1. A primeira coisa que é preciso dizer é que não há uma equivalência moral entre o Hamas e Israel. O Hamas é um grupo terrorista, que não hesita em matar e torturar inocentes para os seus objetivos. A única solução para o Hamas é a sua erradicação. Todos os terroristas desta organização devem ser presos, e, não sendo isto possível, mortos. O apoio ao Hamas, ainda que apenas moral, deve ser punido. As organizações que colaborem com o Hamas devem ser tratadas como foras da lei. O Hamas não é um movimento político de resistência, é um bando de malfeitores, cujas primeiras vítimas são os próprios residentes da faixa da Gaza. Apoiar o Hamas não é apoiar a Palestina, muito pelo contrário.
We few, we happy few, we band of brothers; For he today that sheds his blood with me Shall be my brother
segunda-feira, 16 de outubro de 2023
Guerra na Terra Santa: algumas notas
terça-feira, 10 de outubro de 2023
Só a Misericórdia pode trazer a Paz
quinta-feira, 14 de setembro de 2023
Na Exaltação da Santa Cruz.
Hoje é dia da exaltação da Santa Cruz, uma das
mais misteriosas festas do cristianismo. O normal é festejar as grandes
vitórias, como o nascimento ou a ressurreição. Mesmo o sacrifício, mesmo sendo
um momento de derrota, é razoável celebrar: o amor e a coragem de quem se
oferece pelos outros. Mas hoje celebramos a próprias Cruz. Celebramos o
instrumento da tortura do Nosso Salvador.
Exaltamos a cruz, porque foi o sofrimento que
Jesus nela sofreu que redimiu os nossos pecados. A cruz lembra-nos que a morte,
a dor, o sofrimento, não têm a última palavra. Nem o mais atroz sofrimento, nem
a mais flagrante injustiça, nem o drama mais esmagador têm a palavra
definitiva. O sofrimento, a dor, a injustiça, a morte, entregues a Deus são possibilidade
de redenção. É no maior sofrimento, totalmente despojados de todos os confortos
do mundo, que podemos imitar verdadeiramente a Cristo e entregarmo-nos
totalmente nas mãos de Deus.
Nada
disto é fácil, nem imediato. O Padre João Seabra, que hoje faria 74 anos, explicava
na última homilia que fez no dia dos seus anos: “A vida toda não chega para
perceber isto, para começar a perceber isto: começar a perceber o bem que há
para nós na derrota, no fracasso, no insucesso, nos tormentos, na morte. É este
o significado desta festa: aprendermos a amar as circunstâncias em que Deus nos
ama, e deixarmo-nos amar por Deus como Deus nos ama.”
O Padre João
foi para nós, foi para mim, um claro testemunho da liberdade que só é possível
na Cruz. Na liberdade a quem mais nada resta do que o Senhor. Por isso esta
festa é tão importante: para vivermos com os olhos na Cruz na qual fomos, e
continuamente somos, redimidos.
segunda-feira, 31 de julho de 2023
Um guia para fake news sobre a Jornada Mundial da Juventude
Com o aproximar das Jornadas, o número de disparates sobre as
mesmas nas redes sociais (e mesmo na comunicação social) começa a disparar. Por
isso, para poupar trabalho, preparei uma lista de, para usar linguagem corrente,
fake news que por aí correm. Sintam-se livres de a usarem da forma que
vos aprouver.
1. Porque é que as Jornadas são em Lisboa que já está
cheia? Deviam fazer em Fátima ou em Beja.
Este é dos disparates mais repetidos desde que foi anunciado
que a JMJ seria em Lisboa. A primeira, e óbvia razão, pela qual as JMJ são em
Lisboa é porque a escolha é feita pela Santa Sé, de entre as dioceses que se oferecem
para acolher o evento. Por isso, a JMJ não é em Fátima nem em Beja, antes de
mais, porque estas não mostraram interesse em recebê-la.
A maior parte das pessoas não compreende que a Igreja é uma
instituição descentralizada. Os bispos de cada diocese só respondem ao Papa. Por isso não foi a Igreja portuguesa que
decidiu onde seria a JMJ, foi a Igreja de Lisboa que se ofereceu para a receber.
