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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Quando as notícias falsas chegam aos jornais.




Sexta-feira um grupo de rapazes adolescentes da Covington Catholic High School, que estavam em Washington para participar na Marcha pela Vida, estava parado nas escadas do Lincoln Memorial à espera do autocarro. Enquanto esperavam 4 negros, do grupo Black Hebrew Israelites, começa a “pregar” na direcção dos rapazes. A pregação incluiu insultos vários. Os rapazes começaram então a entoar cânticos da escola.

No meio disto, um grupo de índios, avança na direcção dos rapazes a tocar tambor e a cantar. Os rapazes foram-se afastando até que o ancião índio (aparentemente um veterano do Vietname) fica cara a cara com um rapaz. O rapaz não se mexe, não fala, não diz nada. Sorri apenas com um ar enervado enquanto o índio continua a tocar tambor à frente da sua cara. Os resto dos rapazes continua a cantar e a bater palmas. Um dos membros do grupo índio ainda insulta um dos rapazes, mas em momento algum há ameaças, agressões ou insultos da parte dos rapazes que ali estão à espera do autocarro.

Tudo isto é possível confirmar no vídeo completo com as imagens do momento.

A CNN faz um notícia, onde mostra apenas imagens do índio a tocar tambor na cara do rapaz, entrevista o activista índio e diz que os rapazes rodearam o grupo e que aquele rapaz em especifico não os deixou passar. Tal história é confirmada pelo activista. Basta olhar para as filmagens para perceber que a reportagem da CNN é totalmente mentirosa.

O objectivo era claro: ligar a Marcha pela Vida a um suposto icidente racista onde jovens brancos de uma escola católica insultam negros e índios. Pura propaganda.

O Observador fez um artigo sobre o assunto. O artigo começa assim “Jovens com bonés com o slogan de Trump — Make America Great Again — cercaram e gozaram com ancião da tribo Omaha, que fazia uma marcha em Washington. Vídeos tornaram-se virais nos Estados Unidos.”

Ora, o que aconteceu foi que um grupo de adolescentes, que esperava pelo autocarro, foi ameaçado, insultado e assediado por dois grupos de adultos diferentes, como se pode ver pelos vídeos. O que o Observador publica é a tradução de uma notícia mentirosa feita pela CNN.

Num tempo em que tanto se fala de fake news é impressionante como os órgãos de comunicação social continuam a produzir notícias falsas com o único objectivo de apoiar a sua ideologia. E muitíssimo preocupante. É fácil perceber porque é que tantos americanos preferem acreditar quanto Trump diz que os jornais mentem. Quanto estes não hesitam em mentir, de maneira grosseira, para o atacar é fácil acreditar em quem os acusa, mesmo que este minta tanto quanto eles.

Já agora, não posso deixar de reparar que o Observador que publica um notícia falsa sobre estes miúdos que participaram na Marcha Pela Vida é o mesmo que conseguiu ignorar completamente a dita Marcha pela Vida, onde 300 mil pessoas caminharam em Washington, calma e pacificamente. Pelos visto nem a multidão, nem a participação do Vice-Presidente dos Estados Unidos, nem a mensagem enviada pelo Presidente são motivo de notícia para o Observador. Notícia é mesmo uma notícia falsa da CNN para atacar o povo pró-vida.

Pergunto-me cada vez mais se quando os orgãos de comunicação social se queixam das fake news, se o problema é a mentira ou a concorrência?

sábado, 12 de janeiro de 2019

Ana Leal e o voyeurismo transvestido de jornalismo - 12/01/19

No dia 10 de Janeiro a TVI passou uma reportagem da jornalista Ana Leal (AL) que, segundo a própria, revelava um grupo secreto, constituído por psicólogos, psiquiatras e padres, que queria curar homossexuais através de terapias de conversão.

Infelizmente só havia uma psicóloga, um padre e nenhum psiquiatra. Pior, não havia quaisquer terapias de conversão ou conversas sobre “curas”. No fundo a reportagem consistia na gravação, dissimulada e não autorizada, de consultas de um homem adulto com a psicóloga Maria José Vilaça (MJV) e de reuniões de um grupo de apoio pastoral da Igreja Católica a homossexuais. Quanto ao secretismo, também era inexistentes, uma vez que MJV não disse nas tais gravações dissimuladas nada que não tenha já dito publicamente, assim como o sacerdote filmado também não disse nada diferente daquilo que a Igreja afirma publicamente. No fundo a reportagem tinha um único fim: o linchamento público de MJV.

