We few, we happy few, we band of brothers; For he today that sheds his blood with me Shall be my brother
sexta-feira, 9 de maio de 2025
ANTES DE TUDO, VIVA O PAPA
terça-feira, 29 de abril de 2025
ALGUMAS COISA QUE APRENDI COM O APAGÃO
quarta-feira, 23 de abril de 2025
A SANTA SÉ, O VATICANO E OS ANTICLERICAIS DE PACOTILHA
Reconhecer este facto não é um ataque à laicidade do Estado; pelo contrário, é não impor o ateísmo de alguns a todo um povo.1. Sempre que surge alguma notícia relacionada com o Papa ou com a Igreja a nível mundial, começa a confusão entre o Vaticano e a Santa Sé. Uma confusão compreensível, mas, mesmo assim, evitável.
segunda-feira, 21 de abril de 2025
Na morte do Papa Francisco
Morreu o Papa Francisco. Não tenho jeito, nem a pretensão, de fazer qualquer análise sobre o seu pontificado, para esse peditório já há gente a mais. Alguns bem informados e capazes, muitos que se ficarão pela rama e dirão disparates. Não me parece que tenha capacidade para fazer partes dos primeiros, por isso evito-me juntar aos segundos.
Mas impressiona-me muito que o Santo Padre, após o sofrimento que passou nesta Quaresma, morra na Segunda-Feira de Páscoa. À cabeça vem-me a frase de Nosso Senhor, «Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de morrer.» (Lc., 21, 15). Com a sua doença e morte, de forma misteriosa, o Papa Francisco associou-se à Páscoa.Guarda com comoção a chegada do Papa Francisco à nunciatura em Lisboa, no dia em que aterrou em Portugal. Lembro-me como, apesar do evidente cansaço, veio até junto daqueles que lá estávamos, para saudar e abençoar.
Agora segue-se um tempo misterioso, onde a Sé de Pedro está vazia. Muitos irão falar do Papa Francisco, mas falarão mais da sua ideia do Santo Padre, do que realmente do seu pontificado. Não irão faltar as análises, as intrigas sobre quem deverá ser o próximo Papa, com análises profundas, questões políticas, apostas. Tudo na ânsia de tentar descobrir aquilo que só o Espírito Santo conhece.
Peço para mim a graça de não cair nessa tentação. Sobre o Papa Francisco, peço ao Bom Deus que o receba na Sua Glória. Sobre o próximo Papa, rezo para que os senhores cardeais abram o seu coração ao Espírito Santo e escolham para a Cátedra Pedro quem o Senhor deseja.
Rezo sobretudo para que o Bom Deus me livre de ter opiniões sobre quem deve ser o próximo Papa. Para não esperar um pastor à minha medida, que caiba nas minhas limitações, na minha visão do mundo e da Igreja. Rezo para que Deus, mande à Sua Igreja o pastor que Ele deseja, e que a mim conceda a abertura de coração de amar o Papa, seja ele quem for.
domingo, 30 de março de 2025
Discurso Caminhada pela Vida 2025
Olá a todos! Muito obrigado!
Mais um ano onde, por
todo o país, se Caminhou pela Vida! E é impressionante pensar que ano, após ano,
aqui continuamos, sem esmorecer! Alguns de nós já fazemos isto há algum tempo.
Felizmente uma grande maioria dos que aqui estão ainda não tinha nascido em 98,
na primeira Caminhada pela Vida, mas é impressionante ver como temos tantos e
tantos jovens, tantos e tantos.
Este ano cumprem-se 18
anos desde que o aborto livre é legal em Portugal. Ou seja, este ano vai votar a
primeira geração que cresceu a ouvir que o aborto era legal!
Mas esta geração, a
geração pró-vida continua aqui firme, a caminhar, a dizer com clareza e sem
medo, que a vida tem valor desde o momento da concepção até à morte natural!
Muito obrigado! A presença destes jovens, a vossa força enche-nos a todos de
coragem!