Mas há uma segunda razão, também bastante evidente: nem
Fátima, nem Beja, nem provavelmente outra cidade do país, tem capacidade para
acolher este evento. As Jornadas duram uma semana, com 4 eventos com centenas
de milhares de pessoas (o último provavelmente com mais de um milhão), 300
catequeses por dia, e centenas de concentos, conferências, sessões de cinema,
teatros, competições desportivas, etc. Razão pela qual a JMJ não acontece
apenas em Lisboa, mas envolve também os concelhos do distrito, assim como
concelhos dos distritos de Santarém e Setúbal.
2. O Estado vai gastar imensos milhões e a Igreja não vai
gastar nada!
Está estimado que a JMJ custe no total 160M de euros. Mais
de metade desse valor é assegurado pela Igreja.
O Estado Central vai entrar com 30M. Desse valor, 8,2M serão
para remover os contentores do terminal. Uma obra que já estava prevista (tal
como aliás a reconversão do Parque Tejo, de que falarei depois). Para além
disso, o Estado garante as infraestruturas das comunicações, instalações
sanitárias, segurança e a promoção do evento no estrangeiro. Ou seja, os gastos
do Estado dividem-se entre aqueles que são os seus deveres habituais (segurança,
saúde, etc) e a promoção da JMJ no Estrangeiro, ou seja, promover Portugal
através do Evento.
A Câmara de Lisboa vai gastar 35M, dos quais 21,5 são para a
requalificação do Parque Tejo. Esta obra que fica para a cidade é “atribuída”
às JMJ, mas de facto é a obra que completa a reabilitação da frente ribeirinha
de Lisboa. Aliás, também dos 10M que a Câmara de Loures vais gastar, mais de 5M
são para este mesmo fim. Ou seja, dos 80M de dinheiros públicos, mais de 35M
são de facto para requalificação urbana.
Para além deste gasto, parte dos gastos das câmaras prende-se
com a higiene urbana, transporte e organização do trânsito. Ou seja, é verdade
que o Estado cobre quase metade do custo da JMJ, mas grande parte desse investimento
é em requalificação urbana e nas funções habituais do poder público quando
recebe um grande evento.
3. O Estado é laico, não devia dar nem um tostão para um
evento religioso
O Estado não tem religião, mas não vive desligado da
sociedade. O Estado habitualmente apoia de várias formas eventos de relevância
social e cultural. Aliás, ainda há pouco tempo houve grande fúria social porque
a Câmara do Porto não apoiava o suficiente a marcha do alfabeto.
A JMJ é um evento que irá atrair centenas de milhares de
todo o mundo, será coberto por cinco mil jornalistas, e será seguido por 500
milhões de pessoas em todo o mundo. Para além do empenho de milhares de
católicos em Portugal. Que o Poder Público apoie o evento não é normal, como é
bastante razoável, se pensarmos na publicidade que a JMJ dará a Portugal.
4. Mas era preciso gastar tanto? Jesus falou no alto de
uma montanha!
Há uma passagem da Escritura de que sempre gostei especialmente.
Uma mulher aproxima-se de Jesus e derrama sobre os seus pés um perfume caríssimo.
Logo Judas se revolta, dizendo que podia ter dado aos pobres. Ao que Nosso Senhor responde “pobres sempre os tereis”. Mas logo de seguida o Evangelista acrescenta
“Judas não dizia isto porque se preocupava com os pobres, mas porque era ladrão”.
Sempre que alguém começa com a conversa sobre os gastos da Igreja, lembro-me
deste comentário de São João.
Basta fazer contas de merceeiro para perceber que cada
peregrino custa cerca de 13€ (160M – 30M de infraestruturas para o país /1 000 000
de peregrinos). Ou seja, a organização da JMJ consegue organizar 4 eventos
gigantescos, 1200 catequeses, centenas de eventos, dormida e comida para 300 000
pessoas, segurança, transportes, e tudo o mais por 13€. Pensem o que se faz com
13€ e vejam lá se é caro…
5. Mas cada peregrino paga mais de duzentos euros, a
Igreja vai fazer uma fortuna!
Mais um mito que nunca ninguém vai confirmar. Para os
peregrinos que se inscreveram na JMJ (para ter seguro, o kit peregrino, acesso
aos transportes, alimentação, estadia, etc.) havia um preço que variava
conforme o pacote escolhido (a escolha ia desde a simples inscrição só com kit,
transportes e seguro para o fim-de-semana) até ao pacote completo (com tudo
incluído durante a semana).
