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sexta-feira, 30 de maio de 2025

Obrigado, Miguel Milhão


Falar hoje contra o aborto é mais difícil do que alguma vez foi. Debater este tema com alguém que defende o “direito” ao aborto é como se estivéssemos a falar duas linguagens completamente diferentes.

Mesmo entre os que são contra o aborto, vemos que, muitas vezes, são apenas contra o aborto livre, ou pago pelo Estado, ou então contra o alargamento dos prazos. Mas encontrar hoje alguém que diga que o aborto é sempre errado e deve sempre ser ilegal é cada vez mais raro.

E é raro porque, culturalmente, o embrião deixou de ter qualquer valor. Não se trata de discutir se há vida humana ou não — isso é um facto biológico indisputável —, mas sim do valor que se atribui à vida humana. Porque neste tempo do relativismo, o valor da vida já não depende do facto de existir, mas do valor que cada um de nós lhe atribui. E a sociedade já decidiu que a vida humana por nascer não tem valor, ou, pelo menos, não o tem até possuir algumas características com as quais as pessoas se identifiquem.

Por isso o debate sobre o aborto é tão difícil: estão em causa duas visões completamente distintas — uma que afirma que a vida é sempre digna, e outra que afirma que a vida é digna quando a sociedade o diz.

Por esta razão é que o debate sobre o aborto deixou de ser, como há 20 anos, sobre quando começa a vida, e passou a ser sobre os direitos da mulher. Porque o embrião deixou de contar.

E para defender o contrário é preciso coragem, porque há poucos temas que enfureçam tanto os activistas da modernidade como o aborto. E eu compreendo porquê: é que, se por um segundo tiverem de admitir a possibilidade de que a vida humana começa na concepção, então terão também de admitir a hipótese de estar a ser praticada a maior matança de inocentes de que há memória.

Afirmar com clareza que o aborto é sempre um mal e, sobretudo, afirmar sem medo o valor da vida humana não é popular, mas é urgente. Por isso, é com grande alegria que vejo como Miguel Milhão usa a sua fortuna e influência para esta causa.

E fá-lo sem tibieza, sem cedências, com total clareza. É evidente que o fundador da Prozis procura, há algum tempo, influenciar o debate público, e que tem meios e capacidade para o fazer. E é impressionante que tenha escolhido o aborto como a sua grande causa. Quem o acompanha desde que começou a intervir publicamente sabe que o aborto não é uma causa secundária, nem uma forma de criar polémica para obter atenção. O aborto é mesmo a causa principal de Miguel Milhão.

Este é o segundo ano em que ele cria um anúncio para a televisão, para festejar o começo da sua vida — no momento da concepção. E usa esses anúncios para afirmar, sem problema, a defesa da vida desde o primeiro instante. Claro que este atrevimento provoca a fúria de muita gente. E é bastante divertido ver a liberdade com que Miguel Milhão se ri dos fariseus modernos e dos escribas do aborto.

Deve haver vantagens em ser bilionário — ainda por cima sem depender minimamente do poder político e mediático. E Miguel Milhão usa muito bem essas vantagens para defender esta causa tão urgente. Por isso, da minha parte, só me resta dizer: obrigado, Miguel Milhão.

domingo, 30 de março de 2025

Discurso Caminhada pela Vida 2025


 

Olá a todos! Muito obrigado!

Mais um ano onde, por todo o país, se Caminhou pela Vida! E é impressionante pensar que ano, após ano, aqui continuamos, sem esmorecer! Alguns de nós já fazemos isto há algum tempo. Felizmente uma grande maioria dos que aqui estão ainda não tinha nascido em 98, na primeira Caminhada pela Vida, mas é impressionante ver como temos tantos e tantos jovens, tantos e tantos.

Este ano cumprem-se 18 anos desde que o aborto livre é legal em Portugal. Ou seja, este ano vai votar a primeira geração que cresceu a ouvir que o aborto era legal!

Mas esta geração, a geração pró-vida continua aqui firme, a caminhar, a dizer com clareza e sem medo, que a vida tem valor desde o momento da concepção até à morte natural! Muito obrigado! A presença destes jovens, a vossa força enche-nos a todos de coragem!

Este ano caminhamos entre legislaturas. Acabou agora uma, vai começar agora outra. E algumas coisas boas aconteceram desde o ano passado: conseguimos travar o avanço dos prazos do aborto, a eutanásia ainda continua sem ser legal, já vão quase dez anos! Há dez anos que estão a tentar e ainda não conseguiram! E esperemos para o ano estar a dizer o mesmo!

E conseguimos dar um belo golpe na ideologia de género nas escolas! É uma vitória, é mesmo uma grande vitória.

