Todos as mensagens anteriores a 7 de Janeiro de 2015 foram originalmente publicadas em www.samuraisdecristo.blogspot.com
Mostrar mensagens com a etiqueta ideologia de género. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ideologia de género. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Carta Aberta à Clara Não



Cara Clara,

Li com atenção a sua carta aberta a alguns políticos sobre a ideologia de género. Bem sei que não sou nenhum dos destinatários da carta, nem sequer possuo qualquer relevância – não ocupo qualquer cargo público, não tenho coluna em qualquer jornal, nem sequer possuo esse título que alguns tanto almejam de “influencer” –, mas fiquei incomodado com a sua carta e, por isso, decidi responder-lhe.

Incomoda-me, e penso que é até bastante preocupante, que ao fim de séculos de luta pela igual dignidade de cada pessoa, a Clara se refira a um grupo de pessoas como “pessoas LGBT”. Bem sei que é uma tendência designar pessoas por uma “identidade”, seja a sua sexualidade, a sua etnia ou o seu estatuto económico.

Para mim, uma pessoa é isso mesmo: uma pessoa. Tenho, entre os meus amigos e familiares, pessoas de diferentes etnias, religiões e que vivem a sua sexualidade de forma diferente da minha. Nem por um momento me ocorreria que essa diferença os definisse. O meu amor, o meu carinho, a minha estima por uma pessoa não muda conforme a sua sexualidade. Reconheço em cada um o mesmo desejo de amor, de justiça e de beleza que eu possuo.

Reduzir a pessoa a uma identidade é desumanizá-la; é tratar essa pessoa, não de acordo com a sua dignidade intrínseca, mas definindo-a por uma qualquer característica que a Clara ache relevante. No fundo, não é diferente do racismo ou da xenofobia, onde a pessoa é reduzida à cor da sua pele ou à sua nacionalidade.

A Clara parece considerar que a consequência normal diante de alguém diferente é abandonar essa pessoa ou tratá-la mal. E provavelmente acha que essa é a consequência porque defende que essa diferença define uma pessoa (é LGBT, é trans, é “racializada”). Para mim, abandonar ou maltratar uma pessoa diferente de mim é absurdo, porque essa diferença em nada muda a dignidade ontológica do ser humano.

Por isso, a chantagem psicológica que tenta usar sobre quem tem uma visão diferente da sua da sexualidade não me impressiona. Já me preocupa bastante que queira impor a sua visão sobre a sexualidade a toda a sociedade.

A teoria de género é uma teoria social que defende que o género e o sexo são coisas diferentes, que o género é apenas uma construção social e que, por isso, há tantos géneros quantos aqueles que as pessoas inventarem. O facto de esta teoria estar muito difundida não a torna correcta. Também houve alturas em que as teorias raciais estavam muito difundidas e não passaram a ser correctas por causa disso.

A teoria de género faz tábua rasa da biologia, da história e da sociologia para impor uma visão ideológica da identidade sexual. Mas a Clara tem toda a liberdade de acreditar em tal teoria, que não vê qualquer problema em que um homem, por se afirmar mulher, possa espancar uma mulher num ringue de boxe ou violá-la numa cadeia. Não tem é o direito de a querer impor como verdade única a toda a sociedade.

A Clara tenta explicar que não há uma ideologia de género, só uma teoria. Isso só seria verdade se, de facto, fosse tratada apenas como uma hipótese científica discutível. Mas não é isso que acontece. A teoria de género tornou-se hoje numa ideologia oficial, que se impõe através de leis, às escolas, às empresas e à sociedade em geral. Uma verdade de fé que não pode ser negada, sob pena de punição.

Cara Clara, eu convivo muito bem com a diversidade. Não tenho qualquer problema com quem pensa ou vive de forma diferente da minha. Nunca reduzi ninguém à sua identidade sexual, procurando amar e respeitar qualquer pessoa com quem me cruzo. Aquilo com que não convivo bem é com a tentativa dos ideólogos do género de procurar reduzir pessoas à sua sexualidade e de obrigar todo o mundo a pensar como eles. Há um de nós que não vive bem com a diversidade, mas não me parece que seja eu…

quarta-feira, 17 de maio de 2023

O Rei vai nu!