Por isso, de todos os peregrinos, só uma pequena fatia paga
os tais duzentos euros. E esses recebem em troca uma estadia com tudo pago em
Lisboa durante uma semana.
Como disse acima, a Igreja entra com mais de 80M de euros na
organização da JMJ. Parte dessa receita vem destas inscrições. Mas como qualquer
pessoa pode calcular, duzentos euros para dormida, transportes e comida durante
uma semana é bastante abaixo do preço real.
Contudo, a Fundação JMJ já anunciou para que instituições
irão os eventuais lucros da JMJ. Relembro que as contas da Fundação são
auditadas pela PWC, umas das maiores consultoras do mundo…
6. A Expo e o Euro foram maiores!
A primeira coisa é que a JMJ não é um concurso para ver qual
o maior evento do mundo. Somos os que somos pela Graça de Deus e que a Sua Graça
em Nós não seja vã.
Dito isto, a Expo 98 (da qual todos nos orgulhamos) teve uma
média de 63 mil visitantes por dia. Ou seja, muito menos pessoas que em qualquer
dia das jornadas, provavelmente quinze vezes menos pessoas que estarão na Vigília
e na Missa de Encerramento das Jornadas. Para além disso, a Expo estava toda
concentrada num só sítio.
Quanto ao Euro de facto há um aspecto em que vence a JMJ em
toda a linha: o Estado gastou quase mil milhões de euros no evento, depois disso
há câmaras que continuam a suportar custos elevadíssimos com os estádios
passados quase 20 anos (como Braga e Coimbra), tudo para um retorno de 440
milhões de euros (para relembrar o Estado vai gastar nos total 80M na JMJ e há
um retorno esperado de mais de 400M).
Mas se o Euro supera largamente as Jornadas em custos, em
espectadores não. O evento durou quase um mês, em dez cidades do país, e atraiu
1 250 000 pessoas ao todo. A
JMJ apenas numa semana irá trazer só a Lisboa entre 1 a 1.5 milhões de pessoas.
7. Disseram que vinham milhões de peregrinos e afinal só
vêm 300 mil
Já vi esta várias vezes, sempre com ar convicto. O primeiro
ponto é que nunca ninguém falou em milhões, mas sempre entre 1 a 1,5 milhões de
peregrinos. Previsão que aliás se mantém.
Trezentos mil é o número de peregrinos inscritos. Mas esses
são apenas uma parte dos que vêm. Este número não difere muito do número de
inscritos de outras JMJ onde estiveram mais de um milhão de peregrinos. Por isso
sim, contem com muita, muita gente em Lisboa.
8. Os confessionários foram construídos por trabalho escravo
Esta mentira já deu direito a cartazes na rua e tudo. Mas é
uma treta. É verdade que houve 120 confessionários que foram feitos por presidiários.
Mas claro que o trabalho foi voluntário e pago. Aliás, vale a pena ler este artigo
no site da JMJ
onde os presidiários falam sobre este trabalho e perceber como esses homens são
muito mais livres do que as pessoas que espalham mentiras sobre o seu trabalho.
9. Estão a expulsar os sem-abrigo por causa da JMJ
Esta talvez seja a mentira mais abjecta destas JMJ. Tudo
começou com um vídeo editado, onde se viam uma equipa de limpeza da Câmara,
assim como equipas de intervenção social da Junta de Freguesia de Arroios e da
Câmara, numa acção de limpeza da Almirante de Reis, enquanto vários sem abrigo
retiravam as suas tendas.
Logo se espalhou o boato de que aquelas pessoas estavam a ser expulsas.
Boato alimentado pela comunicação social e por vários comentadores de esquerda.
O alvo não era a JMJ em si, mas sim Carlos Moedas. Mas, como era
facilmente verificável, era mentira. Tratava-se apenas de uma limpeza da rua, o
que é feito habitualmente, que é acompanhada pelas equipas sociais para tentar
apoiar os sem abrigo que ali vivem. Finda a limpeza as tendas voltaram, e
infelizmente ainda lá estão.
Não deixa de ser impressionante ver tanta gente a defender que
pessoas a dormir em tendas no meio a cidade é uma coisa. Percebe-se de facto
o grau de preocupação com aqueles sem abrigo…
10. Porquê em Agosto? E ainda por cima fizeram lá o
parque sem árvores!
