão para o país que não seja a reacção à esquerda.

Este é o problema de centrar o debate sobre o futuro das direitas no ser mais ou menos à direita: tem sempre como condição prévia o quadro mental e cultural da esquerda.

Aquilo que o CDS precisa não é de ser mais ou menos à direita. Esse debate é fazer o jogo da esquerda. O que o CDS precisa é de ter uma identidade clara que se traduza numa proposta clara para o país. Não uma mera rejeição do socialismo, mas uma verdadeira alternativa a este.

Essa foi aliás a grande riqueza e contributo de Adelino Amaro da Costa e Diogo Freitas do Amaral para a democracia: num tempo onde todos os partidos tinham que ser socialistas, os fundadores do CDS tiveram a coragem de propor um partido personalista cristão, que tinha como centro a dignidade humana. Um partido que propunha um Estado ao serviço do Homem, em colaboração com os vários corpos sociais, que procurasse garantir a dignidade de cada homem respeitando as liberdades individuais, que defendia uma economia social, ou seja respeitando a liberdade económica, mas ao serviço da sociedade.

Os tempos mudaram e os desafios dos nossos dias são diferentes daqueles que enfrentaram Amaro da Costa e Freitas do Amaral. Mas parece-me que seria muito mais proveitoso para o CDS debater como tornar actual este ímpeto dos seus fundadores, de um partido verdadeiramente democrata-cristão, centrado na dignidade humana, que defende um Estado ao serviço do bem comum, do que na estéril discussão de quão de direita deve o partido ser.

O CDS só voltará a crescer quando recuperar a sua identidade. Discutir se esta identidade está mais à direita ou mais ao centro, se deve ser mais ou menos sectário é apenas desperdiçar tempo.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

O CDS e o futuro: haja coragem!





O resultado das legislativas foi desastroso para o CDS. Infelizmente, foi um desastre anunciado, aconteceu apesar de todos os avisos de que o caminho que estava a ser percorrido não tinha bom fim.

No congresso de Lamego, a palavra de ordem foi o famoso pragmatismo. Desde então o CDS furtou-se a qualquer debate público de ideias e agarrou-se à fórmula de que era preciso apenas discutir “os problemas concretos das pessoas”. Apesar dos sinais das europeias, apesar do panorama europeu e mundial, onde era claro que, de facto, as pessoas queriam ideias e ideais, a direcção do partido decidiu manter a sua estratégia. A procura de um novo eleitorado que permitisse conquistar o centro-direita ditou que o partido guardasse as suas bandeiras (e defendeu tantas, corajosamente, no parlamento) e se limitasse a falar dos temas do dia-a-dia. O resultado da estratégia está à vista: não se ganhou nenhum novo eleitorado e o antigo está a esvair-se.

É evidente que Assunção Cristas tem responsabilidade nesta estratégia. E a ainda presidente do CDS assumiu-as com  dignidade na noite eleitoral. Mas não deixa de ser verdade que há outra cara desta linha, o primeiro a proclamar a necessidade do pragmatismo, autor do programa eleitoral e claramente um dos grandes estrategas da direcção: Adolfo Mesquita Nunes. A derrota de ontem é do CDS, é de Assunção Cristas, mas é também do seu principal ideólogo.

É impossível não reconhecer a capacidade política de Adolfo Mesquita Nunes. Um bom orador, um bom tribuno, responsável durante a crise por uma das pastas que mais alavancou a economia portuguesa. Mas nada disto pode afastar a evidência de que a sua estratégia conduziu o partido à pior votação de sempre.

Não basta por isso simplesmente mudar o líder do partido: é preciso claramente mudar o rumo. Nada seria pior do que trocar Assunção Cristas por um líder que vá simplesmente continuar a estratégia de, em nome do pragmatismo, diluir aquela que é matriz do partido: a democracia cristã.