Durante toda a reportagem é possível ouvir a jornalista a insistir com “Carlos” (o repórter anónimo, que nunca é revelado, ao contrário da psicóloga por ele espiada, suponho que para o salvaguardar das consequências legais das suas acções) para falar sobre as terapias de conversão e sobre cura, mas sem grande sucesso uma vez que de facto tais termos só existiam na cabeça da jornalista. Aliás, devia ficar para os anais da falta de cultura dos jornalistas o momento, no debate que se seguiu à reportagem, em que a autora da reportagem, ao ouvir MJV a negar que pratique terapias de conversão, afirmar “mas a doutora fala várias vezes de conversão”. Pelos vistos AL acha mesmo que, quando numa reunião de católicos se fala de conversão se está a falar numa qualquer terapia e não do arrependimento e acto de fé em Deus! Se calhar teria sido melhor mandar espiar uma qualquer catequese de crianças, sempre evitava fazer tais figuras em directo na televisão!

Mas todas estas coisas, por muito más que sejam e por muito que digam sobre o estado do jornalismo em Portugal, não seriam assunto suficiente para escândalo. O que foi realmente grave na reportagem de AL foi consistir basicamente em gravações dissimuladas, sem autorização dos seus intervenientes.
É de uma enorme gravidade que uma jornalista monte uma “emboscada” a uma psicóloga. Que filme sessões de terapia e que as divulgue. É muitíssimo grave que uma jornalista mande alguém infiltrar-se num grupo de apoio espiritual (a que insistiu mentirosamente em chamar terapia) e exiba publicamente (sem qualquer cuidado em distorcer vozes por exemplo) as conversas que foram tidas nesse grupo. É extremamente grave que uma jornalista mande gravar uma conversa entre um sacerdote e alguém que supostamente buscava orientação espiritual.

A “reportagem” de AL viola de maneira clara o direito à imagem, a reserva da vida privada, ao livre exercício da profissão e ao livre exercício de religião. Quebra o laço de confiança entre profissionais de saúde e pacientes (que a partir de agora já não sabem quando serão filmados e exibidos em formato inquisitorial na TVI). Quebra a confiança que as pessoas que buscam apoio espiritual em grupo têm no anonimato desse apoio (não sabem quando é que a AL irá decidir que fazem parte de um “grupo secreto” e filmar os seus encontros). Quebra o segredo que se espera na orientação espiritual com um sacerdote (que a partir de agora terá que pensar duas vezes no que diz e de como se expõe não vá a TVI decidir que precisa novamente de audiências!).

A reportagem de AL viola de maneira clara os deveres deontológicos de um jornalista (conferir artigo 14 do Estatuto do Jornalista) e a TVI viola claramente a Lei da Televisão ao exibi-la. AL tem todo o direito a discordar de MJV e da Igreja Católica na visão da homossexualidade. Não tem o direito de violar a privacidade das pessoas em nome da sua ideologia. Fico á espera que a ERC e a CCPJ intervenham com clareza e dureza. Caso contrário ficamos a saber que no jornalismo em Portugal vale tudo, até violar a Lei e a Ética.

Jurista

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Mário Machado, Isabel do Carmo, Otelo Saraiva de Carvalho: extremistas maus e extremistas bons.



A mim pouco me incomoda quem é que a TVI convida para o seu programa da manhã. Cada vez vejo menos televisão e seguramente não tenciono ver os programas matutinos. Manuel Luís Goucha convidar Mário Machado ou a senhora que vende tremoços na praça é me absolutamente igual. O programa é feito para ter audiências e quem o produz faz o que achar melhor para ter sucesso.