A JMJ são sempre em Agosto por um razão simples, e que até
me parece fácil de perceber: é quando os jovens estão de férias! Penso que não
é preciso ser especialmente informado para compreender que um evento dedicado a
jovens de todo o mundo durante uma semana, tem que ser fora do período de aulas….
Sobre as árvores, ou a falta delas, também não consigo
perceber a dificuldade: um milhão de jovens a tentar ver o Papa, de facto tem de
ser num descampado. Mas para aqueles que vivem preocupados com o sol a bater na
moleirinha dos jovens, não se preocupem, todos sabem que é assim. O banho com
as mangueiras dos carros dos bombeiros é um clássico da JMJ pelo menos desde
Roma 2000, e ninguém vem ao engano.
Haverá mais tretas e boatos sobre a JMJ por aí. Estes foram
os que fui ouvindo mais. Espero que esta lista ajude a poupar trabalho e assim
possam aproveitar este enorme espctáculo de Graça que são a JMJ. Para mim, que
desde sexta-feira comecei a trabalhar na JMJ, tem sido comovente ver tantos
jovens tão felizes e esperançosos. E ainda nem começou. Por isso, o melhor
remédio perante as fake news contra a JMJ é mesmo ligar pouco, e aproveitar a
beleza destes dias!
domingo, 9 de julho de 2023
JMJ: uma oportunidade de conversão
A Jornada Mundial da Juventude é um acontecimento extraordinário. Participei em duas (em Colónia e em Madrid) e não conheço nada que se pareça. São ruas e ruas cheias de jovens em festa, de todas as partes do mundo. Miúdos de todo o mundo, com uma enorme diversidade de gostos, de dons, de carismas. E essa diversidade expressa-se nas catequeses, nas exposições, nos concertos, nos milhares de eventos que acontecem durante a semana que culmina com a Vigília e a Missa de Encerramento com o Papa.
Toda esta multidão de jovens na
rua são um espetáculo extraordinário. E tudo isto se passa numa serenidade, numa
alegria, numa paz que não é habitual numa multidão tão grande.
Mas para que se faz a JMJ? É que
organizar um evento assim dá uma enorme trabalheira a milhares de pessoas. Já
não falo do dinheiro gasto, mas dos milhares de pessoas que dão o seu tempo pela
JMJ. Tudo isto para quê?
A resposta é dada por São João
Paulo II logo na primeira JMJ - “A Jornada Mundial da Juventude significa precisamente
isto: sair ao encontro de Deus, que entrou na história do Homem através do Mistério
Pascal de Jesus Cristo. E Ele quer encontrar-vos primeiro a vocês, jovens. E a
cada um quer dizer: segue-me!”
A JMJ não é apenas um belo encontro
de jovens, um mega-acampamento de Verão, um festival para meninos bem-comportados.
Nem sequer um encontro de jovens bem-intencionados que quer mudar o mundo.
Isso, a acontecer, é tudo consequência. A JMJ, como tudo aquilo que a Igreja
faz, existe para testemunhar Cristo presente.
Por isso, a grande beleza da JMJ
é a oportunidade de conversão que oferece a cada um. Ou seja, a oportunidade de
responder ao convite de Cristo: segue-Me!
Tudo o resto é manifestação da
conversão a Jesus. Toda a beleza, toda a alegria, toda a felicidade que se vive
na JMJ são manifestação do encontro de Cristo. E existem para que cada um que peregrina
até à JMJ tenha a oportunidade de converter o seu coração Àquele que é fonte de
toda a Beleza, de toda a Alegria e da Felicidade Eterna.
Eu sei que atualmente as pessoas
não gostam de falar de conversão. Vivemos no tempo do relativismo, onde dizemos
que tudo é igual. Mas eu não posso acreditar que Jesus é Deus feito carne e
depois não desejar que os outros o conheçam. Se eu encontrei Aquele que
responde a todas as exigências do meu coração, como posso querer que os outros
não o conheçam? Para um cristão não desejar a conversão dos outros só pode ser uma
de duas coisas: ou falta de caridade ou falta de fé! Ou não desejo o bem do outro,
ou não acredito que Jesus é quem diz que É.