No conto infantil O Rei vai nu, há uns trapaceiros esperto que convencem o rei que lhe fizeram uma roupa com o mais belo tecido do mundo, mas só pode ser visto por pessoas sábias. O rei não via tecido nenhum, mas como não queria passar por burro, apreciou a sua nova roupa inexistente e “vestiu”. Logo todos os cortesões, também eles com o medo de serem rotulados de incultos, apreciaram a nova roupa do Rei, quando este se lhes apresentou de ceroulas. Quando o rei se foi mostra ao povo, também este, querendo parecer sábio, aclamou a maravilhosa veste real. Até que uma criança gritou “o rei vai nu!” e a farsa acabou, percebendo todos que tinham sido enganados pelos trapaceiros.

Cada vez mais, quando oiço discursos sobre a ideologia de género, com construções sociológicas cada vez mais complexas, me lembro desta história. Uma sociedade que procura convencer-se a si mesmo de que a realidade não é real, que aquilo que “sentimos” é superior aquilo que é, tudo para sermos “modernos”. E no entanto, apesar de todas as teorias e sentimentos, a realidade continua a ser o que sempre foi: homem e mulher.

Tenho o maior respeito por todas as pessoas. E todas devem ser tratadas com dignidade. Mas não nos enganemos, dizer a um homem que é uma mulher não é respeitá-lo, é alinhar numa farsa igual ao dos trapaceiros da história infantil, que encontraram na corte e no povo, idiotas úteis para levar avante o seu esquema. Um homem sentir-se uma mulher não o transforma numa mulher, e obrigar todas as pessoas a dizer que é uma mulher, ensinar, às crianças que é uma mulher, também não muda a realidade. E ao contrário do que acham os arautos da modernidade, preferir a realidade aos sentimentos, não é uma violência, nem um desrespeito, muito pelo contrário.

Sobre os disparates das teorias de género e o movimento alfabético, muito haveria a dizer. Mas para mim basta-me uma história infantil: o Rei vai nu! E isso não muda, por muitas cores projectadas, por muitas campanhas nas escolas, por muitas leis que aprovem, o rei vai continuar nu.

Gosto
Comentar
Partilhar

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Boys will be boys!




Calhou-me em sorte só ter (até agora) filhos rapazes. Nascidos neste tempo tão esclarecido, infelizmente teimam em não perceber que o género é uma mera construção social, e insistem em praticar os mais arcaicos estereótipos de género. Aliás, já por mais de uma vez apanhei o mais velho a recusar ver certos programas televisivos por, segundo esta criança preconceituosa, serem para “meninas!”.

O facto dos meus filhos insistirem em ser rapazes, com todos os estereótipos associados, traz os seus desafios. Bem aventurado o inventor da box das televisões e do youtube que me permite resolver com facilidade o preconceito dos miúdos contra os tais desenhos de “meninas”. A escolha não abunda, mas entre Patrulha Pata e Dartacão a coisa vai-se resolvendo.

Quanto a histórias, não são muitos estranhos. Gostam dos clássicos sem dúvida, embora prefiram quando eu invento histórias de cavaleiros onde eles participam. Por outro lado, também nas histórias demonstram não ter absorvido bem os ensinamentos do seu tempo: insistem em caçar o lobo e na morte do dragão, numa gritante manifestação de espécismo. Aparentemente as campanhas do PAN, o episódio da Patrulha Pata onde o dragão é bom e só ataca pessoas porque está magoado assim como o episódio do Super Wings onde um pobre tubarão persegue os heróis só porque tem uma lata nos dentes, não foram suficiente para as crianças perceberem a importância de tratar com igualdade todas as espécies. Pode ser que um dia prefiram perseguir o caçador, mas por enquanto mantêm-se obstinados com noções arcaicas do herói contra o animal feroz.

