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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Legalizar o Harvey Weinstein nacional - Observador, 02/02/17

Pelos vistos, é um abuso alguém pedir sexo em troca de favores, mas já não o é se for em troca de dinheiro. Defender a legalização da prostituição é defender os Harvey Weinstein nacionais. 

1. O escândalo dos abusos sexuais em Hollywood trouxe à luz do dia uma realidade conhecida mas que o mundo teimava em ignorar: que no cinema, como em outras indústrias onde jovens bonitos se cruzam com homens poderosos, havia um sensação de impunidade por parte de quem tem poder para solicitar sexo em troca de favores.

Se olharmos bem para as histórias que agora vêm a público veremos que, tirando os casos de Woody Allen e de Roman Polanski (casos que durante anos foram ignorados pelas mesmas estrelas que agora veementemente se manifestam), os abusos não incluíram coerção ou ameaças físicas. Simplesmente a mera sugestão: fazes o que eu quero e tens uma carreira, negas e nunca mais trabalhas nesta área.

E não vale a pena dizer que as pessoas abusadas, sobretudo mulheres, sabiam ao que iam, que eram livres para não aceitar, ou ainda pior, que depois de aceitarem não têm nada que se queixar. Usar o poder sobre alguém mais fraco para ter relações sexuais é um abuso e não pode ser aceite. Trocar sexo por favores é objectivar o outro, é reduzir o outro a um bem comerciável.

Todos temos o direito de viver a nossa sexualidade em liberdade e consciência. Se alguém tenta coagir a nossa liberdade ou aproveitar-se da falta de consciência para obter sexo então é abusador. Mesmo que não o seja a nível criminal.

Por isso, apesar de todo a alarido à volta do assunto, apesar da caça às bruxas exigida pela histeria dos media, apesar da hipocrisia de todos aqueles que durante anos conviveram com aqueles a quem agora chama monstros indiferentes à sua fama de abusadores, ainda bem que Hollywood deu este passo de acabar com a impunidade dos abusos sexuais por parte dos seus mais poderosos.

2. Em Portugal tem surgido de tempos em tempos propostas sobre a legalização da prostituição. Regra geral os apoiantes deste tipo de legislação têm sido os mesmo que muito se manifestam contra os abusos sexuais como os revelados agora pelo escândalo em Hollywood.

Eu confesso que esta posição me causa alguma perplexidade. Pelos vistos, é um abuso alguém pedir sexo em troca de favores, mas já não o é se for em troca de dinheiro.

Um produtor de cinema não pode fazer avanços em troca de um papel num filme, mas pode dispor sexualmente de uma mulher se lhe pagar.

E não colhe o argumento de que quem se prostitui o faz em liberdade. Esse é o mesmo argumento repetido em tantas caixas de comentários de que Harvey Weinstein não abusou de ninguém, simplesmente fez propostas que as mulheres podiam ou não aceitar.

Defender a legalização da prostituição é defender a comercialização da mulher (a prostituição ainda é um negócio sobretudo feminino). É defender que os homens com dinheiro podem comprar as mulheres pobres. É defender que quem tem poder pode dispor de quem não o tem.

Defender a legalização da prostituição é defender os Harvey Weinstein nacionais, que pensam que o poder e o dinheiro lhes dá o direito a dispor do corpo das mulheres.

Por isso, lutemos pelos direitos das actrizes de Hollywood a não serem abusadas. Mas lutemos também pelos direitos das mulheres anónimas que em Portugal podem vir a ser legalmente abusadas pelo simples facto de precisarem de dinheiro e alguém estar disposto a dar-lhes o que precisam em troca do seu corpo.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Legalizar a prostituição: Um ataque às mulheres.





O site Delas, um suplemento do Diário de Notícias, publicou hoje um artigo sobre uma prostituta. Segundo conta, a rapariga, que tinha perdido tudo no divórcio no Brasil, veio para Portugal e começou a prostituir-se para ganhar “dinheiro à séria”. Desde aí a vida é um sucesso, ela adora o trabalho e já conseguiu ganhar muito dinheiro. Segundo o site o único problema é mentir à família.

O artigo é um nojo. É mais um da campanha, que já corre há uns anos, para tentar legalizar a prostituição. O objectivo é claro: criar a ideia no grande público que a prostituição é uma actividade como outra qualquer, que até tem um certo glamour, e que não há razão para não ser legal.

É um nojo porque, antes de mais, a esmagadora maioria das mulheres brasileiras que vivem da prostituição em Portugal não têm a “sorte” da senhora descrita no artigo. A maioria são vítimas de redes de tráfico de exploração de mulheres, que vivem vidas de pobreza e miséria. Por isso é uma irresponsabilidade “vender” a imagem da prostituição de mulheres que vêm do estrangeiro como um negócio de sucesso.

Mas para além disso, e esta é a questão de fundo, a prostituição é sempre um acto de exploração, mesmo quando feita de livre vontade. Porque vender o corpo por dinheiro é sempre ceder a sua liberdade a quem tem mais poder (neste caso dinheiro). É deixar-se reduzir a um objecto que se aluga.

Equiparar a prostituição a um trabalho igual a qualquer outro é como afirmar que a violação é uma agressão física igual a qualquer outra. Se o sexo é igual a qualquer actividade física, então ver pornografia infantil é como ver um jogo de futebol entre crianças!