A JMJ, em toda a sua grandeza, é assim uma oportunidade única de obedecer ao mandato evangélico que Jesus nos deixou “ide por tudo o mundo e anunciai o Evangelho”. É evidente que daqui até à JMJ, e durante a própria Jornada, haverá coisas que nos incomodam, com as quais não concordamos. Iremos ouvir os maiores disparates, e uma tentativa de reduzir este ímpeto de São João Paulo II a uma experiência mundana, tornando a Igreja numa ONG. Mas não desperdicemos esta oportunidade. Esta oportunidade ante de mais para nós, que vivemos em Portugal. Oportunidade de conversão do nosso coração a Jesus, que se manifesta neste povo imenso que vai encher Lisboa. Mas também a oportunidade de anunciar Jesus a centenas de milhares de jovens.
segunda-feira, 26 de junho de 2023
A escravatura do Orgulho
A direita-conservadora vive fixada nesse espantalho que é o
marxismo-cultural. Ou seja, vive fixa na ideia de que uma filosofia falhada e
derrotada no século XX é a principal ameaça cultural do nosso tempo.
Não digo que partes da teoria marxista, sobretudo a adaptação
da luta de classes à luta interseccional, não influencie os grandes debates culturais
do nosso tempo. Mas o problema mais dramático da cultura contemporânea não é o
marxismo, mas o liberalismo individualista.
Vivemos hoje no primado do individualismo, onde o Homem é
aquilo que diz sobre si mesmo, onde a realidade não interessa, apenas interessa
aquilo que eu digo. Um tempo onde toda a sociedade tem de aceitar aquilo que eu
digo sobre mim e tudo aquilo que se opõe à minha ideia sobre mim mesmo é uma
agressão.
Isto é especialmente vivível na causa LGBT, que vai
acrescentando sempre mais letras, de forma a acomodar cada vez mais “identidades”.
O Homem passou a ser definido pelas suas atracões e pela sua sexualidade,
deixando de ser filhos de Deus para ser filhos da moda, da sociedade, filhos de
si mesmos.
E esta maneira de olhar para a sexualidade, centrado em si
mesmo, afirmando que tudo o que me sacia sexualmente é válido (excepto o que
for crime, então aí é preciso mudar a lei) e que qualquer opinião que diga o
contrário é repressiva, é profundamente anti-humano. Esta visão da sexualidade,
centrado apenas nos meus gostos e necessidades, significa reduzir o outro a um
mero objecto de prazer. O individualismo reduz o próprio a uma criança mimada e
o resto da humanidade a objectos que existem para o meu desfrute.
O resultado está à vista, apesar de toda as promessas de
libertação sexual que há de trazer a felicidade à humanidade, finalmente livre
de barreiras da moral, temos uma sociedade cada vez mais infeliz, cada vez mais
incapaz de se relacionar, cada vez mais violenta, cada vez mais depressiva.
Por isso é especialmente preocupante ver a Igreja alinhar
nesta mentalidade. A Igreja sempre afirmou com clareza que o Homem não é
definido pelo seu pecado. O Homem foi criado para Deus, e é definido pela Graça
de Deus. E por isso a Igreja a todos acolhe como Mãe, no convite contínuo a aderir
a Cristo. Por isso a Igreja sempre falou com pessoas com tendências homossexuais,
não permitindo que a sexualidade de uma pessoa a definisse.
Infelizmente, são cada vez mais os documentos que falam de
pessoas LGBT (com mais ou menos letras), como se a sexualidade de uma pessoa definisse
quem ela é. Como se de repente, houvesse uma classe à parte, diferente de
pessoas, a quem o convite de Cristo a segui-lo não se aplicasse completamente,
por causa da sua sexualidade.
Esta falsa misericórdia não é acolher ninguém, não é
respeitar ninguém, pelo contrário, é reduzir pessoas iguais a mim a uma única
dimensão da sua vida. No fundo, mesmo que não seja essa a intenção, é dizer que
às pessoas com tendências homossexuais, ou que não se identifiquem com o seu sexo,
de alguma forma, não lhes é oferecido o mesmo que é oferecido a mim.
Isto porque a moral sexual da Igreja não é um menos, não é
uma obrigação, é uma graça. É uma forma mais Humana, mais bela, mais plena de
se viver. Tratar uma pessoa apenas de acordo com o que diz sobre si, e não de
acordo com aquilo que Deus diz sobre ela, é recusar a essa pessoa a dignidade
de criatura de Deus. E isso não é dramático apenas para a sociedade, é dramático
sobre para essas pessoas, a quem a Igreja recusa a Graça de Deus em troca de
uma ideologia mundana.