Mas vêm aí novas eleições e nós temos duas armas a voz e o voto. E se hoje fizemos ouvir a nossa voz, temos de a continuar a fazer ouvir até dia 18 de maio! Façam-se ouvir juntos dos partidos e dos candidatos a deputados: escrevam-lhes, escrevam para os jornais, publiquem nas redes sociais! Façam ouvir a nossa voz com clareza:

Recusamos o alargamento dos prazos do aborto! Recusamos a Eutanásia! Recusamos a ideologia de género! Mas mais: queremos medidas de concretas de apoio às mulheres e às famílias para que possam ter os seus bebés! Queremos medidas concretas de apoio aos doentes e aos idosos! Queremos liberdade, liberdade de consciência para os médicos e, sobretudo, liberdade para educar os nossos filhos, liberdade para afirmar que um homem é um homem e uma mulher uma mulher! Liberdade para afirmar que o aborto não é um direito, é um mal e tem de ser combatido! E acima de tudo, e deixa-me dizer isto da forma mais clara possível, e sem qualquer tibieza: queremos, lutamos, exigimos, o fim do aborto, sem nenhum se! E não temos ilusões: isso passa sem dúvida por medidas sociais de apoio às grávidas, mas passa também pela ilegalização do aborto!

O aborto não pode ser legal, o aborto não é um direito, um aborto é um crime! O aborto é um crime em qualquer circunstância! O aborto destrói uma vida! O aborto, aliás, destrói duas vidas!

Não nos deixemos enganar pelo discurso de que o aborto legal protege as mulheres, é mentira! Sabem quem o aborto legal protege? O aborto legal protege os patrões que não querem empregadas grávidas, proteges os homens que não querem ter filhos, protege os pais que não querem escândalos na família, protege a sociedade, para quem o aborto é mais barato do que uma criança. O aborto livre não protege as mulheres que querem ter os seus filhos e a quem estado nada oferece que não seja o aborto!

E por isso continuaremos a lutar: pelos bebés que não nasceram, pelas mulheres que são empurradas para o aborto, pelas mulheres cuja a única escolha que têm é entre desemprego, a solidão, a pobreza ou o aborto! Lutamos por elas! Lutamos por um país onde a vida humana é protegida desde o momento da concepção até à morte natural.

Vamos fazer ouvir a nossa voz até dia 18 de maio! E no dia das eleições usemos com sabedoria a nossa segunda arma: o voto! Usemos o nosso voto para construir uma sociedade que defende a vida, que defende a família, que defende a liberdade de educação!  Amigos, peço que façamos da liberdade de educação uma grande causa nossa! 

Votamos em quem defenda a vida desde o momento da concepção, que defenda a família, que defenda a liberdade de educação! Queremos liberdade para educar os nossos filhos!

Amigos, caminhamos este ano e, Deus queira, para o ano voltaremos a caminhar. E vamos continuar a fazê-lo, vamos continuar a dar testemunho da beleza da vida, vamos continuar a construir uma sociedade onde toda a vida tem dignidade! Muito obrigado, que Deus vos guarde e que Deus guarde Portugal! Viva a Vida!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

O aborto e o crescimento do ódio

 


Primeiro era só para os nascituros com risco de deficiência e para aqueles que foram concebidos por violação. Por alguma razão, um bebé deficiente tem menos valor que um saudável e um nascituro deve pagar pelos pecados do seu pai. Depois era só para evitar que as mulheres fossem presas, mesmo sabendo que não havia uma mulher presa por ter abortado há décadas. Agora afinal é um direito fundamental da mulher, e o bebé é reduzido a uma coisa sem qualquer direito, de tal forma que é preciso alargar os prazos do aborto legal, para garantir que não há qualquer estorvo à possibilidade de eliminar uma vida que não nasceu. Pelo meio, lembraram-se que afinal os doentes e idosos também não têm a mesma dignidade que o resto das pessoas e por isso, quando pedem para morrer, em vez de ser cuidados, devem levar uma injecção letal.

Esta loucura, e não tenho dúvidas que chegará o tempo onde a história assim julgará esta cultura da morte, não começou em 2007, começou em 1984, quando se começou a legalizar o aborto. E não terminou aí, continua viva ainda hoje. E assim irá continuar. Irá continuar porque é fruto de uma cultura que já não reconhece o valor intrinsecamente sagrado da vida humana.

Hoje a Pessoa tem valor na medida em que a sociedade assim o dita. Tem valor na medida em que tem utilidade prática ou afectiva para mim. Se assim não for, não é bem vida, é uma coisa, já não tem dignidade. É esta porta, da redução do outro à ideia que eu tenho sobre ele, que a legalização do aborto abriu. Uma porta que, depois das tragédias do século XX, devia ter sido fechada.

Não nos espantemos por isso que hoje se banalizem o discurso de ódio contra imigrantes, minorias, adversários políticos. A partir do momento em que o homem se fez Deus, e decidiu julgar ele em que momentos a vida humana passa a ter direito a existir, nesse momento, abrimos a porta à redução do outro a um objecto cujo valor sou eu que decido. É deficiente? Pode ser abortado. Está doente? Pode ser morto. A sua vinda não dá jeito? Eliminamos. E chamamos-lhe Direitos.

