Há poucas coisas mais contracorrente para um homem dos nossos tempos do que ser pai. Hoje, apesar de todas as ilusões colectivistas das últimas décadas, triunfou o individualismo. O homem moderno é aquele que vive para si, sem depender de ninguém, focado apenas na sua satisfação.
We few, we happy few, we band of brothers; For he today that sheds his blood with me Shall be my brother
domingo, 19 de março de 2023
Faltam pais
Há poucas coisas mais contracorrente para um homem dos nossos tempos do que ser pai. Hoje, apesar de todas as ilusões colectivistas das últimas décadas, triunfou o individualismo. O homem moderno é aquele que vive para si, sem depender de ninguém, focado apenas na sua satisfação.
domingo, 12 de março de 2023
Sobre a confusão dos números recebidos pela CEP
sexta-feira, 10 de março de 2023
Liberdade da Igreja
Ontem no Parlamento vários partidos decidiram não apenas criticar a Igreja, mas explicar aquilo que a Igreja deveria fazer na questão dos abusos de menores. Também o Presidente da República decidiu criticar a Conferência Episcopal Portuguesa sobre este assunto e fazer sugestões sobre o comportamento da Igreja, como aliás já tinha feito André Ventura. Estamos perante dois enormes equívocos que não podemos deixar passar.
terça-feira, 7 de março de 2023
A hipocrisia habitual de Isabel Moreira
Isabel Moreira assina um artigo no Expresso que é um tratado de jacobinagem. A senhora deputada vem clamar que é preciso o Estado intervir na Igreja, proibir a doutrina sexual nas Igrejas, acabar com a confissão e várias outras coisas.
domingo, 5 de março de 2023
Ainda sobre o abuso de menores na Igreja
domingo, 26 de fevereiro de 2023
Intervenção no Faith's Night Out 2023 - Centro Congressos Lisboa, 25/02
Na minha pertença a
Cristo e à Igreja, o encontro com o Padre João Seabra, que morreu em Junho do ano passado, foi o mais decisivo da minha
vida.
No dia 12 de Novembro de
1978, em Santa-Isabel, na sua missa nova, o Padre João Seabra disse “O bom
gosto do nosso mundo perguntará, escandalizado, se eu me considero então
detentor da única verdade. E eu respondo que não. Não sou detentor da verdade.
Mas sou detido por Ela. Não sou senhor da verdade, mas sou servo da Verdade”.
Este parece me um bom
ponto de partida para a minha intervenção desta noite. Porque quando pedimos
para levar a Verdade onde houver o erro, não estamos a pedir para nos
afirmar-mos a nós mesmo, as nossa ideias, a nossa opinião.
Quando pedimos para levar
a Verdade onde houver o erro, aquilo que pedimos é para levar Cristo, a Verdade
feita carne, onde houver erro. E o primeiro lugar onde é preciso que a Verdade
vença o erro é no meu coração.
Levar a Verdade onde
houver o erro não é por isso um pretensão, ou uma arrogância. Pelo contrário,
precisa de uma humilhação: a de me fazer servo dela! A de submeter as minhas
pretensões, os meus impulsos, as minhas tentações, de submeter toda a minha
pessoa ao serviço da Verdade.
Lembro-me quando fui ter
com o padre João para lhe dizer que estava a pensar empenhar-me na política.
Lembro-me bem de onde ele estava sentado, na cabeceira de uma mesa comprida na
Sacristia Velha da Igreja da Encarnação (isto há mais de quinze anos)! Ele
disse-me três coisas.
A primeira foi “lembra-te
sempre que és cidadão dos céus e concidadãos do Santos”. Ao princípio
estranhei, mas com o tempo tenho percebido que esta consciência é essencial
para se estar na política. Porque sem o horizonte do céu é fácil ou ceder ao
desespero, ou ceder ao poder.
Porque afirmar a Verdade
diante do erro, sobretudo na política, não nos garante qualquer vitória, pelo
contrário. E se é verdade que de vez enquanto lá conseguimos ganhar, não é
menos verdade que os tempos não nos são favoráveis.
Acontece-me várias vezes,
quando falo com alguém sobre as minha lutas políticas, perguntaram-me com ar
desconfiado “mas tu achas que vão ganhar?” e a minha resposta, para algum
choque do meus amigos, é sempre a mesma “tenho a certeza que vamos perder”.
Meu caros, eu sou
católico, monárquico, miguelista, democrata-cristão, pró-vida e sportinguista!
A derrota é quase inata em mim!
Mas a mim Deus não me
pede que ganhe nada, nem sequer o céu, porque esse é Ele que o oferece. A única
coisa que que Deus pede é que sejamos fiéis à Verdade que encontrámos. A vitória
é Ele que a dá, quando e como entender.
