Todos as mensagens anteriores a 7 de Janeiro de 2015 foram originalmente publicadas em www.samuraisdecristo.blogspot.com
Mostrar mensagens com a etiqueta Patriarca. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Patriarca. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 22 de abril de 2020

O Patriarca de Lisboa e a celebração do 25 de Abril

1. A decisão de fazer uma sessão comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República é um disparate digno do autismo da nossa esquerda. Se em tempos de guerra, em que o povo é mandado para a frente de batalha, e os que não vão têm que trabalhar para manter a guerra, em tempos de pandemia o que é pedido ao povo é que fique em casa e saia só na estrita medida do necessário. Por isso se em tempo de guerra os deputados devem dar o exemplo indo ao parlamento, mesmo que correndo perigo, em tempo de pandemia o exemplo que há a dar é só ir ao parlamento na medida estritamente necessária. Uma democracia madura não precisa de festa na Assembleia da República para festejar a liberdade, deve usar essa liberdade que festeja para dar o exemplo ao povo, ficando em casa até num dia essencial do regime.

Insistir em festejar o 25 de Abril na Assembleia da República não é um sinal de força, mas da fragilidade do regime. Do regime que se vai pavonear, entre pares, enquanto o povo faz sacrifícios pelo bem comum. Das figuras do regime que se celebra a si mesmo, enquanto médicos, enfermeiros, cuidadores, funcionários dos lares não festejam com a família para cuidar de quem precisa. Dos donos de Abril, a quem pouco lhes importa os polícias que lhes guardam os portões, os motoristas que os conduzem, e as empregadas que lhes limpam o chão, para eles poderem ter a sua festa.

Por isso esteve bem o presidente do CDS em denunciar esta decisão da Assembleia da República e por ter recusado participar na celebração. Será a primeira vez que tal acontecerá.

Contudo, é preciso distinguir os titulares de um órgão de soberania, do órgão em si. Ou seja, se podemos considerar que Ferro Rodrigues é um tiranete boçal, indigno do cargo que ocupa, se podemos considerar que os deputados que decidiram manter o festejo são tontos com a cabeça cheia de palavras de ordem, há um respeito que é devido à Assembleia da República que é independente dos seus titulares. Os deputados podem merecer o meu desprezo, a Assembleia da República, enquanto órgão de soberania, enquanto órgão que representa o povo português merece respeito. Mesmo quando erra, mesmo quando os deputados tomam decisões indignas. Por isso aliás, esteve bem o CDS ao anunciar que estaria presente um deputado na sessão comemorativa do 25 de Abril.

É preciso distinguir aquilo que é política daquilo que é respeito institucional. Se politicamente é condenável a celebração do 25 de Abril, institucionalmente é uma decisão da Assembleia da República.

2) Foi hoje noticiado que o Patriarca de Lisboa iria estar presente na sessão comemorativa do 25 de Abril na Assembleia da República. Logo começou o habitual coro de indignados, sobretudo católicos, contra o Patriarca. Todos apresentaram muitas boas razões para o Senhor Patriarca não participar em tal sessão. O problema é que todas essas razões, por muito boas que sejam, são razões políticas. E a Igreja, que o Senhor Patriarca representa, não faz política.

Eu bem sei que há muito boas razões para estar contra esta sessão (como aliás enunciei em cima) e mais razões ainda para um católico estar contra este governo e contra a actual maioria parlamentar (que há dois meses aprovou a morte a pedido). Mas tudo isso é um cálculo político, que não é o cálculo da Igreja.

A Igreja existe para salvar as almas. Os bispos não existem para afirmar uma agenda política, mas para anunciar Cristo. Evidentemente que a Igreja está no mundo, e por isso os Bispos devem-se pronunciar sobre política: quando estão em causa questões que violam a dignidade humana, a moral, ou a liberdade dos cristãos. E têm-no feito, sem medo, tantas vezes. Na questão dos colégios com contrato de associação, na Ideologia de Género, na Eutanásia. Mas não devem fazer política. Os bispos educam, cabe aos leigos fazer política.

A relação da Igreja com o Estado não deve ser política, mas institucional. O Patriarca de Lisboa sempre foi convidado para as celebrações do 25 de Abril e quase sempre marcou presença. Não participar este ano porque discorda do modelo das celebrações é uma posição política que a Igreja não deve tomar. Isso significaria tomar pé numa discussão política (justa sem dúvida) mas que não diz respeito à Igreja. Ao Patriarca de Lisboa cabe manter uma relação institucional com a Assembleia da República.

Não é o cidadão Manuel Clemente que é convidado, mas Dom Manuel III, Patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. E se o cidadão Manuel Clemente pode achar que Ferro Rodrigues é isto e os deputados aquilo, ao Patriarca de Lisboa só cabe respeitar a Assembleia da República enquanto órgão de soberania.