Dia 11 fez anos o referendo que tornou o aborto livre legal em Portugal. Um pouco por todas as redes sociais vi festejos, como se uma grande conquista se tratasse. Desde então mais de 230 mil crianças não nasceram, pela mão do Estado. É isto que festejavam. Como pode o ódio não triunfar numa sociedade que festeja a morte de centenas de milhares de crianças por nascer?

O artigo podia ficar por aqui. A tentação de apontar o ódio e ficar aí é grande. Mas a verdade é que é mesmo preciso responder é esta pergunta: como, neste tempo onde se festeja a morte de crianças por nascer, é possível não triunfar o ódio. E a resposta, não sendo fácil, é simples. Eu não posso mudar a sociedade, mas posso mudar o meu coração. Não posso impedir que o ódio cresça entre as pessoas, mas posso impedir que cresça em mim. Por isso aquilo que posso fazer, que podemos todos fazer, é responder ao ódio com amor. É diante de quem defende a cultura da morte, afirmar uma cultura de amor à vida. Não há vida em abstracto, mas às vidas concretas das pessoas com quem me cruzo.

Dia 29 de Março a Caminhada pela Vida sai à rua em 13 cidades do país. Um momento preferencial para dar testemunho da beleza da vida. Para responder à cultura do ódio, com uma cultura de amor. Caminhamos não por ódio, mas para dar testemunho de que a vida é sempre bela e pode, e deve ser amada, em qualquer circunstância.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Alargamento dos prazos do aborto: um mero oportunismo


 

Sexta-feira, dia 10, será debatido na Assembleia da República o alargamento dos prazos do aborto. Aparentemente, como seria expectável dada a constituição do parlamento, as iniciativas irão chumbar, como qualquer pessoa que tenha dois olhos na cabeça conseguiria adivinhar.

A questão, é então por que razão se lembrou a esquerda de vir agora fazer esta proposta? Porque não o fizeram nos nove anos que tiveram maioria na AR? Se o PS está assim tão empenhado em garantir mais tempo para as mulheres abortarem, por que razão não o fez nos dois anos que teve maioria absoluta? A resposta é bastante simples, porque à esquerda em geral, e ao PS em particular, não lhes interessa que esta proposta passe.

Não nos confundamos, claro que eles preferiam prazos maiores para o aborto legal, mas o tema em si, interessa-lhes mais como bandeira política, útil para se abanada conforme as necessidades da agenda, do que a sua aplicação. Se tivessem proposto novos prazos para o aborto quando dispunham de maioria para isso, o assunto teria acabado por ali. Assim fica disponível para o reavivarem sempre que precisarem.

O timing destas propostas tem apenas duas finalidades. A primeira é poder acusar o PSD e o CDS de se encostarem ao Chega. Aposto convosco o que quiserem que depois da votação de sexta-feira estaremos dias a ouvir esse discurso.

A segunda finalidade é desviar a atenção do estado em que a esquerda deixou o SNS, criando um bode expiatório, que são os médicos. A lógica é simples, as mulheres não abortam porque os médicos são maus e objectores consciência. E em vez de discutirmos a falta de material, o estado decrépito do SNS, a falta de pessoal, estaremos a discutir a culpa dos médicos que recusam praticar abortos.

As mulheres que não conseguem abortar são para a esquerda apenas uma bandeira para usar enquanto lhes foi útil. Como foram os emigrantes há quinze, ou os habitantes da Cova da Moura há um mês, ou os transexuais há quatro ou cinco meses. E depois o interesse passará e a esquerda deixará cair ao chão estas pessoas, como o fez anteriormente, e passará para outras que lhes sejam úteis para criar ondas de revolta e gerar mais manifestos (sempre assinados pelas mesmas pessoas).

O problema é que as pessoas que eles usam como bandeira são reais. E merecem respeito. E precisam de apoio. Mas isso à esquerda é indiferente, porque assim que perdem o seu valor como bandeira, perdem qualquer interesse que podiam despertar a esses partidos.

Por isso não nos deixemos enganar: o que se vai votar dia 10 não tem qualquer relação com as mulheres, ou com qualquer drama humano. É apenas mais um oportunismo político daqueles que deixaram o país de rastos e agora tentam encobrir o rasto criando novas polémicas todos os meses.

 

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Aborto até às 12 semanas? Alguns pontos

 


1. O Partido Socialista, depois de ter descoberto que era urgente regulamentar a morte a pedido, mesmo não o tendo feito em 10 meses no Governo, descobriu agora a urgência de alargar os prazos do aborto legal, ao fim de 8 anos com maioria de esquerda no Parlamento, dois dos quais com maioria absoluta.

Esta urgência, descoberta sempre quando já nada pode fazer, demonstra bem a utilidade destas leis para os socialistas. Poucos lhes interessa as grávidas em dificuldade ou os doentes, só lhes interessa marcar a agenda política com temas que demonstrem o seu “progressismo”, que dividam a direita e que lhes permita ocupar tempo de antena. As mulheres e os doentes são apenas bandeiras para utilizar à conveniência do PS.