O mais complicado desde machismo dos meus filhos são mesmo os brinquedos. Felizmente eles são bastante dados à imaginação. Passam a vida a inventar brincadeiras, com cavaleiros, vilões, dragões, etc. Nestas brincadeiras, cruzam-se heróis da Marvel, cães da Patrulha Pata, cavaleiros, personagens da Disney, vilões, pistolas, espadas e lanças. A mãe é quase sempre a princesa e a missão passa normalmente por salvá-la de uma qualquer ameaça (eu por norma sou um aliado, embora aqui e ali já tenho servido de lobo mau).

O problema é que se a imaginação abunda, cada vez é mais difícil encontrar brinquedos para estas brincadeiras. Espadas, escudos, pistolas, castelos: pouco ou nada. Em qualquer supermercado ou loja de brinquedo é possível encontrar com facilidade cozinhas, vestidos de princesa, bonecas, e uma profusão de personagens de desenhos animados. Encontra brinquedos para rapazes (se é que hoje em dia se pode dizer isto) é cada vez mais complicado.

Bem sei que hoje é suposto nós ensinarmos às crianças que não há brinquedos para rapazes, o problema é que, por muito que a sociedade insista, as crianças parecem resistir à modernidade. Apesar dos desenhos animados onde todos são bons, apesar dos brinquedos cada vez mais unisexo, apesar das histórias cada vez mais apatetadas, os meus filhos gostam mesmo é de brincar aos cavaleiros, derrotar os maus e salvar a princesa.

Como todos sabemos as teorias são muito bonitas, mas os filhos são o que são. E no caso dos meus parecem ser impermeáveis ao João Costa, às senhoras das Capazes ou aos grande educadores da ILGA. Não posso por isso deixar de perguntar a quem vende brinquedos, se não querem reconsiderar esta política de brinquedos cada vez mais gender neutral. É que ceder a lobbys tem muita graça, mas no fim quem pede os brinquedos são as crianças!

sexta-feira, 29 de março de 2019

A Zippy e o monopólio da indignação.




A Zippy, marca de roupa infantil da qual me declaro já consumidor em jeito de declaração de interesses, lançou uma campanha de roupa sem género. Segundo os próprios o objectivo da campanha era romper preconceitos. Na prática trata-se apenas de roupa colorida unissexo. Ou seja, no fundo a Zippy tentou colar-se à moda da ideologia de género (o género é uma construção social, não há roupa de rapaz e rapariga, etc.) através de uma colecção que de facto era apenas uma normalíssima colecção de roupa unissexo, algo que absolutamente comum.

A verdade é que muitas pessoas, eu inclusive, não gostámos da tentativa de politizar a roupa das crianças. Muitas destas manifestaram o seu desagrado publicamente nas redes sociais. Algumas pediram inclusivamente um boicote à Zippy.

A marca, percebendo o tiro no pé, lá fez um comunicado esfarrapado a dizer que não tinha qualquer intenção política, mas apenas apresentar uma linha de roupa que pudesse passar de irmãos para irmãs e de primos para primas, como sempre tinha acontecido. Isto só quer dizer que o departamento de marketing lembrou-se que os seus clientes não são a esquerda caviar que vive no eixo Principe Real – Lux (que nas poucas vezes que têm que comprar roupa de crianças não se enfiam em centro comerciais, mas sim nas lojas trendy onde não tem que se misturar com o povo) mas sim as famílias de classe média, sobretudo as famílias numerosas que querem trazer os seus filhos arranjadinhos mas só tem dinheiro para a Zippy (como a minha).

Isto é o mercado a funcionar: a empresa fez uma oferta, os clientes rejeitaram, a marca refez a oferta. Tudo em total liberdade, sem queixas à CIG, sem pedidos para silenciar a Zippy, sem lojas partidas ou queimadas. Ou seja, tudo ao contrário do que acontece quando a esquerda se sente incomodada com uma opinião alheia.

Contudo, aquilo que seria apenas um pequeno incidente começou a transformar-se num escândalo nacional. Não porque a Zippy tenha tentado fazer politica com roupa de crianças, mas porque houve quem tivesse a ousadia de manifestar o seu desagrado. Aparentemente para a esquerda caviar que tem o monopólio da indignação nos programas matinais da rádio e cujos posts nas redes sociais são fonte de notícia, é escandaloso que as pessoas manifestem o seu desagrado relativamente a uma campanha publicitária. Pior ainda é que uma marca de roupa tenha que ceder diante do desagrado dos clientes.

