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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Eleições no PSD: PPD vs PS2.





O PSD vai a votos. E vai a votos depois da demissão de Pedro Passos Coelho, o homem que liderou o país durante uma crise dramática, que com firmeza conseguiu tirar o país do buraco em que os socialistas nos colocaram, que mesmo depois de tomar medidas necessárias mas duríssimas, ganhou as eleições legislativas e que, ao fim de dois anos na oposição, é levado à demissão por um resultado menos bom nas autárquicas.

E começo por falar de Pedro Passos Coelho, porque me parece que para se perceber bem a importância das eleições do PSD é preciso perceber com clareza como é que lá se chegou.

Porque a verdade é que PPC devia ser um herói do seu partido e afinal acaba a ser empurrado pela porta pequena. Empurrado por quem? Pelas mesmas pessoas que durante quatro anos disseram que tudo o que governo fazia estava mal feito, pelos mesmos que diziam que íamos ter um segundo resgate, pelos mesmos que menosprezaram todos as subidas do índices económicos, pelos mesmos que diziam que era impossível Pedro Passos Coelho ganhar as eleições, pelos mesmos que nos dois anos após a vitória nas legislativas não descansaram enquanto o PSD não teve uma derrota para expulsar PPC.

A mim, que sou militante de outro partido, tudo isto me parece estranho. Eu diria que quando alguém durante quatro anos falha clamorosamente todas as suas previsões e demonstra uma total falta de lealdade para com o líder do seu partido o resultado devia ser o seu afastamento do partido. Pelos vistos no PSD o resultado é ser considerado o candidato ideal à liderança.

Porque a verdade é que a única “qualidade” que se conhece a Rio foi ter-se constantemente oposto a Passos e ser apoiado pelos barões que constantemente se opuseram a Passos. Mesmo quando isso significou fazer o jogo da esquerda, mesmo quando isso significou desejar o insucesso do governo nacional, mesmo quando isso significou alinhar com os mais abjectos ataques de que um governo foi alvo em democracia.

E assim teríamos Rui Rio, recompensado pelo seu constante apoio ao PS, líder incontestado do PSD, não fora a ousadia de Pedro Santana Lopes em se lhe opor.

Pedro Santana Lopes, que já tinha ganho o seu estatuto de senador do regime, que estava confortavelmente à frente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e que politicamente já não precisava de demonstrar nada.

Muitos seguramente irão falar (como Rio tem feito) das trapalhadas de Santana. Mas a verdade é que tudo espremido temos meia dúzia de histórias inventadas pelos meios de comunicação social (algumas delas deram origem a processos de difamação, que foram ganho por PSL), a demissão do Ministro do Desporto e o golpe de estado constitucional feito por Jorge Sampaio. A isto se resumem as trapalhadas de um homem que foi um belíssimo presidente da Câmara da Figueira, que tem obra feita em Lisboa e que foi um extraordinário provedor da Santa Casa, tendo estendido o apoio social que esta presta ao mesmo tempo que deixou os cofres cheios (apenas para serem agora esvaziados na aventura do Montepio, a que Santana resistiu, mas que o governo finalmente conseguiu impor com a sua saída).

Eu como militante do CDS preferia que fosse Rui Rio a ganhar as eleições: seguramente isto levaria a que o PSD se transformasse num satélite do PS, com Rio contente em ser o vice de Costa, o que também significaria um crescimento do CDS.

Contudo, como português acredito que o país também precisa de um PSD forte. Por isso espero que o vencedor seja Pedro Santana Lopes, um homem que já provou ter a coragem suficiente para enfrentar o PS e todos os interesses que o rodeiam.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Salas de Chuto: os guetos higiénicos.





Vi hoje a notícia de que finalmente, ao fim de mais de um década, vão mesmo avançar as salas de chuto em Lisboa, ou no linguarejo tão do agrado da esquerda, as salas de consumo assistido. Aparentemente esta medida faz parte da geringonçacinha que Medina montou para governar Lisboa a seu bel-prazer.

Aliás, já se percebeu que a geringonçacinha vai funcionar como a gerigonça original: o Partido Socialista dá carta-branca ao Bloco em medidas fracturantes para disfarça o apoio que este dá às políticas que sempre combateu. Assim o Bloco continua a parecer revolucionário, em vez de se assumir como o partido burguês de poder em que se transformou, e os socialistas podem governar continuando a fingir que são de esquerda.

