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sexta-feira, 8 de março de 2024

Vencido, mas não convencido, vou votar na AD

 


Votar é um acto de puro realismo. Raramente temos a oportunidade de votar em quem realmente queremos, ou mesmo em candidatos que gostemos. Em toda a minha vida de eleitor, lembro-me de ter votado convencido em 2 ou 3 eleições.

Quando vamos votar escolhemos entre os candidatos que existem aquele ou aqueles que nos parecem ser mais capazes de servir o bem comum. Infelizmente, no Domingo essa tarefa não é fácil.

Para mim é evidente que o voto à esquerda, em projetos baseado numa visão coletivista da sociedade, que são contrários à família e a uma sociedade civil forte, que impõem engenharias sociais, que atacam o direito à vida de forma cada vez mais agressiva, está fora de questão.

Também o individualismo egoísta da IL, que confunde egoísmo com liberdade, que ao mesmo tempo que grita contra o Estado, acha que este deve impor a sua visão cultural da sociedade, que endeusa o mercado, esquecendo aqueles que não têm condições ou capacidade de ser valer por si próprios, está para mim fora de questão.

No Chega também não voto. Antes de mais não entrego o meu voto a quem, num ataque à Liberdade da Igreja inaudito desde a Iª República, chama ao Parlamento o Patriarca de Lisboa e o Presidente da CEP. Só isto chegaria para não votar nesse partido. Mas para além disso, embora reconheça que no seu programa há uns pozinhos de causas boas, vem tudo misturado, à imagem do próprio partido, que quer agradar a todos os descontentes do sistema, mesmo que para isso tenha de defender tudo e o seu contrário. Para além disso, para mim em política a forma conta. Nunca gostei do populismo ordinário do Bloco, não passei a gostar só porque agora é praticado à direita.

Sobra a AD. O que até deveria ser um voto fácil. Tem alguns candidatos de qualidade, como o Paulo Núncio, a Isabel Galriça Neto ou o Alexandre Homem Cristo. Mas tem um programa que desanima qualquer pessoa. Um conjunto de banalidades, sem qualquer ideia política ou cultural de fundo para o país. O PSD continua a querer ser a governanta do país, que mantém a casa arrumada. Por isso só governa quando o PS deixa a casa desarrumada. Não duvidemos que se o candidato do PS fosse da ala de António Costa, com um discurso e um percurso ao centro, os números das sondagens seriam outros.

Mas tudo somado, voto na AD. Porque a realidade é aquela que é, e neste momento é urgente tirar a esquerda do poder, e a única forma de isso acontecer é a vitória da AD. E é preciso estabilidade, e a única forma de isso acontecer é que a AD tenha força. Sobretudo, porque fazem falta bons deputados ao país, e fazem falta católicos empenhados na política, e o meu voto será um voto em Paulo Núncio e em Isabel Galriça Neto (que se tudo correr bem, também poderá ser eleita). Por isso, vencido pela realidade, mas não convencido pela timidez do programa, irei votar sem dúvida ou sobressalto na AD.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Para tudo há um momento e um tempo (Ecl 3,1)



O livro do Eclesiastes diz que há um momento e um tempo para tudo: tempo para nascer e tempo para morrer, tempo para amar e tempo para odiar, um tempo para a paz e o tempo para a guerra. Diz também que há um tempo para falar e um tempo para calar.

Quem se empenha na política tem que ter sempre em primeiro lugar o bem comum. Na nossa organização do poder político a política faz-se sobretudo nos partidos. Quem milita num partido deve por isso ter em primeiro lugar o bem comum e só a seguir o partido. O partido é funcional, é um instrumento para a organização política. Se um político serve o partido antes do bem comum então está a servir-se a si mesmo e não a nação.

Por isso um partido deve ser um espaço de liberdade, com espaço para todos aqueles que , partilhando a mesma doutrina política, ou doutrinas políticas com pontos em comum, tem diferente opiniões e ideias sobre como trazê-las à prática.

Nada seria pior do que um partido monolítico, onde todos tivessem a mesma opinião. Pior ainda, um partido onde todos tivessem que concordar com o seu líder. As divergências, as diferenças de opinião, as criticas são não apenas justas, como também muitas vezes necessárias.