Já apresentar um homem condenado por agressões, raptos e torturas, um homem que defende publicamente a violência e o ódio como armas políticas, um homem que continua envolvido no mundo do crime e da violência, como um político com ideias um pouco extremas incomoda-me muitíssimo. Incomoda-me porque é mentira. Líder político com ideias extremas é André Ventura. Mário Machado é um criminoso cuja carreira política se confunde com a carreira criminosa. Não vejo problema que ele fale na televisão, tenho um enorme problema de o ver bem vestido e arranjado no programa da manhã da TVI a falar como se fosse um qualquer famoso com ideias extravagantes. Porque isso é enganar o público. A senhora velhinha que vê atentamente o programa do Goucha, que nunca ouviu falar de Mário Machado, que não faz ideia que ele tenho estado envolvido no espancamento de vários negros e na morte de Alcino Monteiro, que não sonha que ele foi condenado por raptar e tortura uma pessoa com um serrote e cera a escaldar, olha para aquele homem bem vestido ali a falar sobre segurança, respeito e outras charlatanices e até o acha bom rapaz. 

Evidentemente que a reacção da esquerda, a pedir a intervenção do Estado e da justiça para silenciar Mário Machado é absurda. Para a esquerda uma pessoa tem liberdade para mudar de sexo, para se drogar, para se matar, só não tem liberdade para dizer estupideces (ou melhor, para dizer estupideces diferentes das da esquerda). A verdade é que a esquerda não lida bem com a democracia. Para a esquerda a liberdade de expressão e de pensamento está-lhes reservada. Tudo o resto é fascismo que deve ser ilegalizado e punido pelo Estado.

Este caso revela também uma grande diferença entre a direita e a esquerda. Foi possível ver e ouvir claramente o repúdio da direita para com Mário Machado. Mesmo aqueles que defenderam a TVI deixaram claro o repúdio que o líder da Nova Ordem Social lhes merece. Ao contrário da esquerda que parece incapaz de repudiar os seus terroristas e não se importa de branquear os crimes dos seus extremistas.

Ouvi a belíssima intervenção de Daniel Oliveira sobre Mário Machado, onde descreveu os crimes dos quais ele foi condenado. Mas gostaria de também de o ouvir descrever os crimes de Isabel do Carmo da próxima vez que ela for entrevistada. Li um bom artigo do Rui Tavares sobre como se dava mais publicidade a Mário Machado do que a Alcino Monteiro, e de como se deviam sentir os pais da vítima. Mas gostaria também de o ler sobre Gaspar Castelo Branco, morto pelas F-25 à porta de casa, da próxima vez que houver uma aparição pública de Otelo Saraiva de Carvalho, de como se devem sentir a mulher e os filhos da vítima de cada vez que ouvem o assassino do seu marido e pai a ser cortejado pela comunicação social. Que a esquerda em geral condenasse com a mesma força com que condenou a aparição de Mário Machado a aparição de todos os terroristas de esquerda, cujas vítimas continuam esquecidas e cujos crimes foram branqueados. É que Mário Machado é um pária, que esteve já preso dez anos. Otelo, Isabel do Carmo, Luis Gobern, Camilo Mortágua, entre outros, continuam a ser festejados e aplaudidos, apesar dos crimes dos quais nunca se arrependeram. 

A liberdade de expressão e de pensamento é essencial na democracia. Mário Machado, Otelo Saraiva de Carvalho, Isabel do Carmo e outros que mancharam de sangue a sua carreira política não deixaram de ter estes direitos. Se a TVI os quiser convidar para os seus programas pode fazê-lo. Mas era importante que, sob o manto da liberdade não se escondesse também a verdade. Porque a Democracia exige liberdade mas também não vive sem a verdade.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Advento: a espera daqu'Ele que já É. - Partilha, Dez. 2018