Este ano caminhamos entre
legislaturas. Acabou agora uma, vai começar agora outra. E algumas coisas boas
aconteceram desde o ano passado: conseguimos travar o avanço dos prazos do
aborto, a eutanásia ainda continua sem ser legal, já vão quase dez anos! Há dez
anos que estão a tentar e ainda não conseguiram! E esperemos para o ano estar a
dizer o mesmo!
E conseguimos dar um belo
golpe na ideologia de género nas escolas! É uma vitória, é mesmo uma grande vitória.
Mas vêm aí novas eleições
e nós temos duas armas a voz e o voto. E se hoje fizemos ouvir a nossa voz,
temos de a continuar a fazer ouvir até dia 18 de maio! Façam-se ouvir juntos
dos partidos e dos candidatos a deputados: escrevam-lhes, escrevam para os
jornais, publiquem nas redes sociais! Façam ouvir a nossa voz com clareza:
Recusamos o alargamento
dos prazos do aborto! Recusamos a Eutanásia! Recusamos a ideologia de género!
Mas mais: queremos medidas de concretas de apoio às mulheres e às famílias para
que possam ter os seus bebés! Queremos medidas concretas de apoio aos doentes e
aos idosos! Queremos liberdade, liberdade de consciência para os médicos e, sobretudo, liberdade para educar os nossos filhos, liberdade para afirmar que
um homem é um homem e uma mulher uma mulher! Liberdade para afirmar que o
aborto não é um direito, é um mal e tem de ser combatido! E acima de tudo, e
deixa-me dizer isto da forma mais clara possível, e sem qualquer tibieza:
queremos, lutamos, exigimos, o fim do aborto, sem nenhum se! E não temos
ilusões: isso passa sem dúvida por medidas sociais de apoio às grávidas, mas
passa também pela ilegalização do aborto!
O aborto não pode ser
legal, o aborto não é um direito, um aborto é um crime! O aborto é um crime em
qualquer circunstância! O aborto destrói uma vida! O aborto, aliás, destrói
duas vidas!
Não nos deixemos enganar
pelo discurso de que o aborto legal protege as mulheres, é mentira! Sabem quem
o aborto legal protege? O aborto legal protege os patrões que não querem
empregadas grávidas, proteges os homens que não querem ter filhos, protege os
pais que não querem escândalos na família, protege a sociedade, para quem o
aborto é mais barato do que uma criança. O aborto livre não protege as mulheres
que querem ter os seus filhos e a quem estado nada oferece que não seja o
aborto!
E por isso continuaremos
a lutar: pelos bebés que não nasceram, pelas mulheres que são empurradas para o
aborto, pelas mulheres cuja a única escolha que têm é entre desemprego, a solidão,
a pobreza ou o aborto! Lutamos por elas! Lutamos por um país onde a vida humana
é protegida desde o momento da concepção até à morte natural.
Vamos fazer ouvir a nossa voz até dia 18 de maio! E no dia das eleições usemos com sabedoria a nossa segunda arma: o voto! Usemos o nosso voto para construir uma sociedade que defende a vida, que defende a família, que defende a liberdade de educação! Amigos, peço que façamos da liberdade de educação uma grande causa nossa!
Votamos em quem defenda a vida
desde o momento da concepção, que defenda a família, que defenda a liberdade de
educação! Queremos liberdade para educar os nossos filhos!
Amigos, caminhamos este
ano e, Deus queira, para o ano voltaremos a caminhar. E vamos continuar a
fazê-lo, vamos continuar a dar testemunho da beleza da vida, vamos continuar a
construir uma sociedade onde toda a vida tem dignidade! Muito obrigado, que Deus
vos guarde e que Deus guarde Portugal! Viva a Vida!
quarta-feira, 12 de março de 2025
Alguns pontos sobre a crise política
1.
Qualquer comparação entre Montenegro e Sócrates,
como o Chega tem tentado fazer, é rídicula.