Voltando às salas de chuto, não é possível deixar de admitir que estas constituem um enorme contributo para a paz social em Lisboa. Em vez de termos toxicodependentes a drogar-se nas ruas, concentramo-los todos nuns pré-fabricados em bairros pobres onde se podem injectar longe da vista dos bons cidadãos. Mais ainda, para além de os escondermos da vista, também lhes damos seringas limpinhas, para evitar que os toxicodependentes apanhem doenças. Mais um ponto para a paz social: assim morrem apenas da droga e escusam de frequentar os hospitais públicos por causas das doenças que apanham com seringas partilhadas. Melhor ainda só mesmo se criássemos, nas tais salas de consumo assistido, umas bancas de traficantes de droga, onde estes podiam vender os seus produtos. Assim poupava-se à polícia a maçada de os perseguir, acabava-se com mais uma actividade criminal na rua, e os toxicodependentes podiam ficar sempre bem escondidos da vista, a comprar e consumir droga até morrerem de overdoses higiénicas. Tudo longe da vista dos restantes cidadãos. Infelizmente, vender droga é crime e por isso esta última parte não é possível (claro que a gerigonça podia fazer o favor à gerigonçacinha de legalizar o tráfico de droga na salas de consumo assistido e assim se resolvia o problema, tudo em família).

Infelizmente esta solução só resolve o problema social da droga, não resolve o problema humano. O problema de um toxicodependente não é injectar-se no meio da rua, nem sequer fazê-lo com seringas nojentas (embora não ajude). O problema do toxicodependente é ser viciado em drogas. E esse problema não se resolve criando melhores condições para ele as consumir, mas sim criando condições para que ele não as consuma. 

Criar salas de chuto é o equivalente a pintar por cima de uma parede com humidade. Dá para enganar as visitas, mas a parede acaba por cair. As salas de chuto podem tirar os toxicodependentes da rua, mas não resolve os seus problemas, nem o das suas famílias. Podem não se ver, mas aquelas pessoas continuarão a existir. A sua dignidade continua a ser igual à nossa. Continuam a ter o mesmo desejo de felicidade, de justiça, de beleza que nós. Tudo isto numa humanidade ferida por uma dependência que não conseguem vencer e que os impede de viver a sua vida. Também eles têm famílias, pais, irmãos, mulher, marido, filhos. Famílias para quem aquela pessoa destroçada pelo vício não é apenas um problema social, mas alguém que amam e por quem sofrem.

A resposta da sociedade a este drama não pode ser higienizar o consumo de droga. A responsabilidade do Estado, enquanto poder social organizado, não se esgota no simples garante da ordem e da paz pública. Criar pequenos guetos onde se concentram os toxicodependentes é ignorar a o seu direito à dignidade e o nosso dever social de os ajudarmos. Uma sociedade que permite que se criem salas de chuto, ou seja, uma sociedade que desistiu de realmente ajudar quem consome drogas, falhou. Não por ter no seio toxicodependentes, mas precisamente por desistir deles.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Legalizar a prostituição: Um ataque às mulheres.





O site Delas, um suplemento do Diário de Notícias, publicou hoje um artigo sobre uma prostituta. Segundo conta, a rapariga, que tinha perdido tudo no divórcio no Brasil, veio para Portugal e começou a prostituir-se para ganhar “dinheiro à séria”. Desde aí a vida é um sucesso, ela adora o trabalho e já conseguiu ganhar muito dinheiro. Segundo o site o único problema é mentir à família.

O artigo é um nojo. É mais um da campanha, que já corre há uns anos, para tentar legalizar a prostituição. O objectivo é claro: criar a ideia no grande público que a prostituição é uma actividade como outra qualquer, que até tem um certo glamour, e que não há razão para não ser legal.

É um nojo porque, antes de mais, a esmagadora maioria das mulheres brasileiras que vivem da prostituição em Portugal não têm a “sorte” da senhora descrita no artigo. A maioria são vítimas de redes de tráfico de exploração de mulheres, que vivem vidas de pobreza e miséria. Por isso é uma irresponsabilidade “vender” a imagem da prostituição de mulheres que vêm do estrangeiro como um negócio de sucesso.

