Todos as mensagens anteriores a 7 de Janeiro de 2015 foram originalmente publicadas em www.samuraisdecristo.blogspot.com
Mostrar mensagens com a etiqueta autárquicas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta autárquicas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Carlos Moedas e o EuroPride

 



  1. Vai realizar-se em Lisboa, no próximo mês, o EuroPride — o maior evento do movimento LGBT europeu.
    Sobre o movimento LGBT, reafirmo o que venho dizendo há anos: está para os homossexuais como o Partido Comunista está para os trabalhadores. O movimento LGBT é um movimento político que pretende impor a toda a sociedade a sua visão da sexualidade, e que considera que quem dela discorda deve ser, no mínimo, ostracizado — e, eventualmente, até preso.
    Para este movimento, não basta defender o casamento entre pessoas do mesmo sexo; é necessário punir quem não concorda. Não basta que um homem diga que é mulher; é preciso que toda a sociedade o aceite e o afirme — e que quem se recusa seja devidamente castigado.
    Por isso, considero o EuroPride equivalente à Festa do Avante ou ao porco no espeto do Ergue-te. Têm liberdade para o fazer, mas contam com a minha oposição. Sobretudo, por se tratar de um acontecimento político promovido por um movimento totalitário, não deve contar com apoios públicos.
  2. Esta semana foi notícia que a Câmara Municipal de Lisboa aprovou uma verba de 175 mil euros para apoiar este evento. Para contextualizar esta decisão, é habitual a Câmara apoiar grandes eventos realizados na cidade. O exemplo mais evidente é a Jornada Mundial da Juventude, na qual a autarquia investiu mais de 30 milhões de euros. Mas não é caso único: a Web Summit recebeu mais de quatro milhões de euros no ano passado, a ModaLisboa recebeu 300 mil euros este ano, e ainda há pouco mais de uma semana a Câmara gastou 250 mil euros nos festejos do campeonato. Por isso, 175 mil euros para o evento mais importante do movimento LGBT não constitui propriamente um apoio extraordinário.
    Aliás, prova disso é o facto de a oposição não ter apoiado esta decisão (por querer mais apoio), assim como a maioria das associações LGBT se ter retirado da organização do evento, em protesto contra a Câmara.
    Isto significa que a decisão foi acertada? Não. Não considero que tenha sido uma boa decisão. Mas significa, claramente, que Carlos Moedas não é propriamente um entusiasta da causa — limitou-se a cumprir os mínimos olímpicos.
  3. Tenho visto por aí uma grande campanha contra Carlos Moedas, acusando-o de ser contra a presença cristã e a favor da causa LGBT. Não tenho grandes dúvidas quanto à origem destas acusações, tal como não duvido que não são movidas pelo amor à Igreja ou à família, mas sim pelas eleições autárquicas do próximo Outono.
    Infelizmente, estas acusações têm encontrado eco junto de pessoas bem-intencionadas, que ficaram legitimamente indignadas com a decisão da Câmara. Aos mal-intencionados, de nada serve apresentar os factos; mas a quem se sente justamente indignado, vale a pena refrescar a memória sobre o mandato de Carlos Moedas.
    Antes de mais, recordar que Moedas foi quem mais se expôs em defesa da JMJ. Houve momentos em que ninguém — nem mesmo os que mais entusiasticamente acolheram a notícia de que a JMJ seria em Lisboa, dentro da Igreja e na política — teve coragem de defender os custos do evento. Ninguém, excepto Moedas. Arriscou de tal forma que, se algo tivesse corrido mal, teria sido, muito provavelmente, a sua morte política. E, no entanto, ele — que nem católico é — teve a coragem de defender sempre a importância das jornadas para Lisboa.
    Além disso, nos últimos quase quatro anos, tem apoiado, com financiamento, cedência de espaços, apoio logístico e até com a sua presença, vários eventos organizados por católicos. E tem afirmado publicamente, sem qualquer constrangimento, que as organizações católicas devem sentir-se à vontade para solicitar apoio da Câmara.
    Tem também apoiado incansavelmente o trabalho das IPSS. Depois de anos de martírio socialista, em que o apoio social era dirigido apenas aos amigos do regime, ignorando ou prejudicando as restantes instituições, com Moedas as IPSS têm sido tratadas como aquilo que são: parceiras do poder público, e não concorrentes.
    Para além disso, Moedas tem feito questão de marcar presença em todos os momentos altos da vida social da Igreja de Lisboa: nas grandes procissões, na tomada de posse do Patriarca, na missa pelo sufrágio do Papa Francisco (a quem decidiu homenagear com o nome do novo Parque Tejo), entre tantas outras ocasiões. Foi com ele que o presépio regressou aos Paços do Concelho.
    É preciso ter muita falta de memória para afirmar que Carlos Moedas tem algo contra a presença cristã na cidade. Pelo contrário, a Igreja de Lisboa tem encontrado nele um aliado como não tinha desde os tempos de Santana Lopes e Carmona Rodrigues.
  4. Isto significa que a decisão de apoiar o EuroPride está correcta? Não. Mas se procuramos um presidente de Câmara com quem concordemos em tudo, então cada um de nós terá de se candidatar ao lugar. Caso contrário, teremos de nos contentar com alguém com quem concordamos em quase tudo — e com quem, de vez em quando, tenhamos uma ou outra discordância.
    Este ano haverá eleições. Ao longo dos anos, votei muitas vezes no mal menor. Este ano será dos poucos em que votarei com gosto em quem considero ser um grande presidente da Câmara de Lisboa. Não só votarei em Carlos Moedas, como tenciono dizer às pessoas à minha volta para fazerem o mesmo, e farei campanha com um entusiasmo que não sentia desde a última candidatura de Pedro Santana Lopes em Lisboa.
    E no Outono, espero que tenha uma grande vitória — sobretudo contra os zelotas que vivem de meias-verdades e mentiras completas.