É por isso preciso um novo rumo. Evidentemente, o tempo não volta para trás nem se repete. O trabalho que espera o CDS não é o de repetir fórmulas passadas. O que é preciso é retomar o ímpeto fundador do partido e trazê-lo para os nossos dias.

É preciso voltar a afirmar hoje com clareza o primado da dignidade da Vida Humana, em todas as circunstâncias, desde a concepção até à morte natural. E como consequência dessa dignidade o respeito pelas liberdades individuais: a liberdade de educação, a liberdade religiosa e política, a liberdade económica.

Mas também no respeito pela dignidade humana é preciso defender um Estado Social cooperativo, não centralista. Um Estado que serve as pessoas e que é garante do respeito pela sua dignidade. O CDS, como partido democrata-cristão, tem que ser o partido dos trabalhadores, dos pequenos e médios empresários, dos agricultores, das famílias. O partido que defende os mais fracos e indefesos. Não somos nem podemos ser um partido liberal, que coloca a liberdade acima da dignidade Humana.

Por fim, um Estado que se concebe como instrumento de uma sociedade, é um Estado que respeita a história, as tradições e a cultura da sociedade. Não se trata de um saudosismo bafiento, mas de um respeito por aquilo que nos une enquanto portugueses. Em nome de uma qualquer ideologia de vanguarda não podemos rasgar 900 anos de história.

Muitos dirão que isto é conversa que não interessa a ninguém, que as pessoas só querem saber de coisas concretas. Mas a verdade é que temos assistido cada vez mais à ascensão dos partidos que se apresentam com ideais (do PAN à IL) e que o pragmatismo deu 4% nas urnas.

O futuro não parece risonho para aqueles que acreditam numa política baseada na dignidade da Pessoa Humana. Num Estado ao serviço das pessoas e não da ideologia. Para as pessoas que desejam políticos ao serviço do ideal e não do resultado eleitoral. Mas a hora não é de cobardias nem de tibiezas. Nos próximos anos não se jogará apenas a sobrevivência do CDS, mas do regime democrático que está cada vez mais enlameado, cada vez mais afastado das pessoas, cada vez mais fragilizado.

O CDS, tal como há 40 anos, quando cercado no Palácio de Cristal e ameaçado pelos que não suportavam um partido de homens livres, tem que voltar a ser o partido do humanismo cristão, que se ergue contra a tirania do marxismo e o pântano do centrão. Haja coragem.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Porquê votar no CDS?



Dia 6 de Outubro é dia de eleições legislativas. Pela primeira vez serei candidato ao Parlamento. Vou em 44 da lista do CDS/PP em Lisboa, pelo que a minha participação nestas eleições trata-se apenas de um sinal de apoio ao meu partido, que considero ser a melhor opção para Portugal.

As próximas eleições serão dramáticas para o país. Os últimos anos e as sondagens demonstram uma política onde a mentalidade socialista cada vez mais domina. Por mentalidade socialista entenda-se uma concepção da sociedade onde o Estado é o centro e a quem cabe moldar a realidade. Seja na economia, seja na educação, até na biologia. A actual mentalidade socialista não se limita a defender a estatização da economia ou dos serviços, vai tão longe como desejar dar ao Estado o poder de decidir onde começa e onde acaba a Vida, de se imiscuir na sexualidade de cada um e até mesmo no cada pessoa come e bebe.

Infelizmente esta mentalidade tem cada vez mais força na política. Não só domina completamente os partidos de esquerda, mas começa também a ser cada vez mais dominante no próprio PSD.

Por isso é essencial que cada um que defende uma política com o Homem no centro, que dia 6 de Outubro vença qualquer preguiça ou desencanto e vá votar. E parece-me claro que a alternativa ao socialismo em Portugal, o partido que de facto defende uma política centrada nas pessoas, é o CDS.
Antes de mais, é sempre bom relembrar que o CDS integrou o governo de salvação nacional que liderou o país durante a terrível crise a que o Partido Socialista nos entregou. O governo de que o CDS fez parte recebeu em mãos um país falido, entregue por José Sócrates à troika e passados quatro anos entregou um país recuperado e em crescimento. E ao contrário de Rui Rio, o CDS não só não renega esse passado, como o assume com orgulho. 