Legalizar a prostituição é dar o poder a homens com dinheiro de explorar sexualmente outras pessoas. Porque tirando raras excepções, quem recorre à prostituição são os homens, mesmo à prostituição masculina. Legalizar a prostituição significa que o chulo se transforma em empresário e o cliente deixa de ter que ter medo da polícia. A única pessoa para quem nada muda (a não ser o privilégio de pagar ao Estado) é para a prostituta.

A legalização da prostituição não resolverá em nada o drama da prostituição. Muito pelo contrário, tornará ainda pior, porque aquilo que antes tinha que ser feito às escondidas, passa a ser feito às claras. O homem que antes trazia mulheres da Roménia inventado desculpas, com a legalização só precisa de apresentar um contrato de trabalho!

A única finalidade da legalização, para além de facilitar a vida a quem gosta de explorar sexualmente os outros, é alimentar a ideologia progressista, que deseja a qualquer custo derrubar todos os resquícios de moralidade que ainda restam no nosso ordenamento jurídico. E na sua cegueira ideológica aqueles que hoje tanto dizem defender a igualdade de género tencionam legalizar o aluguer de mulhere!

O texto do site Delas é nojento. Mas a campanha de que faz parte, mais do que nojenta, é uma ameaça aos direitos das mulheres!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Legalização da Prostituição: Um Ataque aos Direitos das Mulheres.


Nos últimos tempos sempre que aparece uma notícia sobre prostituição é sempre ouvida a opinião dos grupos que defendem a legalização desta actividade. Os argumentos são quase sempre os mesmos: a liberdade da mulher fazer o que entende com o seu corpo, a dignificação das prostitutas, a segurança das mesmas.

Devo dizer que sempre que oiço alguém defender a prostituição fico logo irritado. Porque, por muita voltas que se dê a prostituição é sempre sexo forçado. Para ser livre é preciso que a vontade de praticar sexo fosse formada de maneira esclarecida e sem qualquer condicionante. Ora na prostituição há sempre uma relação de poder. “Se tu me deres o teu corpo eu dou-te dinheiro”. Mesmo as chamadas acompanhantes de luxo, que estão muitas vezes longe de ser vítimas indefesas, são coagidas a fazerem sexo com os seus clientes. Se assim não fosse, não cobravam dinheiro para o fazer.
Impressiona-me que os mesmos grupos que lutam contra o assédio sexual no trabalho sejam a favor da legalização da prostituição. Pelos vistos um patrão não pode exigir sexo a uma empregada para lhe dar trabalho, mas se lhe pagar directamente já não é um problema!
O que cada um faz com o seu corpo, dentro dos limites do Direito, não diz respeito ao Estado. Agora dizer que vender o corpo por dinheiro é um trabalho igual a todos os outros é uma mentira e um ataque aos direitos das mulheres. Queres estudar? Queres alimentar os teus filhos? Queres ter coisas boas? É fácil, vende a tua intimidade e podes ter tudo isso!
A prostituição nada tem de digno. Em maior ou menos grau é sempre a exploração da mulher por um homem que tem dinheiro para lhe pagar. Que isso aconteça com a bênção do Estado é indigno de uma sociedade onde o Homem e a Mulher são iguais em direitos.
A maneira de dignificar as prostitutas é criar condições para que elas não tenham que se vender para viver. Se, mesmo tendo condições para não o fazerem, preferirem continuar a ter sexo a troco de dinheiro, é uma decisão de cada pessoa. Mas não é uma decisão digna e nenhum diploma legal a dignificará.
Não é por acaso que a condenação social da prostituição foi crescendo juntamente com os direitos das mulheres. Reconhecer que a Mulher tem os mesmos direitos que o Homem passa por reconhecer que o seu corpo não pode ser vendido e comprado como um objecto. O resto é maquilhagem progressista para esconder um discurso tão velho e bafiento como a própria prostituição.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Prostituição


Ontem o DN trazia um artigo sobre a possível legalização da prostituição.


A mim, mais do que os argumentos, impressionou-me ver como se fala da prostituição como  meio de vida normal.

Convenhamos, até acredito que existam mulheres que vivam da prostituição porque o escolheram livremente. Mas suponho que se possam dar ao luxo de seleccionar clientes e de viverem com alguma liberdade. Mas estes casos, caso existam, deverão ser raríssimos.

A quase totalidade das mulheres que se prostituem não o fazem por gosto, mas porque, esmagada pelas circunstância e necessitadas de dinheiro, acabam por optar por uma saída aparentemente fácil, mas que as introduz num mundo sórdido.

A preocupação daqueles que defendem a legalização da prostituição prende-se com a saúde pública e com a segurança. Mas este modo de olhar é ideológico, porque olha para a prostituição como algo de inevitável, como algo contra a qual não se pode lutar.

Percebo que seja difícil erradicar a prostituição, mas isto não quer dizer que então se legaliza. O mal não se legaliza, combate-se. Neste caso, combate-se na ajuda concreta às mulheres que são empurradas para o mundo da prostituição.

Legalizar a prostituição é mais uma vez dizer (como já se fez com a lei do aborto): o Estado não te ajuda a resolver o teu problema, não se preocupa com o teu problema, mas legaliza-o para que o possas fazer mais facilmente.