Contudo, como dizia ao principio, há um tempo e um momento para tudo. Faltam pouco mais de dois meses para as eleições legislativas. Eleições essas que parecem vir a ser desastrosas para o país: a vitória da esquerda é certa, a única discussão aparente é o tamanho dessa maioria.

Este resultado será sem dúvida muito por culpa da direita. E muito há a dizer e a criticar na política do PSD e do CDS nos últimos quatro anos. Em 2015 os dois juntos conseguiram 38.50% dos votos e 107 deputados. Em 2019 os dois juntos poderão não chegar aos 25% dos votos.

Não podemos ignorar o que se passou na direita nestes anos. Nada seria pior do que se, após as eleições, os militantes dos partidos de direita enterrassem a cabeça na areia, fingido que é tudo culpa da comunicação social e dos novos partidos que dispersam o voto.

Mas para tudo há um momento. E este momento é o de luta contra a esquerda, não o da guerra interna. Não é tempo de ajustes de contas, nem de posicionamentos para futuras lideranças.

Percebo perfeitamente os militantes que, discordando da direcção do seu partido, decidam não participar na campanha. Não percebo aqueles que vendo o abismo à sua frente empurram o seu partido nessa direcção, com constantes criticas nos jornais e guerrilhas nas redes sociais.

Nada é mais oco e vazio do que dizer que é tempo de união: se alguém não acredita num projecto é natural que não o apoie. Mas é sem dúvida tempo de silêncio. Em bom português, quem não quer ajudar que não o faça, mas saia da frente.

Se em última instância um militante discorda de tal maneira do seu partido que lhe parece melhor que outro partido tenha melhor resultado nas eleições, se de facto já não acredita no seu partido, então tem o dever moral de abandonar o partido. Se apesar de tudo, apesar de toda a discordância, continua a acreditar que o seu partido é a melhor opção para o país, então este é o tempo do silêncio.


A partir de 6 de Outubro haverá tempo para juízos, balanços, críticas. Até lá, o único inimigo deve ser a esquerda.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

CDS: o voto útil!




Começo por fazer um ponto prévio: eu acredito que, independentemente da direcção do PSD, o CDS seria o melhor partido para governar Portugal. A minha militância no CDS não se deve às circunstâncias políticas actuais, mas à convicção que a democracia cristã é o caminho certo para o país. Mais ainda, penso que o CDS tem melhores quadro político e pessoas mais bem preparadas para governar que os outros partidos.

Dito isto, também é verdade que Rui Rio facilita a vida a qualquer pessoa que não seja socialista. O actual presidente do PSD já deixou bastante claro ao que vem: preservar o seu lugar à frente do partido e encostar-se de tal maneira ao PS que consiga garantir uns cargos para si e para os seus partidários. A Rio não lhe interessa o país, mas o Estado. Ele não quer este ou aquela pasta do governo, o que ele quer mesmo é voltar ao velho centrão onde PS e PSD vão dividindo cargos como se fossem donos da coisa pública. Rio não concorre com o PS, mas com o PC e o BE para ver quem serve de muleta a António Costa.

Por isso é urgente afastar do seu partido as vozes incómodas e ao mesmo tempo mostrar-se sempre aberta às ideias da esquerda. Reparemos no caso caricato da Taxa Robles, onde Rio veio logo prazenteiro, com o seu ar de político moderado, dizer que a taxa até podia não ser má ideia, só para ser achincalhado com a reacção do PS à mesmo medida.

A verdade é que votar no actual PSD é o mesmo que votar no PS. Nada os distingue! A única alternativa de facto ao PS é o CDS. E não, não é pormo-nos em bicos de pé, é simplesmente constatar um facto. O voto útil, que durante tanto tempo deu tantos votos ao PSD, é agora o voto no CDS. De resto, do Bloco ao PSD todos os votos terão um único destino: apoiar um governo de António Costa.

Em Maio nas Europeias, mas sobretudo em Outubro nas legislativas, o CDS apresenta-se como a única alternativa real ao PS. Só um CDS realmente forte pode travar mais um governo das esquerdas encostadas. É irrealista? Talvez. Mas a única alternativa é mais quatro anos de gerigonça, agora na versão alargada!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Passos Coelho Habituou-nos Mal.




Assistir à rejeição do programa de governo na Assembleia da República encheu-me de nojo: Foi o triunfo da mediocridade, da cobardia e da desonestidade. Hoje o Parlamento deixou de ser a Casa da Democracia, para ser o time-sharing da esquerda.