Escrevo estas linhas a menos de um mês de nascer o meu terceiro filho. É provável que quando as estiverem a ler já o meu filho Zé Maria esteja em casa com os pais e os irmãos (Deus o queira!). A espera do nascimento de um filho, ainda por cima tão próximo do tempo do Natal, não pode deixar de me levar a meditar mais profundamente no tempo do Advento.
O Advento é o tempo da espera, da espera desse Menino que nos foi dado, desse Menino que é Deus feito homem. Mas esta espera é também a espera de alguém que já é, que já existe. Assim é como qualquer pai que espera o nascimento do seu filho, assim foi também para a Virgem Maria e para São José.
Porque a escritura deixa-nos claro algo que a ciência só conseguiu provar centenas de anos depois: que dentro do ventre de uma mãe está uma pessoa. Se hoje com a biologia sabemos que desde o momento da concepção estamos diante de uma nova vida, um Ser Humano que, embora totalmente dependente da mãe, tem uma identidade biológica própria, pela fé a Igreja ensina-o há dois mil anos.
Neste tempo de Advento viremos os olhos para Maria Santíssima. O Anjo anuncia-lhe que vai ter um filho. Diz-lhe também que a sua prima Isabel concebeu um filho e que já é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril. Maria corre a visitar sua prima. Entra na casa, saúda Isabel e esta, alertada pelo filho que cresce no seu seio, reconhece que está diante do Seu Senhor. Como é isto possível? Jesus tem no máximo uma semana, pouco mais é do que um amontoado de células. E contudo, aquele amontoado de células é Deus feito Homem. Deus fez-se célula! E o primeiro a reconhecê-lo e a anunciá-lo, como voltará a fazê-lo no Jordão trinta anos depois, é o seu primo João que ainda nem nasceu!
Todos os dias a Igreja relembra este mistério, nas palavras do Angelus. Todos os dias dizemos “O Anjo do Senhor anunciou a Maria e ela concebeu pelo Espírito Santo (…) e o Verbo se fez carne e habitou entre nós”.
O Advento é tempo de mais uma vez relembrar que a nossa Fé não é sentimental ou apenas espiritual, mas profundamente carnal: Deus encarnou! Deus quis ser como nós!
Neste tempo de Advento meditemos em Maria, que acreditou desde o primeiro instante. Meditemos naquela jovem, mais jovem que muitos de nós, que durante nove meses viveu esta intimidade com Deus, de O trazer no seu ventre.
A Fé da Igreja ao fazer memória (ou seja ao tornar presente hoje) deste Deus escondido no seio de uma Virgem, ao fazer memória desta espera do Seu nascimento, proclama a santidade da vida por nascer.
No Advento esperamos Jesus que vai nascer mas que já existe. Por isso ainda hoje em Nazaré, no local da Anunciação, estão as palavras: Aqui o Verbo se fez carne! Deus fez-se carne com o Sim de Maria. Ali começa a sua maternidade.
Neste Advento pensemos em Maria, imagem perfeita de todas as mães. Pensemos como amou aquele filho desde o primeiro momento em que teve consciência da sua existência. Pensemos em João Baptista, que exulta de alegria ao reconhecer naquele monte de células a encarnação Divina. Pensemos em Isabel que proclama diante da jovem prima “Bendita és tu entre todas as mulheres, como me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?”. E como Maria, João Baptista e Isabel esperemos também nós o nascimento deste Menino. E à imagem desse Menino, que já dentro do ventre materno era Deus, olhemos assim para todas as crianças que já existem, mas ainda não nasceram.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O extremismo é sempre de direita?




“Extrema-direita entra no parlamento da Andaluzia.” Este é o título em mais ou menos todas as notícias dos jornais portugueses sobre as eleições na Andaluzia. Todos fazem questão em sublinhar que o VOX (que ontem elegeu doze deputados) é de extrema-direita. Estranhamente nenhum deles sente necessidade de referir que o Podemos ou a IU são partidos de extrema-esquerda.

Aparentemente o VOX precisa sempre do adjectivo de extrema-direita, mas o Podemos, que neste momento garante o poder a Pedro Sánchez, o Podemos que em paga pelo dinheiro que recebeu de Maduro continua a apoiar o regime Venezuelano, o Podemos que quer derrubar a cruz do Vale dos Caídos, que quer fragmentar a Espanha, nunca é referido como de extrema-esquerda.

Esta desigualdade de critérios não é de espantar. Lembremos que, nas eleições brasileiras, o presidente eleito era sempre o candidato da extrema-direta, mas Haddad que tinha como vice Manuela D’Ávila, do PCB, nunca era descrito como candidato da extrema-esquerda. Trump, presidente democraticamente eleito é sempre associado à extrema-direita, mas o ditador Maduro nunca é descrito como de extrema-esquerda. Marine Le Pen, Salvini, Órban são sempre populista de extrema-direita, Tsipras, Iglésias, Mélenchon nunca são de extrema-esquerda.