A consciência do céu é
por isso essencial para nos mantermos fiéis à Verdade, diante da tentação do
desespero ou do poder.
A seguir o Padre João
perguntou-me se eu sabia qual era o dever de um católico na política. E eu,
cheio de boa doutrina, respondi: servir bem comum. Ao que ele que me disse que eu
estava errado. O dever de um católico na política é dar testemunho de Cristo.
Como o dever de um católico que seja professor, ou advogado, ou médico. E
explicou-me que a política era a forma mais elevada de caridade porque, se um
professor é chamado a dar testemunho de Cristo diante dos seus alunos, e um
médico diante dos seus doentes, um político é chamado a dar testemunho de
Cristo diante de toda a sociedade.
Muitas vezes ouvimos
falar da falta que fazem políticos católicos. Confesso que não concordo.
Católico não é uma categoria política: temos os deputados LGBT, os deputados antirracismo,
os deputados católicos! Não, a fé não é uma bandeira política.
O que falta é católicos
que estejam empenhados na política. Ou seja, mulheres e homens para quem o
encontro com Cristo é e tal forma totalizante, que estão dispostos a servi-lo
na vida pública! Não com umas bandeiras ideológicas convenientes para capturar
um nicho eleitoral, mas dispostos a empenhar-se seriamente na política, em
todos os assuntos, tendo como critério a Verdade.
A última coisa que o
Padre João me disse foi “tu na política segues a Isilda Pegado e o António
Maria Pinheiro Torres”. Para quem não conhece estes meus dois amigos, são dois
dos maiores protagonistas na defesa da Igreja e sobretudo da causa da Vida na
política.
Ao princípio pensei que
era apenas uma indicação prática, para alguém que estava a começar uma vida
política. Com o tempo percebi que era muito mais do que isso.
É como Jesus nos ensina
no Horto da Oliveiras: Pai, que eles sejam um só, como Tu e Eu somos um só,
para que o mundo creia. Cristo faz-se presente na comunhão de um povo que é a
Igreja. Na Ascensão Jesus não diz, onde tu estiveres, eu estarei também. Mas
sim, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio vós.
É na comunhão entre os
católicos que Jesus se faz presente. E isto é igualmente verdade na política. O
meu esforço, mesmo que esteja certo e os outros errados, por si só é estéril.
Porque em última instância é sinal apenas de mim mesmo.
A unidade com este
amigos, não apenas o António e a Isilda, mas tantos outros que fui conhecendo,
é sinal para o mundo da presença entre nós de Jesus, o único que torna possível
vencer diferenças, zangas e irritações. Não é possível dar testemunho da
verdade, sem a unidade.
E é assim, nesta amizade com estes meus amigos da Federação pela Vida, que há anos que a luta pela defesa da vida se mantém. A luta contra o aborto, pela família, pela liberdade de educação, contra eutanásia, é sustentada por esta amizade construída em Jesus. Não hesito em dizer que o povo da vida, que tanto tem feito nestes anos, nasce desta unidade!
O testemunho mais visível
do povo da vida é sem dúvida a Caminhada pela Vida. Em dez cidades do país, são
milhares os que saímos à rua para num tempo que afirma a cultura do descarte e
da morte, dar testemunho público de que a Vida Humana é sagrada desde o momento
da concepção até à morte natural. Quando falamos em levar a verdade onde houver
o erro, a Caminhada pela Vida é um momento concreto para fazer carne este
pedido.
Na vossa cadeira
encontraram um flyers a convidar-vos para a Caminhada pela Vida, já no
dia 18 de Março às 15h, no Largo Camões. Venham, convidem as vossas famílias,
convidem os vossos amigos, avisem nas vossas paróquias, nos vossos movimentos!
Senhor fazei de mim um
instrumento da Vossa paz, para que onde houver erro que eu leve a Verdade,
pedimos nós na oração que serve de mote a esta noite. Dia 18 de Março às 15h no
Largo Camões, cada um de nós tem a oportunidade para fazer esta oração com os
nossos pés, caminhando em defesa da Vida. Estão todos convidados! Muito
obrigado a todos, que Deus vos guarde!
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
Sobre o relatório dos abusos sexuais: algumas notas
1. As primeiras palavras sobre o relatório dos abusos de
menores na Igreja não podem deixar de ser dor e vergonha. Independentemente das
opiniões e até críticas que o relatório possa merecer, não é possível ficar
indiferente aos relatos que ali estão. A verdade é que houve menores abusados
na Igreja. E esses menores cresceram, para se tornar homens e mulheres
profundamente marcados por esses abusos. E durante anos, às vezes décadas,
carregaram sozinhos essa dor, não sentido da parte da Igreja o apoio necessário
para enfrentar o crime de que eram vítimas.