Contudo, no meio de toda a indignação, não posso deixar de me perguntar: porque haveria de ser diferente? Porque razão haveríamos de esperar mais do Partido Socialista? O mesmo partido que durante seis anos aclamou José Sócrates; o mesmo partido que elegeu Seguro para depois aplaudir à defenestração traiçoeiramente executada por Costa; o mesmo partido que assistiu à derrota de 4 de Outubro sem qualquer sinal de revolta.

Porque razão esperamos que a extrema-esquerda, a mesma que durante quatro anos exigiu a demissão de um governo com uma sólida maioria parlamentar, a mesma que tentou ganhar na rua o que não conseguiu vencer nas urnas, de repente respeitasse a democracia?

A verdade é que estamos mal habituados. Os últimos quatro anos em que Pedro Passos Coelho foi Primeiro-Ministro habituaram-nos a uma outra forma de fazer política.

O primeiro mandato do actual Primeiro-Ministro merece ser recordado por inúmeras razões. Tendo herdado não apenas uma crise gravíssima, mas também um programa de assistência internacional duríssimo, Passos Coelho e o seu Governo conseguiram em quatro anos o que todos diziam ser impossível: cumprir o programa, manter o défice, aumentar o emprego, equilibrar a balança comercial e regressar aos mercados.

Tudo isto enfrentando a oposição irracional de todos os partidos da oposição, assim como os constantes ataques da maior parte dos comentadores, incluindo os do seu partido, e dos media em geral.

Mais ainda, apesar de todos os sacrifícios, apesar todos os ataques, apesar de toda a demagogia, Passos Coelho e a coligação que liderou conseguiram aquilo que há um ano parecia impossível. Sem nunca ceder ao eleitoralismo, mantendo sempre o rumo que achava correcto, a coligação Portugal à Frente conseguiu convencer o povo a dar-lhe a vitória nas urnas.

E a verdade é que este modo de fazer político, colocando o interesse da Nação à frente do interesse pessoal e do interesse partidário, habituou-nos mal.   Habituou-nos a uma maneira séria e honrada de fazer política.

Uma maneira de fazer política onde os compromissos são para cumprir, as dívidas são para se pagar, os factos são factos e não narrativas. Uma maneira de fazer política na qual o Primeiro-Ministro responde diante do Parlamento e não dos jornais, o Governo não tem medo de tomar medidas duras para o bem comum e a oposição é tratada com respeito.

De facto, ao dizer "que se lixem as eleições o que interessa é Portugal", ao recusar a demissão de Paulo Portas, ao negar apoio a Ricardo Salgado, Pedro Passos Coelhos habituou-nos muito mal.

Ao aceitar governar durante quatro anos, em condições duríssimas, com imenso sacrifício pessoal, sem nunca se esquivar às suas responsabilidades, o Primeiro-Ministro habituou-nos à verdadeira política, aquela que existe para servir o bem comum.

Por isso nos surpreendemos com a baixeza da esquerda, embora já devêssemos estar habituados. Mas não nos surpreendemos quando ouvimos Pedro Passos Coelho a dizer “Sempre disse que não abandonava o meu país. Se não me deixam lutar por ele no Governo, como quiseram os eleitores, lutarei no Parlamento”.

Assim, apesar da indignação e do nojo com a rejeição do programa de governo, não posso deixar de estar grato a Passos Coelho. Grato pelo seu serviço público, pelo seu governo e sobretudo por me ter habituado mal. Espero ter rapidamente a oportunidade de votar novamente nele, para que nos continue a habituar mal por muitos mais anos.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

O Mito do Partido Comunista Democrático.




Desde as eleições de dia 4 de Outubro desdobram-se os esforços de várias figuras, sobretudo ligadas ao Partido Socialista, para explicar que o Partido Comunista Português é um partido democrático, igual a todos os outros. Para estes quem ataca o PC é anti-comunista primário. Regra geral citam a luta "anti-fascista" e a resistência de Álvaro Cunhal a Salazar.

Ora, a história não é a preto e branco. Não há apenas maus e bons, hás bastantes tons de cinzento pelo meio. Álvaro Cunhal não se opunha a Salazar para instaurar um regime livre e democrático. Mas sim para construir um regime comunista, onde a liberdade e a democracia estavam sujeitas ao bem da revolução comunista.

