We few, we happy few, we band of brothers; For he today that sheds his blood with me Shall be my brother
sábado, 27 de julho de 2024
JO: Um culto a uma nova religião
sexta-feira, 21 de junho de 2024
Dez anos depois
Hoje há uma ideia e que um grande amor pressupõe aventura, suspense e drama. Gestos grandiosos que em geral se traduzem em férias em sítios paradisíacos, com direito a fotografias melosas nas redes sociais (e para os famosos, as revistas). Em geral o romance consiste em trocar a companheira por um modelo mais novo e menos tocada pelo tempo ou o companheiro por outro com mais sucesso e menos pneus.
quarta-feira, 5 de junho de 2024
Afinal o problema não era o retorno
sexta-feira, 17 de maio de 2024
O racismo é parvo mas não é crime
1. O Direito Penal é a ultima instância do Direito. Este ramo do Direito serve para salvaguardar direitos fundamentais que não podem ser salvaguardados de outra forma. Ou seja, só é crime, a ofensa a bens jurídicos importantes que não podem ser defendidos de outra forma. Por exemplo, cuspir na rua é ilícito mas não tem importância suficiente para ser crime.
2. O racismo, em si mesmo, não é crime. Se eu for na rua e mudar de passeio porque vejo uma pessoa de um etnia que não gosto ou se habitualmente der o lugar as senhoras no autocarro e não o fizer porque a senhora é de um determinada etnia, é moralmente e socialmente reprovável, mas não é crime. Nem sequer é crime se, numa conversa privada, eu fizer observações sobre certos povos.
Um comportamento para ser crime tem que violar um direito de um terceiro (ainda que em abstracto). Ser um selvagem não é algo que se recomende, mas não em si mesmo crime.
3. O racismo é crime quando, de alguma forma, ofende o direito fundamental de um terceiro e não houver outra forma de o defender. Por exemplo, se eu me cruzar no passeio com alguém de outra etnia e o mandar sair da frente porque não quero cruzar-me com pessoas dessa etnia, provavelmente estarei a incorrer num crime. Como será crime se defender publicamente que as pessoas de um determinada etnia devem ser tratadas de forma diferente pelo facto de serem dessa etnia. É crime porque em ambos os casos estou a atacar direitos fundamentais de terceiros.
4. Afirmar publicamente que um povo não gosta de trabalhar é crime? Dificilmente, porque dificilmente isso irá afectar os direitos de terceiros. Sim é insultuoso, mas os insultos em si mesmo não são abstratos. O Direito Penal não existe para punir todas as faltas sociais. Uma graça de mau gosto é isso mesmo, uma graça desagradável, não um crime.
5. O incidente de hoje com Ventura é uma estratégia da esquerda. Gritar racismo ou qualquer outros dos capitais capitais dos dias de hoje de cada vez que abre a boca, dizer que é um criminoso e anti-democrático, serve apenas para se exaltar a si próprios como defensores da Liberdade e da Democracia.
Infelizmente a banalização do racismo tem uma consequência prática: é que se tudo é racismo então nada é racismo. Se tudo é crime, nada é crime. É como na história do Pedro e do Lobo, em que o Pedro grita tantas vezes Lobo, que quando ele aparece, ninguém acredita. A esquerda está tão ocupada a rotular piadas de mau gosto como crime que quando aparecem casos de racismo de facto, já ninguém lhes liga.
6. José Pedro Aguiar Branco foi o único que esteve bem hoje no Parlamento. Não caiu na armadilha de Ventura, não caiu na armadilha da esquerda e assumiu o seu papel como Presidente da Assembleia da República, não como censor dos bons costumes. Já percebemos que esta legislatura vai ser fértil em escândalos demagógicos deste calibre, com o Chega e a esquerda a abusar da demagogia à procura de acirrar os seus guerreiros sociais. Caberá a Aguiar Branco não permitir que a Assembleia da República se transforme no campo de batalha que ambos os contendores procuram.
segunda-feira, 13 de maio de 2024
Fátima: uma história inverosímil
Fotografia Arlindo Homem no site da Agência Ecclesia.
Fátima é uma história muito inverosímil. Por que razão Nossa
Senhora, estando no Céu, podendo aparecer a quem quisesse, haveria de escolher
três crianças analfabetas, de um ermo esquecido, no país mais atrasado da Europa?