Mas para além disso, e esta é a questão de fundo, a prostituição é sempre um acto de exploração, mesmo quando feita de livre vontade. Porque vender o corpo por dinheiro é sempre ceder a sua liberdade a quem tem mais poder (neste caso dinheiro). É deixar-se reduzir a um objecto que se aluga.

Equiparar a prostituição a um trabalho igual a qualquer outro é como afirmar que a violação é uma agressão física igual a qualquer outra. Se o sexo é igual a qualquer actividade física, então ver pornografia infantil é como ver um jogo de futebol entre crianças!

Legalizar a prostituição é dar o poder a homens com dinheiro de explorar sexualmente outras pessoas. Porque tirando raras excepções, quem recorre à prostituição são os homens, mesmo à prostituição masculina. Legalizar a prostituição significa que o chulo se transforma em empresário e o cliente deixa de ter que ter medo da polícia. A única pessoa para quem nada muda (a não ser o privilégio de pagar ao Estado) é para a prostituta.

A legalização da prostituição não resolverá em nada o drama da prostituição. Muito pelo contrário, tornará ainda pior, porque aquilo que antes tinha que ser feito às escondidas, passa a ser feito às claras. O homem que antes trazia mulheres da Roménia inventado desculpas, com a legalização só precisa de apresentar um contrato de trabalho!

A única finalidade da legalização, para além de facilitar a vida a quem gosta de explorar sexualmente os outros, é alimentar a ideologia progressista, que deseja a qualquer custo derrubar todos os resquícios de moralidade que ainda restam no nosso ordenamento jurídico. E na sua cegueira ideológica aqueles que hoje tanto dizem defender a igualdade de género tencionam legalizar o aluguer de mulhere!

O texto do site Delas é nojento. Mas a campanha de que faz parte, mais do que nojenta, é uma ameaça aos direitos das mulheres!

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Incêndios: A trágica novidade.





O problema dos incêndios em Portugal é antigo e "resiliente". Infelizmente parece não haver maneira de alterar o estado das coisas: basta um ano mais quente e a floresta já ter recuperado do último grande incêndio para termos o nosso país a arder de um ponta à outra.

Por isso o problema com os incêndios deste ano não são os incêndios em si. Infelizmente este governo é apenas mais um a juntar à lista de governos que até agora foram incapazes de arranjar uma forma eficiente de: 1. evitar os incêndios; 2., combatê-los de maneira eficaz (não posso porém deixar de reparar que o Pinhal de Leiria sobreviveu a quatro dinastias, a duas repúblicas, ás guerras fernandina, à revolução de 1483-85, aos descobrimentos, à dominação espanhola, ao terramoto, às invasões francesas, à guerra entre miguelistas e liberais, à revolução republicana, ao Estado Novo, ao PREC, a 40 anos de democracia, só não sobreviveu ao governo de António Costa).

Já tivemos em anos recentes grandes incêndios. Este ano poderá até bater recordes mas a imensidão de área ardida não é, infelizmente, uma novidade. Sobre o assunto nenhum governo fez nada. Por isso não vale a pena culpar este governo pelos incêndio ou ter ilusões de que daqui para a frente a questão dos incêndio irá melhorar.

Mas este ano houve uma novidade. Uma trágica novidade: mais de 100 mortos. Nas últimas décadas Portugal sempre teve fogos, mas nunca teve um número tão elevado de mortos. O ano mais mortal foi 1966, quando morreram 25 militares que estavam a ajudar no combate aos incêndios.

Mais ainda, regra geral os mortos eram aqueles que andavam a combater os incêndios e que por azar ou temeridade foram apanhados pelo fogo. Heróis que se puseram na linha da frente para salvar o país e que infelizmente não sobreviveram. Este ano a esmagadora maioria dos mortos foram civis. Pessoas que morreram nas suas camas apanhadas pelo fogo, pessoas que tentavam salvar as suas posses, pessoas que esperavam em casa por ajuda, pessoas apanhadas nos seus carros a tentar fugir das chamas. Tudo isto sem que nenhuma autoridade fosse capaz de os socorrer.

