Esta frase devia ser uma evidência. Antes de mais, porque nem o primeiro é socialista, nem o segundo é fascista. António José Seguro, na melhor das hipóteses, é um social-democrata. Já André Ventura, por muito que alguns activistas berrem, é sem dúvida um populista, mas não é fascista.
Mas o ponto principal nem sequer é este, porque podíamos ter um socialista e um fascista a concorrer a Presidente, e mesmo assim isso não transformava quem votasse em algum deles num socialista ou num fascista.
Votar num candidato não é o mesmo que o apoiar ou concordar com ele. Votar é escolher, entre as opções disponíveis, aquela que parece ser a mais possível de ser útil ao bem comum. Um trabalho fácil quando as escolhas são boas e abundantes; um trabalho muito difícil quando só há dois candidatos e nenhum deles vai de encontro aos nossos ideais.
De entre as pessoas em quem mais confio nas questões políticas, conheço várias que vão votar António José Seguro e várias que vão votar André Ventura. Cada um com as suas razões, em geral razões com as quais eu concordo, e nenhum deles está especialmente contente com o seu sentido de voto. Simplesmente, tendo de escolher entre os dois, decidiram usar o seu voto da forma que lhes parece menos má: porque AJS é mais moderado, porque não querem um antigo secretário-geral do PS como Presidente, porque acham que AJS oferece maior estabilidade, porque acham que AV não vai ganhar e querem que Seguro ganhe pelo menos possível, etc. Tudo boas razões, nenhuma das quais se traduz num apoio a qualquer um dos candidatos.
Este discurso tonto, de que de alguma forma nestas eleições estaríamos perante uma escolha entre direita e esquerda, democracia e fascismo, socialismo e liberdade, seria ridículo se não fosse trágico. E é trágico porque, mais uma vez, torna a política numa guerra de trincheiras, onde do lado de lá está um inimigo a abater. Quem é pela liberdade tem de votar X, o que significa que quem não vota como eu é um inimigo da liberdade.
E não vale a pena dizer que isto é coisa de Ventura ou de Seguro: ambos os lados estão cheios de pessoas com esta posição, que demonizam quem vota de forma diferente, que transformam qualquer divergência de pensamento numa heresia.
Ora, não é verdade que Portugal se divida entre socialistas e fascistas. Não é verdade que quem vota em Seguro ou em Ventura seja mais puro ou menos puro. Não é verdade que a democracia e a liberdade estejam em causa. O que põe em causa a liberdade e a democracia é a incapacidade de olhar para o outro — sobretudo o outro que discorda de mim — como uma possibilidade de bem. E, sem isso, a política transforma-se numa guerra onde é preciso esmagar e sanear o adversário, tudo em nome do bem e da liberdade.

Não concordo com o autor. Cada um dos concorrentes, quando no poder, vai agir conforme o seu carácter! Ou vai ter coragem e reagir a leis injustas e perigosas, ou se é molengão, para quem não se quer chatear, deixa passar, finge que está tudo bem, que não é nada com ele, que apenas está ali para cortar fitas, e deixa que o governo leve a "democracia" segundo as suas tendências! É o que acontecerá com o Dr. Seguro.
ResponderEliminarSe for o Dr. Ventura, lutará com certeza, pelos mais pobres, mais esquecidos e injustiça dos! É por isso que os pobres e os jovens votam mais em Ventura e os ricos, os socialistas, os bem instalados na vida nem querem ouvir falar de Ventura, porque para trazer os pobres para cima, os ricos e protegidos da sorte ou do sistema corrupto que é o mesmo, têm de descer um pouco!
Não me digam que é tudo igual que não é!
Seguro obedecer cegamente a António Costa e Von der Leyen, cuja proposta primeiríssima, é para rasgar as bandeiras das nações e colocar nos espaços públicos, apenas a da UE, ou seja, acabou-se a civilização europeia, a identidade nacional e a democracia! É isso que queremos para Portugal?
Ventura irá lutar pela nossa independência e pela nossa Fé Católica! E Seguro? Quererá por Ventura saber disso para alguma coisa, ou assinará sem reservas o que as elites sujas da NOM quiserem? Cada cristão que votar Seguro, terá de prestar contas a Deus, Von der Leyen já apresentou proposta para que o livro guia da Europa seja o Alcorão! Será que Seguro se vai opor? Mas se for Ventura, certamente que o fará!
Sabe que Ventura não quer alterar a atual lei do aborto?
EliminarSegundo André Ventura, "o actual prazo parece ser adequado, não vendo necessidade de proceder à revisão do mesmo".
Fonte: observador.pt/interativo/novo-votometro-presidenciais-2026-2-a-volta-responda-e-veja-de-que-candidato-esta-mais-proximo
Acabei de comentar, porque não está aqui o meu comentário?
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