Não faria mais sentido aparecer a uma multidão ateia de Paris ou ao Rei protestante
de Inglaterra? Não seria mais eficaz?
Mas se olharmos com atenção, este é o método de Deus desde a
Sua Encarnação. Porque se parece pouco razoável aparecer a três crianças na Cova
da Iria, não parece mais compreensível encarnar num pedaço esquecido do Império
Romano (nem para província tinha estatuto) e escolher uma dúzia de populares, entre
os quais o mais letrado era o cobrador de impostos!
Mas este é o método que Deus usou para se revelar. De forma misteriosa
demonstra a Sua preferência revelando-se a um homem. Já assim era desde o tempo
em que escolheu Abrão em Ur ou Moisés no Egipto e escolheu David, e Elias e
todos outros profetas.
Por isso que Nossa Senhora tenha escolhido três crianças na
Cova da Iria para entregar a sua mensagem pode parecer pouco eficiente a
alguns, mas é simplesmente continuar a usar o método do Seu Filho.
E este método é um convite à liberdade de cada um. E é
comovente que o amor maternal da Virgem Maria seja tal, que mesmo tendo o Seu
Filho completado a revelação, a Sua Mãe se dê ao trabalho de vir até a um canto
remoto de Portugal para nos convidar a converter.
Leio por estes dias, diante do espetáculo de beleza que é o
povo na Cova da Iria no 13 de Maio, o habitual desfiar de disparates sobre
Fátima. E comove-me ainda mais pensar que Nossa Senhora, que conhece o coração
dos homens e por isso bem sabia que assim seria, mesmo assim amar de tal
maneira o mundo que se sujeitou a ser alvo de tantas blasfémias só para nos
salvar.
Fátima é sem dúvida inverosímil. Como Deus fazer-se carne no
estábulo é. A nós resta-nos agradecer este estrondoso mistério e fazer como
Nossa Senhora nos pediu.
segunda-feira, 22 de abril de 2024
CDS: Um pouco de humildade ficava bem
Aconteceu este fim-de-semana o congresso do CDS. Eu, por
motivos familiares, não consegui ir. Mas fui acompanhando os acontecimentos. E
confesso alguma preocupação com a soberba (que alias, preocupação que tenho
desde 10 de março).
A verdade é que o CDS entre 2015 e 2019 perdeu 13 deputados.
Também devemos lembrar que nesse mesmo ano, não conseguiu recuperar o seu
segundo eurodeputado, tendo como cabeça de lista o actual presidente.
Entre 2019 e 2022 o CDS viveu uma guerra civil, onde muitos
dos actuais dirigentes tiveram participação activa. Alguns dos que hoje apoiam
entusiasticamente o CDS chegaram a apelar ao voto noutros partidos em
2022. Isto num partido falido. O
resultado, com muita responsabilidade da direcção então no poder, mas também
daqueles que lutaram até ao fim para garantir o seu falhanço, foi que não conseguimos
eleger qualquer deputado.
Em 2024 o resultado das eleições deixou claro que o CDS não
cresceu eleitoralmente (as sondagens já o indicavam) e que a eleição de dois
deputados se deveu a coligação com o PSD. Coligação que Francisco Rodrigues dos
Santos tentou em 2022 e que foi abertamente criticada por muitos dos que hoje apoiam
a actual direcção e pelo próprio Nuno Melo.
Por isso, fingir que o que aconteceu nos últimos anos do CDS
foi um desastre de uma única direcção e que está ultrapassado devido ao génio do
actual presidente, não só é mentira, como é uma estratégia perigosa. Francisco
Rodrigues dos Santos não foi o causador dos problemas do CDS, mas também não os
conseguiu inverter. E Nuno Melo, também não, teve foi mais sorte e um partido mais
pacificado.
O CDS tem agora, com o regresso ao parlamento e a presença no
Governo uma segunda hipótese, que não fez por merecer, de renascer. Convém
aproveitá-la com humildade. Temos dois bons deputados, o que me alegra. Mas é
preciso fazer realmente prova de vida e não embandeirar em arco. Sobretudo, é preciso
que o CDS deixe de ser uma coutada pessoal, dos de sempre, que se abra
realmente e sobretudo, que volte a ocupar o seu lugar como o partido da Direita
Social, com propostas e medidas concretas de apoio às famílias, no reforço da sociedade
civil, no apoio aos mais frágeis, na defesa da liberdade, sobretudo na liberdade
de educação.