Aliás, Cunhal nunca escondeu este facto. É fascinante ler a entrevista que o grande líder comunista deu à jornalista Oriana Fallaci, que foi publicada no Jornal do Caso República, no dia 27 de Junho de 1975.

Nessa entrevista Álvaro Cunhal explica que nunca haverá um parlamento em Portugal; que os comunistas não entram no jogo das eleições; que há menos presos políticos do que deveria a haver e que são libertados muito rapidamente; e acaba afirmando que Portugal não será um pais com liberdade democráticas e monopólios, companheiro das democracias burguesas.

Mais ainda, o Partido Comunista não se ficou por palavras, mas demonstrou com os seus actos qual era o seu objectivo. Entre Abril de 1974 e Novembro de 1975 sucederam-se os saneamentos, as nacionalizações e as ocupações. Os comunistas, através dos sindicatos e dos estudantes, com o apoio de alguns militares, tentaram garantir na rua o que nunca conseguiram ganhar nas urnas.

É verdade que isto aconteceu há 40 anos e que entretanto o PCP mudou. Hoje em dia apresenta-se apenas como defensor dos trabalhadores e do povo contra o capitalismo e o imperialismo. Já não fala de revolução e respeita as eleições (até se intitula de patriótico, valor que antigamente era burguês, mas que agora é de esquerda). Vive sobretudo graças ao apoio dos sindicatos, que lhe dão um poder desproporcional ao seu apoio eleitoral.

O PCP não mudou por vontade própria, mas apenas por uma questão de sobrevivência. Mudou porque perdeu o exército e a rua em 75. Mudou porque com a entrada na CEE a nossa democracia estabilizou. Mudou sobretudo, porque a União Soviética ruiu.

O Partido Comunista Português é um partido da nossa democracia, mas não é um partido democrático. Quer na vida interna (provavelmente o único partido que não precisa de disciplina de voto, porque só há uma opinião dentro do partido) quer na vida publica.

Quem não acredita vá ler os estatutos do Partido Comunista, onde se defende a nacionalização da economia. Ou então, os número do jornal Avante onde louva Lenine e a Revolução Bolchevique e ataca a queda do Muro de Berlim, apelidando-a de golpe do imperialismo. Ou ainda, veja quais os partidos irmãos, recebidos na festa do Avante, entre os quais se conta o MPLA, o Partido Comunista Chinês e o Partido Comunista Cubano.

Afirmar que o Partido Comunista Português é um partido democrático é por isso um mito. O PC vive numa democracia e adaptou-se a ela como mero expediente de sobrevivência, no qual é especialista. Não é caso único em Portugal, também o PNR ou o MRPP fazem o mesmo. É apenas o de maior expressão.

Com isto não quer dizer que o PCP deva ser ilegalizado. A liberdade democrática não se defende diminuindo a liberdade de expressão e a liberdade política. A Constituição garante a Democracia. As instituições, especialmente o Presidente da República e o Tribunal Constitucional, garantem a defesa da Constituição.

Contudo, não podemos é escamotear a verdade. O Partido Socialista tem toda a legitimidade para formar um governo com o Partido Comunista. O voto de um deputado comunista tem o mesmo valor que o voto de qualquer outro deputado, assim como um voto de um eleitor comunista tem o mesmo valor do que o voto de qualquer outro eleitor. Mas é preciso que não se esconda que, ao aliar-se com o PC, o PS escolhe aliar-se a um partido anti-democrático. 

Se assim for, ficaremos a saber que António Costa e o Partido Socialista preferem estar no poder com um partido anti-democrático a aceitar uma derrota democraticamente imposta pelos eleitores.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O Mito da Maioria de Esquerda.






A noite de 4 de Outubro assistiu ao nascimento de um mito. Este começou a ser criado pelo PC e pelo Bloco, mas como habitualmente, qualquer que seja o resultado, estes dois partidos “ganham” as eleições, ninguém ligou muito.  

Aliás, o discurso de António Costa nessa noite, onde reconhecia a derrota e afirmava que não iria inviabilizar o governo dos partidos vencedores, parecia encerrar esse mito. Contudo, mesmo com a admissão da derrota , percebia-se que também nele estava lançada a semente desse mito, quando afirmava que algo tinha mudado com as eleições.