 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A história de duas cidades - Público, 19/07/17



Lisboa é hoje uma cidade na moda. O número de turistas parece não parar de aumentar. Os restaurantes, bares, assim como toda uma panóplia de pequeno comércio trendy florescem. O fim da crise, os Visto Gold e a nova lei das rendas reanimaram o mercado imobiliário. O maciço programa de obras da Câmara Municipal construiu a ideia de uma cidade mais amiga do ambiente e mais moderna.

E estes factos são bons. Evidentemente que todos trazem os seus inconvenientes. É verdade que o programa de obras públicas é muitíssimo questionável. Mas não se pode deixar de reconhecer que Lisboa está hoje mais bonita e mais cosmopolita.

Contudo existe uma outra Lisboa. Uma cidade que não aparece nas revistas de viagens nem nos sites de cultura e lazer. Uma cidade que não sabe o que seja um sunset, uma cerveja artesanal ou um hambúrguer gourmet. Uma cidade para quem as ciclovias são apenas um estorvo para apanhar o autocarro e para quem as latas de conserva não são um objecto vintage mas uma fonte de alimentação.

Existe uma Lisboa onde centenas de idosos vivem sozinhos, em casas decrépitas. Muitos já não são capazes de sair à rua e vivem da caridade de vizinhos, das ajudas da Santa Casa ou de uma instituição de solidariedade social.

Uma Lisboa com bairros pobres (daqueles que não tem a sorte de ser históricos, e por isso ainda não foram invadidos por jovens hipsters), com escolas degradadas, onde a maioria dos moradores trabalha muito e ganha pouco. Bairros com ruas dominadas por pequenos criminosos, onde é difícil romper o círculo da pobreza.

Uma Lisboa com homens e mulheres que vivem na rua. Pessoas com um enormíssimo conjunto de problemas e que sobrevivem graças aos voluntários que todas as noites saiem por essa Lisboa a distribuir refeições e apoio a quem não tem tecto.

E sobretudo uma Lisboa, que é a cidade da maioria dos lisboetas, de pessoas de classe média/média-baixa, cujo os ordenados mal pagam uma renda. Pessoas que perdem horas e horas em transportes públicos lotados. Lisboetas que não arriscam ter filhos na sua cidade, porque escasseiam as creches, porque é impossível ter carro, porque que é muito complicado enfiar duas ou (imagine-se a loucura) três crianças pequenas num autocarro a abarrotar (e ainda menos numa bicicleta).

Existe uma Lisboa real para além da Lisboa das revistas e das reportagens televisivas.  Uma cidade que vive para além da imagem trendy, eco-friendly e cosmopolita. Uma Lisboa de idosos, de famílias, de jovens casais, de adolescentes e crianças que vivem numa cidade com rendas cada vez mais altas, com transportes públicos cada vez mais degradados. Uma cidade onde os apoios sociais dependem de instituições privadas. Uma cidade abandonado pela autarquia.