Também não é demais lembrar o trabalho do CDS nos últimos quatro anos. Foi sempre oposição à gerigonça, sendo que depois da saída de Passos Coelho, se tornou a única oposição. Nos últimos quatro anos o CDS denunciou sempre o caminho deste governo: a manipulação e a mentira diante de um país com serviços cada vez mais arruinados, com a economia a crescer muito abaixo do que devia e uma política feita à medida dos interesses eleitorais do Partido Socialista. Para além disso o CDS foi, mais uma vez, muitas vezes solitariamente, a voz que defendeu os interesses das pessoas sobre a ideologia do Estado. É justo relembrar o trabalho de Isabel Neto contra a eutanásia e na defesa dos cuidados paliativos, da Ana Rita Bessa na defesa da liberdade de educação, da Cecília Meireles na luta pela transparência nos negócios do Estado, a voz de Patricia Fonseca em favor do mundo rural e das nossas tradições. O CDS propôs a criminalização do abandono de idosos, a defesa dos direitos em fim de vida, o estatuto do cuidador informal, defendeu a redução do IRC. Foi o CDS que liderou o pedido de supervisão de constitucionalidade das barrigas de aluguer mais tarde declarada pelo Tribunal Constitucional e dos 18 deputados do CDS quinze assinaram o pedido de supervisão da lei de identidade de género.

Para além disso vale a pena votar CDS pelos candidatos que apresenta nesta eleição. Em Lisboa, para além das deputas já citadas, vale a pena votar em João Gonçalves Pereira e no Diogo Moura, que para além do seu extraordinário trabalho em Lisboa, têm apoiado e dado força aqueles que lutam pela defesa da Vida e da Família. Vale a pena votar na Raquel Abecasis em Leiria, no Filipe Anacoreta Correia em Viana do Castelo, no Francisco Rodrigues dos Santos no Porto: todos eles têm sido vozes públicas na defesa da Vida, da Família, da Liberdade de Educação e de um verdadeiro Estado Social.

Vale também a pena fazer um exercício que em geral pouco gostamos: o de ler o programa do CDS. É útil para perceber a diferença clara entre a visão do CDS para a sociedade e a da esquerda. O CDS defende um Estado ao serviço das pessoas, um verdadeiro Estado Social, que aposta na cooperação com a sociedade. Que tem como fim, não o Estado em si mesmo, mas o garantir a dignidade e os direitos de todos. Por isso defende a liberdade de escolha da escola, cooperação entre o SNS e o sector privado e cooperativo, apoiar as famílias alargando a licença de paternidade assim como a rede de creches, menos impostos para que as famílias possam dispor dos seus rendimentos da forma que preferirem, defende que o direito à habitação não se faz à custa dos privados, mas colocando o património do Estado no mercado, a desburocratização, a defesa do interior com um estatuto fiscal adequado, limitar o poder inquisitorial da Autoridade Tributária. Resumindo: um Estado que não seja um obstáculo às pessoas, mas uma ajuda.

Por tudo isto votarei CDS no dia 6 de Outubro. Se com isto quer dizer que nada há a criticar? Claro que sim. E haverá sempre em qualquer partido. Mas no dia das eleições não vamos votar nos candidatos perfeitos que existem na nossa cabeça, mas sim naqueles que se apresentam às urnas. E de entre esses para mim a escolha é claramente o CDS.

P.S.: Não sendo cego nem surdo, bem sei as criticas que têm sido feitas ao CDS neste últimos anos. Também sei que boa parte desses críticos perdeu mais tempo a dizer mal de Assunção Cristas do que a combater a eutanásia ou as barrigas de aluguer. Gosto pouco de lições de moral da parte de quem só sabe dizer mal, sem de facto estar disponível para lutar por algo mais do que um lugar na ribalta.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

CDS: o voto útil!