A verdade é que a comunicação social tem sempre muito mais complacência com a extrema-esquerda do que com a extrema-direita. Pensemos por exemplo que Che Guevara e Fidel Castro, dois assassinos sanguinários, são ainda hoje tratados como heróis. Ou para ficarmos por casa, pensemos em Otelo Saraiva de Carvalho, terroristas condenado em tribunal, que todos os anos é homenageado na nossa comunicação social.

Só isso explica que em Portugal o PNR ou o novo partido de André Ventura sejam sempre tratados como perigosos, mas que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunistas estejam no poder. Aparentemente ser contra a imigração é perigoso, mas legislar para que crianças de 16 anos mudem de género é bom. Ser contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma deriva autoritária, mas defender a nacionalização da economia já não tem problema. Em última instância, ser contra a União Europeia é bom ou mau, dependendo se quem o diz é Catarina Martins ou José Pinto Coelho!

Eu não defendo a extrema-direita. Eu também acho que os jornais têm o dever de denunciar ideias e comportamentos extremistas. Só quero é que o façam independentemente do lado da barricada de onde vêm. 

Aquilo a que assistimos hoje em dia na comunicação social é aterrador: qualquer pessoa de direita que se atreva a falar de nação, de defesa da Vida ou da Família é um extremista enquanto a esquerda pode defender o que bem lhe apetecer que está a apenas a derrubar tabus e defender o progresso.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

A Liberdade de Educação paga a dobrar!




O artigo 36º da Constituição dispõe que os pais têm o direito e o dever de educar os seus filhos. O direito a educar os filhos é por isso um direito funcional, ou seja, um direito dos pais que tem que ser exercido em função dos filhos, devendo os pais educar os filhos da maneira que considerarem melhor. E deve por isso o Estado, uma vez que é um direito garantido pela Constituição, dar condições para que os pais possam cumprir esse dever.

Cabe assim aos pais escolher qual a melhor escola para os filhos. Se os pais considerarem que a escola mais adequada para os filhos é uma privada, isso é um direito deles. O Estado pode considerar que não tem meios para apoiar essa escolha (e poderíamos agora discutir o assunto, mas não é o tema deste artigo) e por isso deixar aos pais todos os encargos dessa escolha. Assim é em Portugal onde um pai, porque só tem oferta estatal longe, porque a escola estatal ao pé de casa não tem um bom nível de ensino, porque prefere que o filho tenha uma educação mais religiosa, porque enquanto pai e ao abrigo da Constituição considera que o melhor para o seu filho é uma escola privada, está obrigado a pagar duas escolas: as dos filhos do outros através do seus imposto e a escola do seu filho com o dinheiro que lhe sobra.

O que o Estado não pode fazer é dificultar aos pais esse direito de escolha. Infelizmente é isso que vemos acontecer. O caso mais flagrante foi a guerra da gerigonça às escolas com contrato de associação. Pela única razão da defesa ideológica da escola estatal, o Estado acabou com dezenas de contratos de associação, obrigando crianças a ir estudar para mais longe de casa e para escolas com piores condições!

Mas o novo Orçamento de Estado traz mais uma novidade na descriminação das famílias que escolhem o ensino particular: os manuais escolares para os estudantes até ao 12º ano serão gratuitos, mas só para os alunos das escolas estatais, deixando, incompreensivelmente, de fora os estudantes das escolas privadas. 

Qual é a diferença entre estudantes das escolas estatais e estudantes das escolas privadas? Os pais das crianças das escolas privadas não pagam impostos como todos os outros? Não tem que comprar manuais escolares como todos os outros? Então qual o motivo que existe para o Estado pagar os manuais a uns e não a outros?

Este apoio não é as escolas, é as famílias. Se é compreensível (mas discutível) a diferença de apoios às escolas estatais e às escolas privadas, não é compreensível a diferença de apoio às famílias, só porque umas exercem o seu direito a educar os filhos da forma como lhes parece melhor.