Para estas pessoas a Zippy não estava a fazer política, era apenas publicidade, mas não deve deixar de fazer só porque o público não gostou. Porque o público deve ser educado pelas campanhas publicitárias da Zippy e porque as pessoas fazem mal em não gostar das campanhas que os senhores da esquerda caviar gostam. Confuso? Apenas para quem não percebeu que para uma certa esquerda tudo o que for contra a sua ideia do mundo é apenas preconceito e populismo.

Espero contudo que este escândalo sirva para uma coisa. Para as marcas de roupa de perceberem que a roupa sem género para criança é muito interessante e uma causa civilizadora da esquerda mas que está destinada a não ser comprada pelos maioria dos pais, que ainda não foram libertados dos seus estereótipos pelo CIG. E como por enquanto as causas não compram roupa, mais vale quando fizerem colecções unissexo não fazerem política e dizer logo que é para passar de irmão para irmão. É mais retrógrado, mas é capaz de vender mais.

P.S.: Não deixa de ser delicioso ver todos aqueles que há anos que tentam substituir a palavra género por sexo virem agora falar em roupa unissexo!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O Superior Interesse das Crianças.




No dia 20 de Novembro na Assembleia da República foi aprovado na generalidade a possibilidade de pessoas do mesmo sexo adoptarem. Ao contrário do que os jornais afirmaram, ainda não é possível que duas pessoas do mesmo sexo adoptem uma criança. O projecto-lei ainda tem que ser discutido e aprovado na especialidade,  e aprovado em votação final. Depois tem que ser promulgado pelo Presidente da República que pode ainda, para além de promulgar, vetar ou enviar para o Tribunal Constitucional. Se o TC encontrar alguma inconstitucionalidade, o projecto-lei volta ao Parlamento onde a norma inconstitucional tem que ser retirada. Se o TC nada opuser, pode ainda o Presidente, mesmo assim, vetar o documento. Se isso acontecer o projecto-lei pode ser outra vez votado na Assembleia da República, onde tem que ser aprovado pelo voto da maioria dos deputados em efectividade de funções (115 + 1). A seguir o Presidente tem que promulgar. Então será publicado em Diário da República e só aí entra em vigor. 

É evidente que o mais provável é que, mais tarde ou mais cedo, este projecto-lei venha a ser lei e que pessoas do mesmo sexo casadas ou em união de facto possam adoptar. Contudo, para isso, ainda falta finalizar o processo legislativo o que pode levar de dias, a semanas, a meses (embora seja provável que o processo seja conduzido com rapidez, não vá haver eleições antecipadas e alguma coisa mudar na Assembleia da República).

O tema da adopção é sempre um tema delicado e que deve ser tratado de maneira séria e responsável. Uma criança que entra no processo de adopção viu ser-lhe cortado qualquer vínculo com a sua família biológica. Ou seja, provém sempre de uma família destruída. Se uma criança já é frágil, uma criança nestas condições encontra-se mais fragilizada e desprotegida do que a maioria. Qualquer discussão sobre o seu futuro tem que ter sempre em vista o seu interesse, que deve ser ajuizado com seriedade e serenidade, não com paixões políticas traduzidas em chavões demagógicos.

A adopção por pessoas do mesmo sexo é um tema ainda mais delicado. Nunca nos podemos esquecer que por trás de vários políticos e associações que querem impor uma agenda de temas “fracturantes”, estão pessoas são reais. Pessoas para quem poder ou não adoptar uma criança é um assunto dramático.

