ira saída de uma aldeia portuguesa do meio do século passado e o seu castelo medieval, recorda-nos que o Natal aconteceu no tempo e ao, mesmo tempo, na Eternidade. Ao mesmo tempo carnal e sobrenatural.
We few, we happy few, we band of brothers; For he today that sheds his blood with me Shall be my brother
domingo, 8 de dezembro de 2024
Eu hei de me ir ao presépio
ira saída de uma aldeia portuguesa do meio do século passado e o seu castelo medieval, recorda-nos que o Natal aconteceu no tempo e ao, mesmo tempo, na Eternidade. Ao mesmo tempo carnal e sobrenatural.
sábado, 23 de dezembro de 2023
Testemunhas de um facto
Excerto da homília do Padre João Seabra de dia 18 de Dezembro
de 2016, IVº Domingo do Advento.
O Natal não é uma recordação piedosa de algo do passado; não
nos voltamos para trás porque, se assim fosse, cada ano que passasse o Natal
estava cada vez mais longínquo, seria uma recordação vaga, e celebrávamo-lo com
menos intensidade do que o celebraram os nossos avós. Portanto, estaria cada vez
mais distante e nós, pelo contrário, celebramo-lo como um acontecimento
presente. O que é que significa a palavra “tradição”? Significa que fazemos
hoje de novo aquilo que aconteceu no princípio. O que é que significa aproximarmo-nos
do presépio e venerámos o Menino Jesus? É vivermos de novo, sobrenaturalmente,
na ordem do Sacramento, aquilo que aconteceu na história. E por isso eu, hoje,
no século XXI não sou menos beneficiado, nem menos feliz, do que o foram os
pastores e os magos que adoraram o Menino em Belém.
Como acontecimento humano, o Natal pertence a um tempo
determinado; mas como acontecimento sobrenatural é meu contemporâneo. Jesus
entrou na história não para ficar delimitado aos 33 anos da Sua vida entre nós,
mas para ser contemporâneo de todos os homens. Jesus é contemporâneo de todos o
que o precederam, de todos os que viveram no Seu tempo e de todos os que
nascera depois d’Ele. É também nosso contemporâneo, nasce hoje, nasce dentro de
uma semana, para podermos, como os pastores e os magos, ir ao presépio vê-Lo
com os olhos da Fé.
É o que acontece na Eucaristia. O corpo de Cristo que nasceu
da Virgem Maria, que foi crucificado e morto, que ressuscitou, que está
glorioso no Céu, encontra-se na Eucaristia para me amparar, mas para me fazer
companhia, para ser meu amigo. E eu posso caminhar com Ele na margem do Lago de
Tiberíades; posso pedir-Lhe como os discípulos: Senhor ensina-me a rezar (Lc
11,1); posso contempla-Lo pregado na Cruz; posso ir com Ele a caminho do Emaús,
escutando-O a ensinar-me as Escrituras. Posso fazer tudo isto porque Ele é meu
contemporâneo e está presente na minha vida. A nossa fé não é nada menos do que
isto! Não somos visionários de um sonho, somos testemunhas de um facto. Vivemos
de um facto que aconteceu há dois mil anos e que acontece hoje. Deus que se fez
homem para fazer companhia à minha vida é um Mistério presente, aqui e agora.
Pedimos ao Senhor para não descermos a fasquia da nossa
expectativa do Natal. Reconheçamo-lo presente com fé verdadeira, confiemos Nele
para mudar a nossa vida, para mudar aquilo de que já desistimos ou não somos
capazes de mudar, para fazer de nós gente nova pelo poder da Sua Graça. Faltam
sete dias para o Natal. Quanta conversão se pode fazer em sete dias! Quanto
regresso a Deus, quanto perdão das ofensas, quanta graça acolhida, quanta
oração sincera, quantas coisas boas podemos fazer em sete dias para chegar ao
Natal com um coração novo, para recebermos o Senhor com a nossa casa preparada
e as portas escancaradas.
Que o meu coração não seja a hospedaria onde não há lugar
para o receber, mas a gruta, ainda que pobre e tosca, onde Ele se pode reclinar
e recebe a adoração dos pastores e dos magos que somos todos nós. Que o Senhor
nos dê um Natal Santo, um Natal de conversão e de esperança.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2022
A magia do Natal
Quando eu era miúdo o Natal era de facto mágico. Lembro-me de ser pequeno e de ir à Missa do Galo, com a família toda. E como durante anos foi assim, todos juntos, a ouvir o coro a cantar o Adeste Fideles, a procissão infindável de acólitos, os sinos do Glória, enquanto o Menino Jesus era levado até ao presépio. As homílias extraordinárias do Padre João e no fim, o beijo ao Menino. Mas a noite não acabava aí: seguia-se para casa dos avós, onde, depois de rezarmos e cantarmos alguns cânticos de Natal, era altura de abrir os presentes que o Menino Jesus tinha trazido. E a seguir a ceia: o chocolate quente, os pãezinhos com pasta de fiambre, a castanhada, e mais uma enorme quantidade de doces. E depois o dia 25, a correria entre as refeições que não acabavam, as conversas dos tios, as brincadeiras dos primos, os brinquedos por estrear. E o dia acabava connosco cansados, cheios e felizes.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
É Natal, festejemos!
Gosto muito do Natal! Gosto das músicas, da árvores de Natal, dos enfeites, dos presentes, de tudo. Até começo a gostar um pouco do Pai Natal! A única coisa com que embirro no Natal é os típicos ralhetes sobre os excessos que se cometem nesta altura e o discurso moralista, sempre com um certo azedo, sobre o “verdadeiro sentido do Natal”.