Bem sei que há a narrativa, ao nível da caixa de comentários dos jornais, de que os das escolas privadas são ricos e podem pagar. Para começar é um disparate dizer que quem escolhe escolas privadas é rico. Haverá com certeza muitos ricos que o fazem, mas também há uma grande maioria que o faz com muitíssimos sacrifícios, com apoio da família e até com bolsas dos próprios colégios. Claro que, mesmo assim, há muitos portugueses que não tem essa escolha. Mas isso não torna quem o pode em rico. Para além disso, se a questão fosse realmente o rendimento dos pais, então seria simples criar regras para que este apoio fosse dirigido apenas a quem dele precisa.

Mas não, os manuais são grátis independentemente do rendimento da família, para todos os estudantes do ensino do Estado até ao 12º ano. Ou seja, os pais que escolhem uma escola privada, não só pagam duas vezes a escola, como vão agora pagar também duplamente os manuais escolares.

A exclusão dos estudantes do ensino privado da gratuitidade dos manuais escolares é apenas uma medida ideológica, contra os pais que exercem o seu direito de educar os filhos. Infelizmente em Portugal a liberdade de educar os filhos continua, cada vez mais, apenas ao alcance daqueles que tem dinheiro para a pagar!

N.B.: Muito haveria para dizer sobre a medida da gratuitidade dos manuais escolares. O Governo, diante do problema real do custo imenso dos ditos, devido ao cartel das editoras, em vez de criar mecanismos para impedir o cartel, decide antes tomar uma medida que irá custar milhões ao Estado para continuar a alimentar o negócio das editoras de livros escolares.

Pior ainda, fa-lo de um modo (os famosos vales que paga tarde e a más horas) que arrasa com as pequenas livrarias e favorece as grandes.

Tudo isto subsidiado com o continuo aumento brutal de impostos indirectos, que prejudicam mais gravemente aqueles que já não pagavam manuais escolares devido ao seu baixo rendimento, mas que verão os preços dos produtos que compram aumentar, para subsidiar os livros de quem tem mais dinheiro do que eles.

Assim governa a gerigonça, não para o bem do país, para ganhar votos!

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

"Nem todos tiveram a sorte de ter um pai como o João"




"Nem todos tiveram a sorte de ter um pai como o João" disse Monsenhor Luigi Giussani sobre o Padre João Seabra.

Eu, graças a Deus, tenho a sorte de ser seu sobrinho pelo sangue e, uma graça ainda maior, de ser seu filho na fé.

Hoje o Padre João faz 40 anos de ordenação. Os frutos destes anos são incontáveis e só no Céu os haveremos de os conhecer a todos. Alguns deles são bastante visíveis: o seu empenho na luta contra o aborto e na presença política dos católicos, o Colégio de São Tomás,  Comunhão e Libertação, o seu papel como canonista, etc. Mas muitos deles só ele os conhece e outros nem ele os conhece.

Porque a sua vida foi totalmente entregue a Cristo. Para o Padre João a finalidade de viver é ganhar almas para Cristo. Por isso dizia que há frutos que nem ele conhece, porque ele vai semeando, semeando, semeando por onde quer que passe, com quem quer que se cruze.

E isso é o que me comove mais neste grande homem. Evidentemente que aprecio a sua inteligência, a sua oratória, o seu fino humor, a sua enorme coragem, a tenacidade diante de qualquer circunstância. Mas a sua grandiosidade é que submete todas estas qualidades a Jesus. Toda a sua genialidade está ao serviço do Reino de Deus.

Por isso a sua inteligência nunca é fechada, mas aberta à realidade. A sua oratória nunca é mera retórica, mas anúncio da Verdade. O seu humor nunca é vexatório, mas animador. A sua coragem nunca é bravata, mas sinal de quem já entregou a sua vida a Jesus. A sua tenacidade não é casmurrice, mas consciência da urgência de anunciar Cristo. Sobretudo, as suas enormes qualidades nunca se transformam em soberba, mas em caridade para com todos aqueles com quem se cruza.

Assim foi comigo uma vida inteira. Assim é comigo. Na minha vida Cristo tem um rosto concreto e esse rosto é o do Padre João. Por isso hoje agradeço a Deus essa graça que concedeu à Igreja, a Portugal e ao mundo há quarenta anos. Agradeço sobretudo a graça que me concedeu a mim de ter um pai como o Padre João.