2. Não há diferença entre um aborto às 10 semanas e às 12 semanas, como agora o PS veio propor. O nascituro tem sempre igual dignidade, pelo que não é que a lei actual seja boa ou equilibrada.

O problema é que alargar o prazo do aborto legal vem aumentar o tempo em que é negado ao nascituro a sua dignidade de ser humano e também aumentar a possibilidade de abortar.

Por isso se o aborto é igualmente mau às 10 ou às 12 semanas, uma lei que aumenta o prazo legal do aborto é sempre pior, porque diminui ainda mais a protecção jurídico do bebé no ventre materno.

3. Em 2007, aquando do segundo referendo ao aborto legal que o sim finalmente ganhou, todos os apoiantes da nova lei afirmavam com clareza que ninguém era a favor do aborto, que o único objectivo era impedir as mulheres de serem presas e que não se estava a liberalizar o aborto, apenas a descriminalizá-lo.

Hoje o Partido Socialista defende, apesar das juras de 2007, que o aborto é um direito fundamental. Claro que ao mesmo tempo defende que o aborto à 13ª semana de gravidez é um crime. Se assim não fosse não propunha liberalizar até às 12 semanas, antes propunha a sua legalização até ao término da gravidez. Uma coisa não pode ser um direito fundamental e um crime ao mesmo tempo. A posição do PS é evidentemente incoerente

O objetivo é claro, repetir em voz alta vezes suficiente que o aborto é um direito fundamental até que toda a gente repita o dogma, tratando qualquer pessoa que se lhes oponha como um ditador. Tem feito o seu caminho.

4.  Esta hipocrisia do PS não pode deixar de levantar a pergunta: porquê 12 semanas? Como chegaram a esta data? O que muda às 12 semanas que transforma um direito em um crime? A resposta é simples: nada.

Um nascituro às 12 semanas é igual a um de 13. Não há qualquer base científica para esta decisão. São 12 como podiam ser 13 ou 14 (provavelmente 14, porque, por alguma razão, são sempre um número par de semanas).

O critério para o prazo do aborto legal é sobretudo a opinião pública. Já em 1997 foi assim. Quando a primeira proposta para legalizar o aborto até às 12 semanas chumbou a JS (liderada por Sérgio Sousa Pinto) baixou para as dez e passou (para depois ser chumbada em referendo). E a única razão é que o prazo tem de ser um número que a população ache aceitável.  Preferencialmente antes da data da primeira ecografia, não vá alguém perceber que está ali um bebé.

5. Já foram feitos em Portugal mais de 256 mil abortos legais. Para se ter ideia, o concelho do Porto tem 214 mil habitantes. Num país onde não nascem bebés, onde as grávidas dão à luz na autoestrada, onde não há creches, onde as famílias não têm dinheiro para ter filhos, alguém poderia achar que a urgência não é aumentar o número de abortos mas sim diminuí-los.

Só que infelizmente combater as causas sociais do aborto, apoiar as grávidas em dificuldade e defender medidas de apoio à família dão menos tempo de antena do que aumentar os prazos do aborto. E por isso, para o PS, que quer fazer o país esquecer o estado em que deixou o país, a solução é mesmo criar condições para mais abortos.

6. Espero que a Direita que durante anos explicou que este era um não assunto, incluindo os líderes partidários que se deixam fotografar a rezar piedosamente para depois apoiarem a actual lei, percebam finalmente que o aborto será sempre um assunto. A única questão é se é discutido como arma de arremesso político ou como o drama que realmente é.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Debater o aborto: quanto vale o embrião?



Nos últimos tempos voltou ao debate público a questão do aborto. É possível notar uma mudança profunda neste debate. Se em 2007 o centro do debate era o valor da vida intra-uterina, neste momento esse assunto é completamente ignorado, sendo o aborto apresentado como se fosse uma mera questão de saúde feminina. Isso nota-se aliás na linguagem, quando se fala em direitos sexuais e reprodutivos.


Ora, se é verdade que os direitos da mãe são uma parte importante na questão do aborto, a questão realmente de fundo é saber qual o valor da vida por nascer. Porque se a vida que está no ventre da mulher não tem valor, então a discussão do aborto é apenas absurda. O aborto seria um acto médico qualquer e não fazia qualquer sentido ter sequer legislação especial. Mas se a vida intra-uterina tem valor, então a discussão só pode ser a partir de que momento é que ganha esse valor: porque é que as 9 semanas pode ser eliminado e às 11 não? Qual o critério para decidir o momento em que o embrião passa a mercer protecção jurídica?

A biologia é muito simples: a partir do momento da fecundação há um ser vivo, com ADN próprio, que pertence ao género humano. Ou seja, a partir da fecundação há um novo Ser Humano. Isto é que o a ciência afirma. Aqueles que se opõem ao aborto afirmam que este facto, o simples facto de ser humano, é suficiente para que à aquela nova vida seja reconhecida toda a sua dignidade e deve por isso merecer toda a protecção legal.