Não é novidade que a esquerda radical, que tantos gosta destas engenharias sociais, não tem qualquer pejo em utilizar pessoas como bandeiras para fins políticos, para no fim se esquecer delas tão rapidamente quanto demora a encontrar uma nova “causa”. Assim foi com o aborto, quando tanto falavam das mulheres em dificuldades, para depois, mal ganharam, nunca mais se preocuparem com elas. Assim foi com o casamento entre pessoas do mesmo sexo, quando Miguel Vale de Almeida resignou ao seu mandato de deputado mal a lei foi aprovada. Assim também será com as crianças institucionalizadas e com os pares do mesmo sexo mal consigam a aprovação desta lei.

Por isso, opor-se à adopção por pessoas do mesmo sexo nunca poderá ser uma posição contra os pares do mesmo sexo que querem adoptar. A sua vontade é compreensível e não tem nenhum sinistro plano por trás. Não façamos nós a mesma injustiça que os partidos de esquerda, que usam e abusam das pessoas para fins meramente políticos.

 Devemos sim é estar contra esta lei e contra a agenda por detrás dos seus proponentes.

Esta lei nada tem a ver com preferências sexuais. Não se trata da adopção por homossexuais ou de adopção gay. Para o Estado em nada releva as atracções sexuais de cada pessoa. Mais ainda, o Estado não pode nem deve aferir sobre os afectos das pessoas, sob pena de violar de maneira violentíssima a intimidade dos cidadãos.

O que está em causa é tornar possível a duas pessoas do mesmo sexo exercerem em conjunto o poder paternal (ou na forma ainda mais politicamente correcta, as responsabilidades parentais). Ou seja, uma criança ter, legalmente, dois pais ou duas mães. Para o Estado é indiferente quais os sentimentos ou os afectos dessas duas pessoas, uma vez que isso também não releva para que sejam considerados casadas ou unidas de facto.

Ora, na adopção o que está em causa é o superior interesse da criança. A adopção existe, não para satisfazer um qualquer direito (inexistente) à paternidade, mas para responder ao drama das crianças que por alguma razão não têm pai e mãe. O que se pretende com a adopção é recriar a situação natural tão próximo quanto possível.

Por isso a questão é saber se de facto é igual ter dois pais, duas mães ou ter um pai e uma mãe. E não, não é igual. Homem e mulher não são iguais. Pai e mãe, na sua complementaridade, têm ambos um papel essencial na formação de uma criança. O feminino e o masculino são ambos essenciais para o desenvolvimento de qualquer pessoa.

Negar a uma criança o pai ou a mãe é negar-lhe uma parte importante do seu desenvolvimento. Existem situações onde, infelizmente, isso acontece pelas circunstâncias da vida. E aí não há nada que seja possível fazer.

Mas afirmar que uma criança pode ter dois pais ou duas mães é ir mais longe. Porque aquilo que se afirma é que não há diferença entre homem e mulher. Ou seja, afirma-se uma visão amputada da realidade. Priva-se a criança de um modelo masculino e feminino, substituindo-o por um modelo andrógeno.

Ou seja, aceitar a adopção por pares de mesmo sexo é aceitar uma visão da realidade que vai contra a própria realidade. É afirmar um projecto ideológico sobre crianças que estão numa situação especialmente frágil. E isso não é o superior interesse das crianças, mas um projecto político.

Negar a adopção por pessoas do mesmo sexo não é duvidar da sua capacidade para exercer a paternidade. É simplesmente constatar que por muito bom pai que um homem possa ser, não pode ser uma boa mãe. É afirmar que duas mães, por muito boas que sejam, não são o mesmo que pai e mãe.

Respeito o drama de todos aqueles que, vivendo com alguém do mesmo sexo, desejam adoptar e não podem. E não duvido que a sua vontade de adoptar seja sincera e tenha boas intenções. Infelizmente isso não chega. A adopção tem como critério o superior interesse da criança. Não o interesse médio ou mais ou menos. E o superior interesse da criança é ter uma pai e uma mãe. Já é mau que a realidade muitas vezes prive as crianças dessa possibilidade, que o Estado o faça é uma violência.

Opor-se à adopção por pessoas do mesmo sexo não é ser contra ninguém. É simplesmente defender que todas as crianças têm direito a pai e mãe. Mesmo aquelas crianças a quem esse direito foi retirado pelas circunstâncias.