E essa é talvez a culpa mais terrível da Igreja em tudo
isto. Os sacerdotes da Igreja, assim como os seus colaboradores, são homens
como todo os outros, e por isso pecadores como todos os outros. Também entre os
católicos há criminosos horrendos. Pode-se fazer tudo o que for possível para
prevenir os crimes na Igreja, mas não é possível controlar a liberdade humana
que pode sempre escolher o mal. Mas a culpa terrível é que as crianças que
foram abusadas não encontram na Igreja quem as apoiasse. Ou pelo menos, não
acreditaram que pudessem ser ajudadas por quem pertencia à Igreja. E se assim é,
alguma coisa teremos feito, para que aquelas pessoas abusadas e feridas no seu
mais íntimo, não se sentissem acolhidas e protegidas. E isso não é apenas culpa
dos abusadores, mas de todos os que pertencem à Igreja.
2. Quanto ao relatório em si, confesso que tenho alguma
dificuldade com o método usado. A denúncia, sem investigação séria, sem contraditório,
é muito facilmente manipulável. Por muito que nos pareça improvável que alguém
invente um situação destas, a verdade é que não é impossível, nem sequer especialmente
difícil fazê-lo. Para além disso, falamos muitas vezes de acontecimento com 40
ou 50 anos, sendo também fácil as confusões. Penso especialmente nos caos de
insinuação, referidos no relatório, que a esta distância me parecem difíceis de
avaliar.
Dito isto, percebo também que este era o único método
possível de dar voz às vítimas. E este é talvez o maior mérito deste relatório:
permitir a quem foi abusado na Igreja e nunca se sentiu escutado ou
acompanhado, sê-lo. Na maior parte dos casos era impossível uma investigação
judicial (veja-se que a maior parte dos casos enviados ao Ministério Público não
chegou a ser investigado). E a verdade é que a comissão não revelou nomes,
enviou-os à CEP que poderá agora investigar devidamente, seguindo as devidas
regras processuais. A alternativa a este método era criar um sistema de tal
forma rígido que se tornaria inviável. Por isso, continuando a não gostar do
método, percebo que era o possível para permitir às vitimas de abusos na Igreja
denunciar o que lhes aconteceu.
3. Os números apresentados pelo relatório são talvez a parte
mais problemática. O relatório é de facto útil para compreender melhor o
fenómeno dos abusos na Igreja, mas o método usado torna os número pouco
fiáveis. Não digo que sejam poucos ou muitos. Por um lado, estimativas baseadas
nos relatos das denúncias (que dão os quase cinco mil casos falados), não me
parece fiável. Por outro, com certeza que nestes cinquenta anos houve pessoas abusadas
que morreram sem que se soubesse do horror que tinham sido vítimas, haverá
vitimas que não quiserem voltar a reviver o abuso, ou simplesmente que não
acreditasse que valesse a pena denunciar. Por isso o número avançado pode pecar
por defeito ou por excesso e dificilmente haverá forma de o confirmar.
Tenho ouvido muitas pessoas declarar que isto é apenas a
ponta do iceberg, que haverá muito mais casos do que aqueles que foram
revelados. É um palpite como outro qualquer. Eu não me arrisco a dizer se são
mais ou menos: os que foram, foram demais e tudo temos que fazer para que não
se repitam.
4. Enquadrar os abusos na Igreja no seu contexto histórico e
social, não é apenas justo, é também importante para conseguir compreender melhor
como evitá-los. Não se trata de desculpabilizar, nem de menorizar o problema,
mas sim de entender melhor. Mas é fácil passar desta contextualização para uma
comparação: aconteceu em todo o lado, na Igreja até acontece menos, é um
problema transversal. E se todas estas afirmações são verdadeiras, a mim não me
confortam nada. Sim é verdade que os abusos de menores não são um exclusivo na
Igreja, nem há uma especial incidência destes comportamentos na Igreja. Também
é verdade que muitos destes casos “encaixam” na mesma dinâmica de outros casos
de abusos de menores. Mas a Igreja tem o dever de ser melhor. Sim, somos todos
pecadores, mas isso não nos desobriga da obrigação de procurar ser santos. Por
isso para mim um abuso na Igreja é bastante mais grave do que noutras
realidades.
5. Por fim, um último apontamento: uma das informações mais
interessantes do relatório é o facto de a grande maioria dos denunciantes nunca
ter feito qualquer queixa do abuso de que foi vítima. Para muitos, este relatório
foi a primeira vez que falaram do tema. Evidentemente que isto não impede que
tenha havido em alguns casos negligência da parte dos responsáveis da Igreja.
Mas não encontramos qualquer indicação da suposta teia de encobrimento que
tantos apregoam. A hierarquia podia e devia ter feito mais e melhor, mas a
teoria de um grupo de criminosos a abafar crimes continua sem encontrar
qualquer sustento factual.

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