A Sócrates não era conhecida qualquer actividade profissional fora da
política e ao mesmo tempo, ostentava gastos incompatíveis com o salário que
recebia, que era público. Montenegro, tem
actividade profissional há anos, para além da política. Que dessa actividade
resultem lucros e que ele os invista, é perfeitamente normal.
2.
A situação de Montenegro também não é comparável
à de António Costa, que teve ministros arguidos, o seu próprio chefe de gabinete,
e que foi ele próprio investigado. Mesmo que se tenha percebido rapidamente que
a investigação do MP era uma mão cheia de nada, Costa não tinha qualquer outra
opção que não demitir-se. Para mim, o erro de Marcelo Rebelo de Sousa na altura
foi ter dissolvido a Assembleia da República. Havia uma maioria absoluta do PS e
condições de governabilidade. Devia ter convidado o PS a formar governo com outro
Primeiro-Ministro.
3.
Luís Montenegro já deu explicações minuciosas,
mais até do que me parece necessário, sobre os seus negócios. Há um voyerismo
nesta situação, típica de quem quer criar desinformação, apenas com objectivos
políticos. Basta ver como o Chega, apesar da notícia ter sido desmentida,
continua a afirmar que o trajecto do TGV foi alterado para beneficiar a família
Viola.
4.
Contudo, apesar das explicações minuciosas de Montenegro,
há um pecado original que se mantêm. Não há qualquer problema em político ter
tido actividade profissional privada. Pelo contrário até é desejável. Por isso
pouco me interessa a lista de clientes de Montenegro ou as casas que comprou.
Se houver suspeitas de crime, o Ministério Público que investigue. Mas o primeiro-ministro
não pode receber avenças de empresas.
5.
Claro que Montenegro defende-se dizendo que não
recebeu, e juridicamente é verdade. Não acredito que tenha feito nada de ilegal.
Mas não vale a pena tomar as pessoas por parvas: a empresa que criou é apenas
um veículo para a sua actividade profissional, não tem qualquer existência para
além do trabalho de Montenegro. Por isso, mesmo que formalmente o primeiro-ministro
não receba avenças, na prática é isso que acontece. E à mulher de César não
basta ser séria, é preciso parecê-lo.
6.
Por isso Luís Montenegro devia ter-se demitido.
Não pela chincana que a oposição montou, mas pela sua própria imprudência. Se o
tivesse feito, o PSD podia apontar um novo líder, até talvez fosse possível
evitar eleições. Como não o fez, vai levar ao país a eleições, tornando a sua
actividade profissional no centro do debate político.
7.
Isto não significa que Chega e PS tenham razão.
Não têm. Estão a tentar transformar uma imprudência num crime, e a aproveitar
este caso para humilhar publicamente Montenegro, sem qualquer problema em
mentir e caluniar, para ter pontos políticos. Mas nada disto aconteceria se o
primeiro-ministro tivesse tido o bom senso de acabar com as avenças à sua
empresa quando foi eleito.
8.
Nada de bom virá destas eleições. Na melhor
hipótese, fica tudo igual, e país continuará ingovernável. Na pior hipótese, o
PS ganha as eleições, mas sem uma maioria de esquerda, e o país torna-se ainda mais
ingovernável. Num tempo de agitação internacional, é tudo o que não precisávamos.
9.
Há um ano, depois das eleições, defendi que
Montenegro se devia demitir. Apostou tudo na estratégia do “não é não” e perdeu.
O resultado foi pouco mais de um empate, e a derrota do PS foi fruto do Chega,
e não do PSD. Não estando disposto a fazer acordos com o Chega (posição perfeitamente
compreensível e razoável), não tinha condições para governar. Passado um ano, fica
evidente que tinha razão. Vamos a eleições novamente pela simples razão que Montenegro
está mais agarrado ao poder do que ao bem comum. Demonstrou-o há um ano quando
decidiu governar sem ter maioria para isso, demonstrou-o agora, quando arrastou
todo o governo num escândalo pessoal.
10.
