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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Católicos por Cristo

 


Vi os católicos por Seguro e não gostei. Acredito nas boas intenções, mas ser católico não é uma bandeira política. Não se pode reduzir a Fé a uma identidade: há os não socialistas por Seguro, os trabalhadores por Seguro, os que bebem café por Seguro, os católicos por Seguro.

Vi os católicos por Ventura e gostei ainda menos. Mais uma vez, estarão cheios de boas intenções, mas a verdade é que pegam em citações do Magistério que confirmam a sua opinião, ignoram várias outras, e transformam o voto em Ventura numa obrigação de um católico.

Repare-se: acho muito bem que os católicos se empenhem na política. É essencial que tenham consciência de que também a Fé está relacionada com a política. E é bom que, na hora de votar, a Fé seja o factor essencial no seu discernimento. E sejamos claros: quando falamos de Fé, falamos daquilo que a Igreja ensina, a sua doutrina, o seu magistério, não de uma opinião difusa.

Mas o trabalho que é preciso fazer é, partindo daquilo que a Igreja ensina, olhar para as opções disponíveis e decidir em consciência à luz da Fé. Ora, ambos os manifestos fazem o percurso contrário: partem da sua opinião sobre os políticos em causa e colam pedaços da Doutrina da Igreja para confirmar o que já tinham decidido. Ou seja, reduzem a Fé à sua ideologia.

A escolha de dia 8 não é fácil. Infelizmente, não só nenhum dos candidatos defende aquilo que a Igreja ensina sobre o poder político, como, pelo contrário, ambos defendem coisas gravemente contrárias aos ensinamentos da Igreja. Desde a defesa da eutanásia por António José Seguro aos constantes ataques a emigrantes e ciganos por Ventura, os dois candidatos oferecem razões suficientes para um católico, em abstracto, não votar em nenhum.

Mas não somos chamados a escolher a pessoa que gostaríamos de ter como Presidente da República, e sim a escolher entre duas pessoas concretas. A Fé deve ajudar nesse discernimento, mas isso dá trabalho. É preciso estudar, é preciso ler e ouvir os candidatos, ajuizar a situação política e tentar discernir qual dos dois poderá ser mais útil ao Bem Comum, como a Igreja o propõe.

Reduzir a Fé a uma bandeira ideológica, tentando que esta encaixe na nossa opinião pessoal, é mais fácil, mas é, de facto, ser “católico por Ventura” ou “católico por Seguro”. O que a Igreja nos propõe é sermos de Cristo. Não se pode servir a dois senhores.