Quem pelo contrário afirma até um certo prazo da gravidez o aborto deve ser legal afirma que para lhe ser reconhecido a dignidade não basta existir, tem que ter mais alguma característica. O seja, nega que o ser humano por si mesmo mereça protecção legal, mas que essa protecção depende do reconhecimento social do seu valor. Por ser um amontoado de células, por o coração não bater, por não ter sistema nervoso central, não é verdadeiramente humano como nós.

Podemos dar as voltas que quisermos, adocicar o debate, usar eufemismos e siglas, mas a verdade é simples: defender que o aborto é legal é defender que a dignidade do ser humano não é inata mas sim definida pelo poder. Está longe de ser a primeira vez na história que isto acontece e os resultados desta lógica são tragicamente conhecidos.

Eu percebo que há desafios gigantes ligado à gravidez. Desafios que afectam as mulheres. Mas esses desafios têm que ser enfrentados à luz do facto de que no útero de uma mulher grávida está uma vida humana. Ignorar este facto, desumanizar o embrião ou o feto, pode ajudar a sossegar a consciência, mas não resolve nenhuma injustiça. Pelo contrário agrava-a.

Para o mundo contemporâneo é mais fácil ignorar a questão da vida por nascer. É mais fácil dizer que a mulher tem na barriga uma coisa, que depois, num passo de magia, se transforma num bebé. Porque reconhecer que ali está um bebé significa enfrentar o horror dos milhões de vidas ceifadas anualmente pelo aborto. Reconhecer a dignidade infinita da vida por nascer significa dar-se conta da monstruosidade que a cultura do aborto introduziu no nosso tempo. E por isso é mais fácil esquecer o bebé, e reduzir o aborto a uma mera questão da intimidade da mulher.

Respeito o drama das mulheres que não desejam ter os seus filhos, das mulheres que procuram aborto ilegal, das mulheres que estão em situações de dificuldade e estão grávidas. E defendo uma sociedade que apoia e acolha essas mulheres, assim como todas as mulheres grávidas. Mas a solução para um drama, a solução para uma injustiça, não passa por ignorar que o aborto elimina uma vida. O drama do aborto é, antes de mais, o drama de uma vida que existe e que merece ser defendida. 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Eutanásia: o enterro da nossa civilização



Dia 29 de Janeiro de 2021 foi um dia histórico. Nesse dia 136 deputados aprovaram a possibilidade do Estado matar. Nos cinco anos de debate sobre a eutanásia muitas vezes foi dito que se tratava de um tema complexo. Não é verdade. Complexo é o debate sobre como cuidar das pessoas em fim de vida. A eutanásia é muito simples: é o acto de matar uma pessoa a seu pedido. Aquilo que os deputados andaram este tempo todo a debater foi quais os critérios que tornam o homicídio não apenas legal, mas também um dever do Estado.

Esta é provavelmente a lei mais grave aprovada em Democracia. As leis que tornaram o aborto legal, eram mais violentas e mais injustas. Mas no aborto houve o cuidado de esconder que estava em causa uma vida. Montaram-se esquemas elaborados para justificar o injustificável e negar a evidência cientifica que a vida começa na concepção.

Na eutanásia não houve qualquer fingimento. O parlamento decidiu que há circunstâncias nas quais o Estado pode matar uma pessoa.

29 de Janeiro é o dia em que a maioria dos deputados decidiu que o seu poder não tem qualquer limite. O artigo 24º diz que a vida humana é inviolável. Os deputado disseram que é inviolável excepto nos casos em que S.Exs. decidem o contrário. É histórico porque foi o dia em que os deputados disseram que uma maioria conjuntural pode ignorar a Constituição.

Ora se a vida, que a Constituição diz que é inviolável, pode ser violada por determinação de uma maioria de deputados, que os impede de aprovarem o quer que seja? Nada. Se o parlamento não reconhece que há limites para o exercício do poder, então já não estamos em democracia, mas na ditadura da maioria, onde o limite é a indignação popular.

Mas ao atentar contra o Direito à Vida não foi apenas a Constituição que os deputados rasgaram. Ao aprovar a eutanásia os deputado acabar de retirar o pilar central sobre o qual está construida a nossa sociedade: a igual, inerente e objectiva dignidade de cada Homem.

A sociedade Ocidental foi-se construido sobre esta ideia que todos os homens foram criados à imagem e semelhança de Deus. É a igual dignidade dos homens que serve de base à Democracia, que a justifica. Se todos temos igual dignidade, então todos devemos poder participar na vida pública, todos temos direito a escolher como queremos que a nossa sociedade seja regulada.

Por isso a democracia tem como limite os direitos inerentes à dignidade Humana. Eles são a causa da Democracia, a sua justificação. A Dignidade Humana é anterior à Democracia e está acima da vontade da maioria.