Começo por fazer um ponto prévio: eu acredito que, independentemente da direcção do PSD, o CDS seria o melhor partido para governar Portugal. A minha militância no CDS não se deve às circunstâncias políticas actuais, mas à convicção que a democracia cristã é o caminho certo para o país. Mais ainda, penso que o CDS tem melhores quadro político e pessoas mais bem preparadas para governar que os outros partidos.

Dito isto, também é verdade que Rui Rio facilita a vida a qualquer pessoa que não seja socialista. O actual presidente do PSD já deixou bastante claro ao que vem: preservar o seu lugar à frente do partido e encostar-se de tal maneira ao PS que consiga garantir uns cargos para si e para os seus partidários. A Rio não lhe interessa o país, mas o Estado. Ele não quer este ou aquela pasta do governo, o que ele quer mesmo é voltar ao velho centrão onde PS e PSD vão dividindo cargos como se fossem donos da coisa pública. Rio não concorre com o PS, mas com o PC e o BE para ver quem serve de muleta a António Costa.

Por isso é urgente afastar do seu partido as vozes incómodas e ao mesmo tempo mostrar-se sempre aberta às ideias da esquerda. Reparemos no caso caricato da Taxa Robles, onde Rio veio logo prazenteiro, com o seu ar de político moderado, dizer que a taxa até podia não ser má ideia, só para ser achincalhado com a reacção do PS à mesmo medida.

A verdade é que votar no actual PSD é o mesmo que votar no PS. Nada os distingue! A única alternativa de facto ao PS é o CDS. E não, não é pormo-nos em bicos de pé, é simplesmente constatar um facto. O voto útil, que durante tanto tempo deu tantos votos ao PSD, é agora o voto no CDS. De resto, do Bloco ao PSD todos os votos terão um único destino: apoiar um governo de António Costa.

Em Maio nas Europeias, mas sobretudo em Outubro nas legislativas, o CDS apresenta-se como a única alternativa real ao PS. Só um CDS realmente forte pode travar mais um governo das esquerdas encostadas. É irrealista? Talvez. Mas a única alternativa é mais quatro anos de gerigonça, agora na versão alargada!

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Democracia Cristã hoje?




1. Inicio

Os séculos XIX e XX foram séculos de grandes transformações políticas na Europa. A Revolução Francesa abriu as portas a um modo de pensar a política e a sociedade pós-cristã. A unidade entre o trono e o altar foi ruindo com o avanço do liberalismo até não restar na Europa católica um único trono. Ao mesmo tempo, com a Revolução Industrial houve um êxodo do campo para a cidade, aparecendo o novo fenómeno social do operariado.

Este fenómeno não foi constante nem homogéneo. Antes fez parte de uma tendência, a laicização do poder e da sociedade, que se foi desenrolado de diversas formas e velocidades na Europa. Contudo, para os católicos da passagem do século XIX para o século XX era evidente que se tinha tornado necessário defender politicamente aquilo em que acreditavam contra o avanço de ideologias anti-cristãs.

É neste contexto que nasce a democracia cristã, como movimento de católicos (e mais tarde na Alemanha também de protestantes) empenhados na política. A democracia cristã não nasceu como mais uma ideologia mas sim como alternativa a estas. Num tempo em que a política se dividia entre os que defendiam o "povo", os que defendiam a "nação", os que defendiam a "raça", etc., a democracia cristã defendia o Homem, em toda a sua diversidade e dignidade, no centro da política.