A soberba é sempre um pecado, mas a soberba sem ter razões
para isso é também um dos piores erros que se pode fazer em política.
sexta-feira, 12 de abril de 2024
Parem de importar guerras culturais!
Em 1997 o Partido Comunista propôs o aborto livre até às 12 semanas e foi chumbado. Ainda nesse ano, o Partido Socialista, pela mão do então presidente da JS, Sérgio Sousa Pinto, propôs a legalização do aborto até às 10 semanas. Para evitar a sua aprovação o então Primeiro-Ministro e Secretário-Geral do PS, António Guterres, acordou com o presidente do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro referendo da democracia. O referendo haveria de se realizar em Julho de 1998 e o resultado foi a vitória do “Não”.
Nos anos seguintes houve várias tentativas de legalizar o
aborto livre, até quem em 2006, com o regresso do PS ao poder, foi convocado
novo referendo, que se realizou em Fevereiro de 2007 e onde o “Sim” ganhou.
Desde então, foi legalizada a procriação artificial, o casamento
entre pessoas do mesmo sexo, foi proposta e chumbada a co-adopção por pessoas
do mesmo sexo, foi aprovada a adopção por pessoas do mesmo sexo, foi aprovada,
chumbada pelo Tribunal Constitucional e novamente aprovada as barrigas de aluguer,
foi aprovada a Lei da Identidade de Género, foi votada seis vezes a legalização
da eutanásia (chumbada no Parlamento, chumbada pelo Tribunal Constitucional,
vetada pelo Presidente da República, chumbada pelo Tribunal Constitucional,
vetada pelo Presidente da República e finalmente aprovada e promulgada), foi
proposto o aumento dos prazos do aborto.. Nestes anos foi introduzida a educação
sexual obrigatória nas escolas, criada a disciplina de Educação para a
Cidadania posteriormente tornada obrigatória, foram criados os Referenciais
para a disciplina, que incluem a defesa do aborto e da ideologia de género.
Ou seja, nos último 17 anos quase todos os anos foram propostas
leis ditas fraturantes, quase sempre pelos mesmo deputados e defendidas pelos
mesmos protagonistas. Não houve legislatura (e quase não houve ano) em que
estes temas não tenham sido colocados na agenda política por essas pessoas.
Por isso é especialmente irritante ouvir comentadores, em
geral idiotas úteis de direita, a explicar que são os “conservadores” que estão
a importar “guerras culturais”. Eu passei boa parte da minha adolescência e
vida adulta a lutar sobre estes temas e, como dizem os miúdos, nunca fui eu que
comecei. Eu não tenho qualquer interesse nesta agenda, foi a esquerda progressista
(agora adoptada pela IL) que decidiu importar estas causas para Portugal, nós
limitamo-nos a opor-nos.
Por isso, se os senhores comentadores acham que estes temas
não têm interesse, se consideram que desvia o foco dos assuntos fundamentais (e
eu concordo) têm uma boa solução, a próxima vez que encontrarem a Isabel Moreira
no Lux, ou se cruzarem com a Teresa Violante num estúdio, peçam-lhes que parem
de importar guerras culturais. Nós agradecemos. Assim podemos começar a tratar dos
assuntos realmente importantes como a pobreza, a saúde a educação e tudo aquilo
que o PS prefere não tratar para se dedicar antes à causa woke.
E já agora aproveito para falar do progresso de que falam
tanto, para defender a morte de crianças como direito fundamental. Eu percebo o
glamour de estar a par das modas do estrangeiro, porque se no Eça a cultura vinha
de Paris em caixotes, hoje vem dos Estados Unidos (mas continua a ficar-nos curta
nas mangas). Mas eu tenho um enorme problema com este progresso: cheira a mofo!
Este progresso tem o cheiro dos fornos onde os cartagineses sacrificavam bebés
aos deuses, lembra o extermínio dos fracos e incapazes de Esparta, um déjà vu
aos eunucos da Pérsia antiga. Este progresso tem o cheiro putrefacto de um
cadáver com milhares de anos, vestido com roupas modernas para ser admirado por
aqueles que desejam tanto parecer modernos que não percebem que retrocederam dois
mil anos. Pessoalmente, eu prefiro continuar com o humanismo cristão, aquele
que garante a infinita dignidade de cada ser humano. Pode não ser progressista,
mas tem a enorme vantagem de ser verdade.