Se há vidas que não são dignas, se há pessoas que podem ser mortas, então qual é o critério? Quem o estabelece? A legalização da eutanásia proclama o principio de que a Vida Humana é digna enquanto é útil. Útil para produzir ou útil afectivamente. É digna enquanto tem algum interesse para a sociedade.

Não nos devemos espantar, é um processo há muito tempo em marcha. É o principio, ainda que hipocritamente escondido, do aborto. É o principio por trás da mentalidade de que se adopta cães e que gatos fazem parte da família. É o principio por trás do abandono dos velhos em lares, tratados como crianças. É o principio de que o próximo tem o valor que eu afectivamente lhe concedo. Quantas vezes diante de um acamado ouvimos dizer “já não é ele que ali está”. Ou que o cãozinho é “como um filho”. Ou que se aborta um deficiente “porque é melhor para ele”. Tudo isto se baseia no mesmo principio: de que a vida humana é digna quando a considero, ou seja, quando me é conveniente.

A aprovação da Eutanásia deixa cair a máscara. É a consagração legal, sem qualquer dúvida, deste principio. É uma nova sociedade que a lei consagra: a dignidade humana depende agora da vontade da maioria. Já não somos uma democracia, somos um Big Brother amplificado.

Tudo isto é fruto de uma mentalidade. Da mentalidade  relativista, que concebe homem como mero fruto do acaso, dono de si mesmo, deus de si mesmo. O homem que se define a si próprio, logo, também define o inicio e o fim da vida. Não se julgue que se trata de uma mentalidade nova. É tão velha como o mundo. Só que em vez de um Nabucodonosor, de um Nero, ou de um Átila, temos eleitores.

A verdadeira novidade não é o relativismo moral. A verdadeira novidade é a ideia de cada Homem é digno, porque cada um é criado à imagem e semelhança de Deus. Essa é a ideia que construiu a Civilização Ocidental, que originou a Democracia, que permitiu os Direitos Humanos. Foi essa ideia que foi enterrada a 29 de Janeiro por 135 deputados.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Porque o aborto é a principal preocupação - Resposta ao Padre João Manuel Silva, sj




Caro Padre João Manuel Silva Sj.,

Li o seu artigo “Defender a vida entre o princípio e o fim” no ponto SJ e tomo a liberdade de lhe responder publicamente.

Para começar deixe-me dizer-lhe que concordo com quase tudo o que escreve. Achei especialmente pertinente a sua observação «Quando não entendemos a defesa da vida em termos de cuidado concreto pelo outro, a começar pelo mais frágil, o aborto e a eutanásia correm o risco de se tornarem bandeiras ideológicas, critérios absolutos para aferir o nosso grau de “catolicidade”». Aqui descreve um dos maiores riscos que os movimentos pro-vida actuais correm: o de transformar a justíssima luta contra o aborto, a eutanásia e outras medidas de engenharia social numa mera trincheira política. Felizmente o trabalho social que a maior parte das associações pro-vida desenvolve no apoio às grávidas em dificuldade, às crianças abandonadas, às mães e crianças sem recursos, até às mulheres que abortaram, serve de tónico contra essa tentação. 

Contudo ela existe, e existe sobretudo quando estes temas saltam do problema social, para o problema político. E tenho alertado várias vezes que apoiar medidas contra o aborto de um político concreto não significa apoiar todas as suas políticas. Infelizmente o mundo é imperfeito, e por isso vemos políticos contra o aborto e que ao mesmo tempo desprezam a vida dos que já nasceram por serem de outra etnia ou de outra nacionalidade. E também porque o mundo é imperfeito, esses políticos às vezes são a opção menos má de entre as possíveis!

Dito isto, tenho um ponto de discórdia com o seu artigo. Se é verdade que toda a vida é igual em dignidade, e por isso ser pro-vida não pode ser defender apenas a vida dentro do ventre materno ou no seu final, não significa que “a ameaça do aborto” não seja a principal prioridade. Porque o ponto não é se uma vida vale menos ou mais, mas qual o grau de ameaça a que está exposta. A vida de uma criança que ainda não nasceu tem igual valor a da criança que neste momento atravessa o Mediterrâneo num barco de borracha, ou da família que caminha na agrura da fronteira entre o México e os Estado Unidos. O que é diferente é o grau de ameaça a que estão sujeitos.

Os migrantes, por muitos perigos que corram, têm protecção legal. Infelizmente são alvo de desprezo de muitos estados, mas não é legal matar um migrante. Um bebé por nascer em vários países do mundo não tem qualquer protecção jurídica. Em Portugal até às 10 semanas. Em vários estados dos EUA até ao momento do nascimento. Por isso é razoável que o problema do aborto seja considerado a ameaça principal.