Votarei AD nas eleições, mas mais uma vez,
votarei mais vencido que convencido. O governo tem feito um bom trabalho e
merece continuar. E a oposição em geral tem demonstrado a sua total irresponsabilidade
e incapacidade de apresentar soluções viáveis para o país. Mas a forma como
Montenegro se agarra ao poder, e demonstra governar mais pelos tacticismos do
que com alguma estratégia de fundo, não entusiasma ninguém.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025
O aborto e o crescimento do ódio
Primeiro era só para os nascituros com risco de deficiência
e para aqueles que foram concebidos por violação. Por alguma razão, um bebé
deficiente tem menos valor que um saudável e um nascituro deve pagar pelos
pecados do seu pai. Depois era só para evitar que as mulheres fossem presas,
mesmo sabendo que não havia uma mulher presa por ter abortado há décadas. Agora
afinal é um direito fundamental da mulher, e o bebé é reduzido a uma coisa sem
qualquer direito, de tal forma que é preciso alargar os prazos do aborto legal,
para garantir que não há qualquer estorvo à possibilidade de eliminar uma vida
que não nasceu. Pelo meio, lembraram-se que afinal os doentes e idosos também
não têm a mesma dignidade que o resto das pessoas e por isso, quando pedem para
morrer, em vez de ser cuidados, devem levar uma injecção letal.
Esta loucura, e não tenho dúvidas que chegará o tempo onde a
história assim julgará esta cultura da morte, não começou em 2007, começou em
1984, quando se começou a legalizar o aborto. E não terminou aí, continua viva
ainda hoje. E assim irá continuar. Irá continuar porque é fruto de uma cultura
que já não reconhece o valor intrinsecamente sagrado da vida humana.
Hoje a Pessoa tem valor na medida em que a sociedade assim o
dita. Tem valor na medida em que tem utilidade prática ou afectiva para mim. Se
assim não for, não é bem vida, é uma coisa, já não tem dignidade. É esta porta,
da redução do outro à ideia que eu tenho sobre ele, que a legalização do aborto
abriu. Uma porta que, depois das tragédias do século XX, devia ter sido
fechada.
Não nos espantemos por isso que hoje se banalizem o discurso
de ódio contra imigrantes, minorias, adversários políticos. A partir do momento
em que o homem se fez Deus, e decidiu julgar ele em que momentos a vida humana
passa a ter direito a existir, nesse momento, abrimos a porta à redução do
outro a um objecto cujo valor sou eu que decido. É deficiente? Pode ser
abortado. Está doente? Pode ser morto. A sua vinda não dá jeito? Eliminamos. E
chamamos-lhe Direitos.
Dia 11 fez anos o referendo que tornou o aborto livre legal
em Portugal. Um pouco por todas as redes sociais vi festejos, como se uma
grande conquista se tratasse. Desde então mais de 230 mil crianças não
nasceram, pela mão do Estado. É isto que festejavam. Como pode o ódio não
triunfar numa sociedade que festeja a morte de centenas de milhares de crianças
por nascer?
O artigo podia ficar por aqui. A tentação de apontar o ódio
e ficar aí é grande. Mas a verdade é que é mesmo preciso responder é esta
pergunta: como, neste tempo onde se festeja a morte de crianças por nascer, é
possível não triunfar o ódio. E a resposta, não sendo fácil, é simples. Eu não
posso mudar a sociedade, mas posso mudar o meu coração. Não posso impedir que o
ódio cresça entre as pessoas, mas posso impedir que cresça em mim. Por isso
aquilo que posso fazer, que podemos todos fazer, é responder ao ódio com amor.
É diante de quem defende a cultura da morte, afirmar uma cultura de amor à
vida. Não há vida em abstracto, mas às vidas concretas das pessoas com quem me
cruzo.
Dia 29 de Março a Caminhada pela Vida sai à rua em 13
cidades do país. Um momento preferencial para dar testemunho da beleza da vida.
Para responder à cultura do ódio, com uma cultura de amor. Caminhamos não por
ódio, mas para dar testemunho de que a vida é sempre bela e pode, e deve ser
amada, em qualquer circunstância.