O mês de Junho, mês
do Sagrado Coração de Jesus, mês dos Santos Populares, transformou-se no mês do
Orgulho. E orgulho é o que mais define esta sociedade, onde o Homem recusa a
paternidade Divina, e prefere-se criar à sua própria imagem e semelhança. O
movimento LGBT não defende ninguém, nem promove qualquer igualdade, apenas ajuda
a impor a escravatura do individualismo egoísta. Que o poder do mundo, vergado
por esse individualismo, alinhe sem reserva nesse discurso não me espanta
(embora me dê pena). Mas a Igreja tem o dever de ser Luz do Mundo, e de
continuar a afirmar a Liberdade dos filhos de Deus num mundo de escravos do
orgulho.
sexta-feira, 9 de junho de 2023
Em defesa da Europa Cristã
Ontem um homem sírio atacou crianças com uma faca num parque infantil em França. Um acto tão cobarde e monstruoso como este não pode deixar de revoltar qualquer um. Atacar crianças é a maior perfídia que consigo imaginar.
Este ataque voltou a levantar a questão da migração em massa
de África e do Próximo Oriente para a Europa. Em Portugal o Chega já fez
questão de alertar para o perigo que todas as crianças correm em todos os
parques infantis por causa da imigração em massa.
Eu também concordo que a política de imigração da União
Europeia é má. Má não apenas para os países europeus, mas também injusta para
os imigrantes, que acabam na maioria das vezes abandonados e explorados nos países
que os recebem. E também acho que há uma falta de clareza na diferença entre migrantes
e refugiados. Pior, a União Europeia aposta numa falsa política de portas
abertas, que ajuda a alimentar redes de tráfico e máfias, sem ter capacidade de
dar respostas às pobres almas que procuram refúgio na Europa. E o resultado
está à vista no cemitério em que se transformou o Mediterrâneo e no inferno em
que Lesbos se tornou.
Por isso, se a política da extrema-esquerda, das falsas
portas abertas, que só conduzem à miséria e à revolta dos migrantes, é uma
ilusão, a resposta da extrema-direita, de tornar a Europa numa fortaleza
fechada, também não me satisfaz. Porque em nome de uma falsa segurança das
crianças europeias, estão dispostos a deixar morrer crianças não europeias no
fundo do mar, ou às mãos de senhores da guerra, ou exploradas por uma qualquer
máfia. A preocupação da extrema-direita não é com as crianças, nem com as
mulheres, nem com os homens. A preocupação da extrema-direita é apenas com as
pessoas da cor certa.
E pelo crime de um, querem fazer pagar milhões. Porque não
exigem de facto uma resposta ao drama que hoje se vive nas rotas do Mediterrâneo,
um negócio alimentado por máfias e senhores da guerra, à custa de milhões de
inocente. Não pedem um combate eficaz ao tráfico humano, políticas de apoio ao
desenvolvimento dos países de origem, campos de refugiados em condições, políticas
eficazes de emigração. Só querem culpar um inimigo externo, demonizá-lo, e unir
as massas à sua volta. Ou seja, querem força eleitoral, à custa de uma multidão
de pobres e explorados.
Recuso que o preço da minha segurança seja a morte de milhares
de crianças, só porque nasceram no continente errado. Sim, a Europa tem que
encontra respostas a esta crise, mas não à custa de inocentes cujo único crime
foi nascer no país errado.
Parte da extrema-direita vocifera contra os migrantes e refugiados
em nome dos valores cristãos. Ignorando que se o primeiro mandamento é amar a
Deus sobre todas as coisas, o segundo é em tudo igual a este: amar o próximo
como a ti mesmo.
Uma Europa fechada sobre si mesmo, afogando-se na riqueza criada
pela exploração do resto do mundo, uma Europa que ignora o grito de desespero vindo
de África e do Próximo Oriente, será muitas coisas. Será herdeira de Roma e de
Atenas. Será herdeira do Alemanha pura e da União das Repúblicas Soviéticas.
Aquilo que não é seguramente, é cristã.
Dou graças a Deus por nascido na segurança e na abundância
da Europa. E ainda mais agradecido por ter nascido numa sociedade herdeira do
cristianismo. Sei bem que isso comporta riscos, mesmo assim incomparáveis a
atravessar o Mediterrâneo num bote de plástico. E não estou disposto a abdicar
desta herança por uma falsa sensação de segurança.