Mas para além disso, a verdade é que o aborto gera uma mentalidade que torna possível as tais outras injustiças que aponta no seu artigo. Dizia Santa Teresa de Calcutá “o grande destruidor da paz hoje é o aborto”. E dizia isto porque considerava o aborto o maior acto de violência de todos: a morte de um inocente pela vontade de sua mãe. E este acto de violência, hoje de tal maneira banalizado que se tornou a maior causa de morte do mundo, cria uma mentalidade de desprezo pela vida humana que permite relativizar qualquer outra forma de violência sobre o Homem. Se é lícito matar uma criança que ainda nem sequer nasceu porque é inconveniente, então porque não é licito deixar morrer pessoas no Mediterrâneo que lá estão por sua vontade? Porque hei-de correr riscos e gastar meios para salvar famílias que querem entra ilegalmente no meu país? 

Considerar o aborto a maior ameaça a Dignidade Humana não significa um desprezo pelas outras ameaças, muito pelo contrário. Significa precisamente combater a primeira de todas as formas de discriminação, a primeira de todas as formas de violência, a primeira de todas as formas de exploração, de violação da natureza e de exclusão. 

Por fim, deixe-me apenas discordar de mais um ponto do seu artigo: quando diz que a grande mobilização em torno das causas públicas dos católicos tem sido apenas em torno do aborto e da eutanásia. Se é verdade que este dois temas geraram grandes movimentações cívicas (ainda há pouco mais de um mês éramos mais de onze mil na Caminhada pela Vida em cinco cidades do país), parece-me injusto menorizar o empenho dos católicos em tantas outras causas públicas. Diariamente são milhares os católicos empenhados, em instituições católicas e laicas, que percorrem as ruas do país em apoio aos sem-abrigo, que visitam doentes nos hospitais, que entregam refeições a quem tem fome, que ajudam grávidas e jovens mães, que recolhem alimentos para instituições, que ajudam na reconstrução de casas, ou que simplesmente dão o seu tempo para estar com quem precisa. Será sem dúvida um trabalho menos visível, mas essencial para tantos milhares de pessoas que dependem destas ajudas. Pensemos que ainda este fim-de-semana foi a recolha de alimentos do Banco Alimentar, que sendo laico, nunca o conseguiria fazer sem o empenho de milhares de católicos que ocuparam supermercados de norte a sul do país.

Despeço-me pedindo a sua bênção e a sua oração.

José Maria Seabra Duque

Coordenador-Geral da Caminhada pela Vida.

domingo, 3 de novembro de 2019

Caminhar por todas as vidas.



Cara Teresa,

li o seu artigo sobre a Caminhada pela Vida e devo dizer que fiquei muito triste com o que escreveu. Infelizmente parece-me que parte de um preconceito contra aqueles que no dia 26 de Outubro deram um pouco do seu tempo para lutar pelo que acreditam.

De alguma maneira parece achar que o facto de nos manifestarmos publicamente contra o aborto e a eutanásia esgota toda a nossa intervenção cívica em defesa da vida. O que só quer dizer que ignora que muitos daqueles que colaboram ou simplesmente participam na Caminhada pela Vida estão bastante habituados a dar parte do seu tempo para ajudar os outros. Penso em muitos daqueles que comigo trabalharam na Caminhada e que são voluntários em bairros sociais, que participam em programas para renovar habitações de pessoas em dificuldade, que dão explicações a crianças pobres, que já fizeram voluntariado no estrangeiro, que ajudam em instituições que apoiam crianças, etc. São centenas, se não milhares, aqueles que para além de participar uma vez por ano nesta Caminhada, nos restantes 364 dias defendem a dignidade da vida humana dando parte do seu tempo para apoiar quem precisa.

Para além disso, ignora o trabalho de tantas instituições pró-vida que estão no terreno e que apoiam grávidas em dificuldade, crianças abandonas, famílias pobres. Instituições que acolhem, que dão formação profissional, que dão apoio jurídico, que providenciam bens materiais, ou que simplesmente aconselham mulheres que vão ser ou já são mães. E deixe-me dizer que de entre estas mulheres, muitas são imigrantes que só encontram apoio nestas instituições.

E ainda na sua descrição do que seria este povo pró-vida que sai à rua, fala sobre raparigas católicas americanas que abortavam por isto e por aquilo e que depois iam manifestar-se contra ao aborto. Cara Teresa, deixe-me dizer-
-lhe uma coisa: na Caminhada pela Vida não perguntamos a nenhuma das quase cinco mil pessoas que participaram em Lisboa, ou das quase onze mil que o fizeram em todo o país, sobre a sua vida íntima. Não apontamos dedos, não julgamos. Aliás, de entre as associações que participam neste Caminhada há uma que se dedica em exclusividade a apoiar mulheres que abortaram. Nós caminhamos em defesa da Vida com todos aqueles que o queiram fazer, sem qualquer pretensão de sermos justos ou perfeitos, apenas com desejo de testemunhar que toda a Vida tem dignidade.

Fala também da nossa cegueira relativamente a outras realidades onde a dignidade da Vida Humana não é respeitada. E concordo consigo. Não posso falar pelos milhares que caminharam dia 26, só por mim. Escrevi sobre o drama dos migrantes do Mediterrâneo, e dos migrante nas fronteira do México. Alertei várias vezes, dentro das minhas possibilidades, para aquilo que se passava na Síria. E também para a perseguição aos cristãos no próximo-oriente. E sobre o drama da guerra em tantas zonas de África. Contudo, sem dúvida, não fiz o suficiente. Nunca é suficiente. Os dramas são muitos e o tempo e os recursos limitados.