Claro que reconheço que nesta altura se cometem muitos excessos: muita comida, muitas festas, muitos presentes. Mas a verdade é que o Natal é em si mesmo um excesso, talvez o maior de todos os excessos: Deus encarnou! Deus fez-se um bebé. Usou fraldas, teve cólicas, bolsou! E fez tudo isto para me poder salvar a mim. Haverá excesso maior do que este? E será possível conter a alegria, evitar levá-la ao excesso, quando celebramos o nascimento do Deus Menino?
Bem sei que muitos festejam o Natal sem pensarem em Jesus. Falam da magia do Natal, da festa da família, de um tempo de partilha. Mas essa é a beleza do Natal: é um facto, quer as pessoas se lembrem ou não do nascimento do Deus Menino. É um acontecimento de tal maneira portentoso, que marca de tal maneira a história, que até aqueles que não conhecem Jesus, ou que não o querem conhecer, festejam o seu nascimento. A luz de Belém irrompe as trevas e ilumina toda a terra. Não me espanta ou preocupa que todos a festejem, mesmo os que não conhecem a origem da luz.
E o Natal é daqueles mistérios que quanto mais nos debruçamos a contemplar maior é o espanto pela infinita ternura de Deus. Um Deus feito carne. O Todo o Poderoso que se fez completamente dependente. O Omnipresente que não tinha lugar na hospedaria. O Rei dos Reis numa corte de pastores. Aquele que criou todas as coisas, que se faz filho de uma rapariga de Nazaré e assim a torna Mãe de Deus! Como é possível que o Mistério de Natal não nos deixe a transbordar de alegria e de gratidão?
Por isso a mim incomoda-me apenas os ralhetes moralistas sobre o Natal. Daqueles que vivem o Natal amargurados com o consumismo, com o Pai Natal ou com as Boas-festas. Deixem-me dizer que se o verdadeiro Natal é passar todo o tempo a ralhar porque se fala pouco do Menino Jesus, então não estou interessado! E é pouco provável que alguém acredite quando dizemos que Deus se fez homem se isso se traduz numa amargura e não numa alegria inebriante. Porque se é verdade que aquele Menino no Presépio é Deus, então como é possível não estar alegre? Se o próprio Deus irrompe na escuridão e vem ao nosso encontro, como é possível não exultar?
Há muito tempo para a tristeza, para o sacrifício e para a ascese. O Natal é tempo de alegria e de felicidade. Porque o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, um menino nos foi dado, um filho nasceu para nós. Será chamado Deus grande, Pai eterno, Conselheiro admirável, Príncipe da Paz! Por isso festejemos!
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
O Natal não é quando o homem quer.
Tenho lido por aí repetidamente que o Natal este ano pode ser cancelado. Não querendo chatear ninguém, mas seria bom que não nos déssemos assim tanta importância. Se é verdade que o Governo chamou a si o poder de tolher de maneira idiota e desproporcional os nossos direitos, a verdade é que o Natal ainda não está à disposição dos homens.
Relembro aos mais distraídos que o Natal é um acontecimento histórico preciso: Naqueles dias, saiu um decreto de César Augusto, para ser recenseada toda a terra. (...) José subiu também da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e da descendência de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que estava para ser mãe. Enquanto ali se encontravam, chegou o dia de ela dar à luz e teve o seu Filho primogénito. Envolveu-O em panos e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.
Como se pode perceber, é pouco provável que este facto possa ser simplesmente “cancelado” por conta de uma pandemia. Sobretudo, porque sendo um facto histórico concreto (também me parecia difícil cancelar o cerco de Alésia!), é ao mesmo um acontecimento sobrenatural: Deus fez-se carne e habitou entre os homens. E por isso não nos limitamos a recordar um acontecimento histórico, mas fazemos memória da Encarnação Divina. Pela Sua Misericórdia, Jesus volta a nascer no coração de cada homem de boa vontade, que esteja disposto a fazer do seu coração uma manjedoura.
Evidentemente que se podem cancelar todas as festividades: as luzes, os concertos, os jantares de amigos, as festas das escolas e os encontros familiares. Num acesso de loucura o Primeiro-Ministro pode proibir a venda de bacalhau e a Dra. Graça Freitas pode declarar que o Bolo Rei ajuda na propagação do vírus. Em última instância até podem fechar as Igrejas e guardar todos os presépios do país em caixas. Nada disso impedirá o nascimento do Deus Menino, nem impedirá os cristãos de o acolher no seu coração! O Natal acontece, celebrado nas catacumbas ou nas basilicas papais, nas trincheiras geladas ou em casa junto à lareira, nos pequenos casebres ou nos palácios reais. A verdade é que celebramos o Natal há dois mil anos, com perseguições, guerras e pandemias. E nunca ninguém conseguiu esse belo feito de cancelar o Natal. E se por ventura, em algum momento, a Igreja peregrina desaparecer e ninguém na terra celebrar o Natal, este será para sempre celebrado pela multidão dos Santos que nos antecederam.
O Governo pode cancelar todos os festejos de Natal (ou pelo menos tentar). Mas esses festejos, por muito bons que sejam, são apenas uma consequência do Natal. Gostava que não acontecesse, porque gosto muitos das tradições natalícias: gostos dos cantos, dos presentes, de reunir a família. Até começo a gostar do Pai Natal. Mas se tal vier a acontecer, não muda em nada o Natal. Com ou sem luzes, com sem árvores de Natal, um facto permanece até ao fim dos tempos (e até para a eternidade): O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. (...) Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz».
Por isso não nos apoquentemos com o que há de vir, assunto sobre o qual pouco ou nada podemos fazer. Preparemos-nos antes para este extraordinário mistério do Nascimento do Deus Menino.