Lenta, mas seguramente, o mito foi ganhando força até se transformar num suposto “facto”: a esquerda tinha ganho as eleições. Sem sabermos bem como, após uma noite onde tinha ficado claro para todos, excepto para a extrema-esquerda, quem ia governar o país, começou-se a ouvir várias vozes que afirmavam que afinal a coligação “Portugal à Frente” não tinha ganho as eleições, mas que o vencedor seria essa entidade chamada “esquerda”, constituída por três partidos que todos juntos tinham mais deputados que a PaF.

E assim, aparentemente a vitória da esquerda deixou de ser um mito e começou a ser, para muitos, um “facto”. O grande drama é que este “facto” é uma mentira. Nada mais nada menos do que isso: uma mentira.

Eu bem sei que os partidos de esquerda tiveram mais votos do que o PaF, ainda não estou totalmente desligado da realidade, ou para usar um novo termo técnico, ainda não cheguei ao grau “Costa” da ilusão. O facto é que a esquerda não ganhou as eleições, porque a esquerda não concorreu às eleições.

Entre os partidos e coligações que foram a votos no dia 4 de Outubro e conseguiram eleger deputados, três são de esquerda: PS 86 deputados, Bloco 19 deputados e a CDU (PC + PEV) 17 deputados, num total de 122 deputados.  

Contudo, embora todos estas candidaturas sejam de esquerda, são de esquerdas muito diferentes, como se pode verificar pelo programa eleitoral que apresentaram. 

O Partido Socialista é europeísta convicto, a favor do Tratado Orçamental, da União Monetária e de uma maior integração europeia. Para além disso o PS é a favor da OTAN, não tem nenhum plano para a nacionalização da banca e é a favor do mercado livre em geral.

Já o Bloco de Esquerda é europeísta, mas não a favor da actual União Europeia. Defende uma maior integração europeia, porque defende uma sociedade sem fronteiras. Mas é contra o Tratado Orçamental, contra a actual União Monetária e defende a reestruturação da dívida como essencial para a permanência de Portugal no Euro. Mais ainda é contra a OTAN, defende a nacionalização da banca a longo prazo, assim como de vários outros sectores da economia.

A CDU, que é como quem diz o Partido Comunista, é contra a Europa, contra o pagamento da divida, contra a moeda única e defende a saída de Portugal do Euro. É contra a OTAN, a favor da nacionalização da banca e contra o mercado livre.

Ou seja, os únicos pontos em comum entre estas forças políticas são as questões fracturantes e serem contra o actual governo. Como aliás, foi várias vezes recordado durante a campanha eleitoral. É preciso lembrar que o Partido Socialista acusou sempre o Bloco e a CDU de serem irresponsáveis e partidos de protesto. O Bloco e a CDU acusaram sempre o PS de ser um partido de direita, pouco diferente do PaF.

A prova mais cabal que falamos de três propostas muito diferentes para o país é o facto de 19 dias depois das eleições estes três partidos ainda não terem conseguido um acordo de governo para o país.

Vir afirmar que o facto de o PS, o Bloco e a CDU terem tido mais votos que o PaF é uma vitória da esquerda é por isso mentira. Querer usar essa mentira para formar um governo é simplesmente desonestidade e falta de democracia.

Têm mais em comum o PaF e o PS, do que o PS e o resto da esquerda, como ontem lembrou o Presidente da República. O chamado Bloco Central é europeísta, a favor da OTAN e a favor da liberdade do mercado. As divergências entre o actual governo e o PS não são estruturais mas apenas de método.

Teve por isso muito bem o Presidente da República ao recusar o mito da vitória da esquerda. Não era compreensível, olhando para os resultados eleitorais, que o Presidente fizesse outra coisa que não respeitar o voto dos eleitores nas urnas.

Indigitar António Costa como primeiro-ministro, com base num suposto acordo que ninguém viu, deixando assim o país refém da extrema-esquerda, era não só uma irresponsabilidade, mas também uma desonestidade, dando na secretaria uma vitória ao PS que o povo se recusou a dar nas urnas, a à extrema-esquerda um poder que os eleitores nunca lhe deram.

O Presidente cumpriu o seu dever. Para bem do pais, gostaria de ver os deputados ignorar por momentos a sua sobrevivência política e cumprir também eles o seu dever para com País. Nem são precisos muitos: só oito deputados da "esquerda" com consciência.