Os católicos portugueses têm um defeito: são muitíssimo clericais. Querem sempre que os bispos travem as suas batalhas. Em qualquer questão política que consideram ser de “consciência” a solução é quase sempre a mesma: a Igreja devia fazer qualquer coisa. Ou seja, nós ficamos quietos a resmungar, mas queremos que os bispos façam o que nós queremos. Meus amigos, deixem-me dizer: é ao contrário! Não é ao povo que cabe educar os bispos, mas aos bispos que cabe ensinar o povo. A nós é que nos cabe depois fazer política.

Eu ao meu bispo, ao Patriarca de Lisboa, só peço que me eduque na doutrina (que faz), que me confirme na fé (que confirma), que seja testemunha de Cristo (que é), que me edifique com a sua piedade (que edifica), que presida à Igreja de Lisboa na caridade (que preside) e que me deixe fazer política (que deixa). Por tudo isto lhe devo a minha gratidão filial.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Viva o Patriarca de Lisboa!





Rebentou ontem um escândalo nos jornais sobre o Patriarca de Lisboa. Descobriram os jornalistas que o Senhor Dom Manuel propunha aos recasados absterem-se de ter relações sexuais. A “descoberta” deu direito a notícias, reportagens com “especialistas” (os de sempre, claro), e artigos de opinião. Hoje a Visão e o Público dedicam os seus editoriais a atacar o Patriarca.

É evidente que os senhores jornalistas, tão rápidas a emitir juízos e opiniões, nunca leram uma linha da doutrina da Igreja sobre a sexualidade. Sobre o assunto conhecem apenas o “toda a gente sabe”,  a forma suprema de ignorância contemporânea.

Não vou aqui fazer a defesa daquilo que escreveu o nosso Patriarca. Não vale a pena. Quem quer perceber, lê o que ele escreveu e percebe logo. Quem não quer, também não será com a minha explicação que passará a perceber.

Mas aproveito a oportunidade para agradecer ao Senhor Patriarca. Agradecer o seu pontificado. Agradecer a sua paternidade. Agradecer a forma como tem ganho o cheiro das ovelhas, de tanto estar ao lado delas.

Parte do fel que tem sido destilado sobre o Patriarca nada tem a ver com a nota sobre a aplicação da Alegria do Amor. E isso fica claro em alguns dos artigos que têm sido publicados desde ontem. O que o “mundo” não perdoa ao Senhor Dom Manuel é o facto de ele se recusar a ficar na sacristia. É o de não ter medo de publicamente defender a Verdade e de instar os católicos a fazer o mesmo.

O “mundo” não se importa com uma Igreja silenciosa, que faz o papel de ONG e que reza dentro de quatro paredes fechadas. Mas não suporta uma Igreja que intervém na sociedade.
Desde o primeiro instante do seu pontificado o Senhor Patriarca tem deixado claro que se recusa a ser uma figura decorativa do regime. Tem erguido publicamente a sua voz  na defesa da Verdade. Basta pensar que sem a intervenção pública do Senhor Dom Manuel muito provavelmente a eutanásia já seria lei. E é isso que o “mundo” não perdoa.

Mas o Patriarca não se limita a ser um voz incomoda. É antes de tudo um pastor. Um pai que continuamente acompanha os seus filhos. É impressionantes ver o empenho pessoal do Senhor Dom Manuel junto de tantas realidades da Igreja de Lisboa. O modo como incentiva e acompanha os movimentos de jovens, os movimentos de Defesa da Vida, as associações de profissionais católicos, etc.

E depois é sempre bonito ver a simplicidade do Patriarca, a sua discrição. Como está, sem alarido, sem cerimónias, mas sempre presente, como um pai. Relembro na última missa de Natal da Federação Portuguesa pela Vida. Tínhamos tudo preparado para o receber, com toda a honra que é devida a um príncipe da Igreja. E quando chegamos à Igreja, já lá estava o Senhor Patriarca, sentado no meio da Igreja, como qualquer cristão, em oração diante do Sacrário. E aí ficou quando começou o terço da paróquia, sentado a rezar, com o resto do povo cristão até ir celebrar a missa. A única honra que conhece e que necessita é a de servir a Deus.

O pontificado do Senhor Dom Manuel tem sido para mim, e penso que para todos os católicos do patriarcado, fonte de graça e de gratidão. Comove-me sempre a paternidade com que tantas vezes me acolheu, sobretudo nas questões relacionadas com a defesa da vida, nas quais o seu apoio tem sido fundamental.

Por isso agradeço a Deus por nos ter dado este grande bispo. E rezo para que o Senhor no-lo conserve por muitos e bons anos. Saibamos nós estar à altura do nosso Patriarca.