Baseando-se na Doutrina Social da Igreja, a democracia cristã defende o direito à vida em qualquer circunstância; a família como célula base da sociedade; o direito ao trabalho e à dignidade no trabalho; uma economia moral, com liberdade e respeito pela propriedade de cada um, mas sem esquecer o seu fim social; um Estado que defende os direitos individuais e sociais, especialmente a liberdade religiosa e de educação, mas também um Estado social que se interesse e defende os mais frágeis; uma comunidade internacional baseado na ideia da irmandade dos povos, no direito e no respeito pelas nações; um mundo em paz mas capaz de defender as vítimas de agressões injustas; uma ciência ao serviço do homem, com respeito pela sua dignidade; uma exploração da natureza como bem comum ao serviço de todos os homens.

A democracia cristã não encaixa por isso nas caixas ideológicas inventadas por politólogos, não é de direita nem de esquerda, não é nacionalistas ou internacionalistas, não é estatista ou liberal. A democracia cristã, enquanto presença cristã na política, não se deixa espartilhar numa ideologia, antes afirma-se como um ideal da política ao serviço do Homem.

2. Os Partidos

A democracia cristã deu origem a vários partidos um pouco por toda a Europa. Sem eles não é possível perceber o século XX europeu. Os democratas cristãos foram essenciais na oposição a Hitler na Alemanha e na Áustria, na reconstrução da Itália do pós-guerra e no nascimento da União Europeia. A democracia cristã deu à Europa líderes como Konrad Adenauer, De Gasperi, Helmuth Kohl, Robert Schuman, Éamon de Valera ou Lech Walesa.

Em Portugal a democracia cristã desenrolou um papel importante na construção da democracia. Se é verdade que só o CDS se afirmou desde sempre como democrata cristão, também o PSD adoptou, nos seus princípios, boa parte da doutrina democrata cristã.

Ainda hoje os partidos democratas cristãos têm uma enorme importância na Europa. A chanceler alemã Angela Merkel ou o presidente da Comissão Jean-Claude Juncker pertencem a partidos democratas cristãos. Infelizmente estes partidos, assim como os seus congéneres europeus, pouco ou nada têm do espírito que iniciou o movimento da democracia cristã.

Num tempo onde a política é cada vez mais um jogo de aparências, com pouca ou nenhuma substância, democracia cristã é aquilo que for preciso para o partido crescer e ganhar o maior número de votos possíveis. Evidentemente que se mantêm algumas das ideias originais da democracia cristã, mas apenas como bagagem ideológica a que se recorre quando necessário.

3. Democracia cristã hoje?

A democracia cristã ainda tem algo para oferecer a política dos nosso dias? Sem dúvida que sim.

Num tempo onde os partidos tradicionais parecem desligados da realidade, perdidos entre um discurso politicamente correcto e a necessidade de ganhar votos; num tempo onde a desconfiança da política leva ao reaparecimento de velhas ideologias; num tempo onde a luta política se encontra polarizada, onde já não interesse o bem comum mas o bem do partido, a democracia cristã tem um contributo para oferecer.

Mas não o fará se for simplesmente a trincheira dos "valores cristãos", uma espécie de aldeia dos irredutíveis gauleses que resiste hoje e sempre ao invasor. Se o empenho cristão na política se limitar aos temas "cristãos" acabaremos tão presos na ideologia como os outros. A democracia cristã como mera reacção a um mundo hostil não só é inútil como está condenada ao falhanço.

O que a democracia cristã tem de útil para o nosso tempo é esta visão de uma política ao serviço do Homem, que não parte da ideologia para encontrar soluções para os problemas, mas que diante de cada desafio procura o caminho que sirva a dignidade humana. Evidentemente que uma política ao serviço do Homem é uma política que defende a vida em todas as circunstâncias, que defende a família, que defende uma economia justa, que defende a justiça social e a paz. Mas tudo isto são consequências da dignidade humana e não um fim em si mesmo.

O grande desafio para a democracia cristã no nosso tempo não é a defesa dos "valores" (uma nova versão do "proletariado", do "Estado" ou da "nação") mas servir o Homem na política. Se assim for, então vale a pena ser democrata cristão hoje.