Impressionou-me sobretudo a história da senhora de 25 anos, grávida, que fugia em contra mão na auto-estrada. Uma mãe que se vê na escolha impossível entre ir na direcção das chamas ou fugir em contra mão, sem ter um polícia, um bombeiro, um membro da protecção civil que a ajudasse!

E a este nível o Estado nunca tinha falhado desta maneira. E agora falhou. Estas pessoas morreram porque o Estado foi incapaz de as socorrer. E destes 100 mortos este governo não se pode desresponsabilizar.

Algo correu muito mal este ano. Não porque ardeu mais, mas porque morreram muito mais pessoas do que alguma vez tinham morrido nos incêndios. Porque os portugueses, que sabiam não poder confiar no Estado para salvar os seus bens do fogo, deixaram de poder confiar no Estado para salvar as próprias vidas. Idosos morreram na cama, bebés morreram ao colo dos pais. Não por falta de resiliência (só mesmo um idiota podia falar de falta de resiliência dos portugueses diante dos incêndios) mas porque o Estado falhou no mais básico dos seus deveres: garantir a vida dos portugueses.

Por isso a demissão não é um questão do mais fácil ou difícil. É um questão de vergonha na cara, de assumir responsabilidades. É enjoativo ver como nenhum membro do governo é capaz de assumir que o Estado falhou. Ainda ninguém pediu desculpas ao país pelos 100 mortos nos incêndios.

Fogos sempre houve e continuará a haver. O que nunca houve foi tantos mortos e tanta falta de dignidade por parte de quem tem o dever de nos governar.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Caminhada Pela Vida: Um desafio aos católicos.




No centro do drama da eutanásia está a ausência de Cristo. Sem Ele o outro só me interessa na medida em que me corresponde sentimentalmente, ou na medida em que me é útil.

É Jesus quem nos ensina que não basta amar os nossos amigos (ou seja não basta amar aqueles que nos amam, aqueles que nos são queridos) mas que é preciso também amar os inimigos. É preciso amar o outro, quem quer que esse outro seja.

Numa sociedade da qual Cristo foi banido, ou então reduzido a mais um guia espiritual cheio de bons conselhos, sobra o egoísmo. Por que sem Ele o egoísmo é a posição mais razoável. Porque devo gastar o meu tempo, o meu dinheiro, a minha energia com quem não me pode retribuir? Ou pior ainda, com quem me quer mal?

É Cristo quem introduz em nós a consciência de que o outro é um bem para mim. O outro que Deus coloca na nossa vida é instrumento do desígnio de Deus para nós.

Por isso quando alguém se encontra numa tal dor, de tal maneira destruído pelas circunstâncias, que pede a morte, um cristão não pode não se sentir impelido a ajudá-lo. Para nós não chega descartar o problema com uns comprimidos ou uma rápida injecção. Aquele homem, doente e em sofrimento, é o próprio Cristo que pede que o amemos.

Ao drama da eutanásia, das ideologias que propõem o homicídio dos doente como resposta ao sofrimento, não basta contrapor uma outra ideologia. É evidente que a eutanásia é também um problema político e precisa de uma resposta política. Mas a questão é mais profundo do que isso. À sociedade que propõe a eliminação de quem sofre só podemos responder com o testemunho daquele que dá sentido ao sofrimento. À sociedade que quer abandonar quem sofre só podemos responder com o testemunho de quem deu a vida por cada homem.

É urgente antes de mais dar testemunho da presença de Cristo, aquele que é capaz de responder ao drama humano. Às teorias ideológicas o cristão deve responder com a atractividade da presença de Jesus.

É para isto que fazemos a Caminhada Pela Vida. Dia 4 de Novembro, em Lisboa, no Porto e em Aveiro não vamos sair à rua para nos manifestarmos, para medirmos forças com o "adversário". Saímos à rua para testemunhar essa presença que transforma o outro num bem para mim.

Há momentos onde não é possível a um cristão ficar escondido em casa, vivendo a sua fé no silêncio do seu quarto ou na comodidade das suas relações familiares. Momentos onde é preciso ir para a praça e anunciar publicamente a presença de Jesus. Este é um desses momentos.

Numa altura onde a sociedade grita que há vidas que são menos dignas, que há vidas que são descartáveis, é urgente vir dar testemunho de que Toda a Vida Tem Dignidade. É isto que é a Caminhada Pela Vida.