Felizmente a Plataforma Caminhada pela Vida e as associações pró-vida não são as únicas realidades de luta e apoio à vida que existem. Penso que seguramente conhece a Cáritas (que tanto faz contra a pobreza não só cá, mas como também na Síria e na fronteira do México), a Ajuda à Igreja que Sofre, o Serviço de Apoio aos Refugiados dos Jesuítas e tantas outras obras e realidades que trabalham, cada uma com o seu objectivo e know how próprio, na defesa da dignidade Humana. Lembro-me aliás que, aquando das eleições europeias, o SAR dos Jesuítas fez um inquérito sobre as posições dos partidos relativamente aos migrantes do Mediterrâneo. E lembro-me porque na ocasião tive a possibilidade de defender esta obra quando a acusaram de não falar do aborto. A resposta que dei na altura a esses críticos serve também para lhe responder a si: felizmente que há quem cuide dos refugiados e felizmente que há quem cuide da vida por nascer. Fazermos todos tudo serviria apenas para não se fazer nada.

Dito isto, não posso deixar de lhe perguntar: a si não lhe dói também saber que mais de quinze mil crianças são todos os anos mortas em Portugal antes de nascer? Não lhe dói saber que o aborto é a maior causa de morte no mundo? Não lhe dói saber que no Ocidente a esmagadora maioria das crianças com Trissomia 21 não chega a nascer? Não lhe dói saber que em Portugal há mulheres que abortam porque são obrigadas pelos companheiros, pressionadas pelos patrões, coagidas pela família? Não lhe dói saber que o aborto em Portugal raramente é por vontade da mulher, mas pela falta de apoio da sociedade? Não lhe parece que isto é razão para se sair à rua uma tarde ao ano?

Por fim, cara Teresa, permita-me que lhe diga isto: a Caminhada pela Vida não é confessional. Não é um evento religioso, mas cívico. É verdade que para um católico a vida é especialmente sagrada. É verdade que para um cristão o 5º mandamento encerra bastante a questão. Para além disso, para quem acredita na sagrada escritura que a vida começa na concepção é algo que nós sabemos ainda antes de a biologia o afirmar: "como é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Assim que a tua saudação chegou aos meus ouvidos o menino exultou de alegria no meu seio". E que toda a vida tem dignidade já os cristãos o aprenderam com São Paulo antes de o aprenderem na Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Mas tudo isto, a que habitualmente chamamos o personalismo cristão, não é apenas uma questão de Fé, é também a base da Civilização Ocidental. A nossa sociedade está fundada sobre o valor intrínseco da vida Humana. Sobre a ideia de que todos, independentemente das suas circunstâncias, somos iguais em dignidade. Aliás, é por essa igual dignidade que o voto é universal e todos os votos têm o mesmo valor. A ideia de que toda a Vida é digna nasce de facto do cristianismo, mas há muito que é património comum sobre o qual se construiu a civilização dos direitos humanos.

Por isso lutar pelo direito à vida das crianças por nascer, lutar pela inviolabilidade da vida humana em todas as circunstâncias não é uma luta dos cristãos, mas a luta por uma sociedade onde a Vida humana é uma realidade acima do Estado e não ao dispor deste.

Despeço-me com a esperança de que para o ano venha caminhar connosco. Se deixar cair o seu preconceito irá ver um povo de todas as idades, de todas as condições sociais, de todas as religiões, que sai em festa à rua para testemunhar que toda a vida tem dignidade.

José Maria Seabra Duque,
coordenador-geral da Plataforma Caminhada pela Vida.

P.S.: Reparei que cita várias vezes o Santo Padre. Chamava à sua atenção para estas citações que aparentemente lhe escaparam:

Sobre o aborto:

Será lícito deitar fora uma vida para resolver um problema? Será lícito contratar um assassino para resolver um problema? Esta é uma questão de direitos humanos e não uma questão religiosa: um ser humano nunca é incompatível com a vida

Sobre a eutanásia:

A eutanásia e o suicídio assistido são uma derrota para todos. A resposta a que somos chamados é nunca abandonar aqueles que sofrem, não desistir, mas cuidar e amar para restaurar a esperança

E por fim, da mensagem que o Santo Padre enviou à Caminhada pela Vida em Portugal em 2017:


Sustentando tal verdade com factos e razões científicas e morais num dramático apelo à razão para ser voltar ao respeito de cada vida humana desde a sua concepção até ao último respiro. Sobre todos os aliados de Deus na batalha contra o aborto, eutanásia e demais atentados à vida humana, Santo Padre invoca a sabedoria e fortaleza da Espírito Santo "Senhor que dá a vida" ao conceder-lhes a sua Bênção Apostólica.