O trabalho de transformar Lisboa numa cidade que recebe bem quem vem de fora foi feito e bem feito, tendo tornado a capital num ponto de atracção para turistas e investidores estrangeiros. Falta agora transformar Lisboa numa cidade atractiva para os lisboetas.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Raquel Abecasis: Uma Nova Esperança.





A política é, ou melhor, deve ser, uma forma de serviço. O empenho político deve ser o empenho na res publica, na coisa pública. 

Hoje a política e os políticos são olhados com descrédito. É comum a frase “eles são todo iguais”. O cidadão comum tendencialmente olha para os políticos e vê neles alguém que apenas procura poder e dinheiro.

É evidente que esta imagem é injusta. Que existem na vida pública muitas pessoas verdadeiramente empenhadas no bem comum. Pessoas para quem a política é uma missão. Infelizmente também existem muitos que se servem da política como forma de ascensão social, de ganhar poder e dinheiro. Os partidos são muitas (demasiadas) vezes porta de acesso para ambiciosos em busca de uma boa (e fácil) carreira.

É por isso sempre uma agradável notícia quando um partido demonstra abertura à sociedade civil. Não querendo ser injusto para todos aqueles que se dedicaram toda a vida ao serviço público, é sempre refrescante ver participar na política activa pessoas que têm uma carreira fora dela. Pessoas para quem a entrada na política é claramente um sacrifício e um serviço que desejam prestar à sociedade.

O CDS tem demonstrado ao longo do tempo uma enorme capacidade de renovação e abertura à sociedade civil. Prova bastante seria a própria Assunção Cristas, que entrou para a política apenas depois de ter participado na campanha contra o aborto em 2007. Mas mais exemplos podiam ser dado como Isabel Galriça Neto ou Paulo Núncio.

Foi por isso com muita alegria que vi que mais uma vez o CDS decidiu apostar na sociedade civil ao apresentar Raquel Abecasis como candidata à Junta de Freguesia das Avenidas Novas em Lisboa.

Raquel Abecais, filha do antigo presidente da Câmara de Lisboa, Nuno Krus Abecasis, é jornalista da Rádio Renascença há quase trinta anos. Construiu uma carreira como jornalista política, sendo reconhecida como uma das grandes especialistas da área. Directora-adjunta da Rádio Renascença, Raquel Abecasis abandona a carreira que construiu para si para se dedicar à causa pública.

E fá-lo com a coragem que lhe é conhecida. Antes de mais já anunciou que vai entregar a sua carteira de jornalista. Ou seja, atira-se para um novo desafio inteiramente. A sua candidatura não é apenas uma “diversão” ou um modo de ganhar notoriedade (que não precisa) mas um verdadeiro compromisso de dedicação à política. 

Depois não se limita a trocar um bom cargo na Renascença por um cargo melhor num qualquer gabinete de ministro ou na direcção de uma qualquer empresa pública, como tantos outros colegas de profissão já fizeram. Raquel Abecasis entra na política apresentando-se a votos, não fazendo depender o seu sucesso político da boa vontade da direcção partidária, mas da decisão do povo. Fica claro que a até agora jornalista não veio à procura de uma qualquer sinecura dispensada pelo poder, mas para servir.

A candidatura de Raquel Abecasis, que assinala o princípio da sua carreira política, é um sinal de esperança. Ainda há no nosso país pessoas dispostas a servir na política, com espírito de missão e sacrifício. Pessoa inteligentes, capazes, com uma carreira estabelecida, que estão dispostas a servir nesse mundo ingrato e difícil que é política nacional.

Com a candidatura de Raquel Abecasis à Junta de Freguesia das Avenidas Nova ganha essa freguesia e o CDS. A freguesia porque tem a possibilidade de eleger uma mulher séria, trabalhadora e competente. Ganha o CDS, não apenas pela candidatura forte que apresenta, mas por passar a contar com a colaboração de uma pessoa inteligente e experiente. Mas sobretudo ganha a política nacional que passa a contar com Raquel Abecassis para trabalhar e servir o país.

Desejo que esta candidatura seja apenas o primeiro passo para uma longa e vitoriosa carreira política de Raquel Abecasis. Portugal e a política portuguesa precisam de políticos assim: corajosos, sérios e dispostos a arriscar servir o bem comum.