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terça-feira, 10 de dezembro de 2024

A condenação de Mário Machado



Antes de mais, não tenho qualquer simpatia por Mário Machado e a sua retirada da sociedade parece-me bastante favorável.


Para além disso a liberdade de expressão tem limites. Ameaças, insultos, mentiras não são liberdade de expressão e devem ser sancionados.

Dito isto, acho alarmante que Mário Machado seja condenado a dois anos de prisão efectiva pelo que escreveu nas redes sociais. O facto de ser líder de um movimento político que já praticou actos de violência e de o próprio ter um histórico de violência não permitem tratar o que escreveu como uma simples graça de mau gosto. Mas não há ali uma ameaça clara e concreta, não colocou de facto em risco ninguém, não praticou qualquer acto que demonstrasse que se tratava de facto de uma ameaça.

A justiça não pode começar a criminalizar intenções, não pode prender pessoas porque são más pessoas, ou porque escrevem coisas horrorosas nas redes sociais. E aqui não estou a defender Mário Machado, mas a sociedade. Porque o tribunal que hoje condena Mário Machado de forma “exemplar”, por afirmações que todos discordamos, é o mesmo que amanhã me condena a mim por afirmar qualquer coisa que vai contra a ortodoxia vigente.

E basta ver o que neste momento acontece no Reino Unido, onde as prisões e condenações por “crime de ódio” nas redes sociais aumentam, para perceber que não estou a falar de uma teoria da conspiração, mas de algo que está a acontecer diante dos nossos olhos.

Hoje no Ocidente em geral, e na Europa em particular, a liberdade de expressão está cada vez mais reduzida. A coberto do discurso de ódio, bane-se e criminaliza-se opiniões que simplesmente são contrários ao politicamente correcto.

Por isso, apesar do asco que sinto por Mário Machado, apesar do nojo que sinto pelas suas declarações, tenho mais medo do tribunal que o condenou e da sociedade que aplaude essa condenação. Porque é sempre mais perigoso o Poder que ignora a Justiça para defender a “Democracia”, do que o criminoso que a ataca às claras.

domingo, 8 de dezembro de 2024

Eu hei de me ir ao presépio


Voltei hoje, como em todos os dias da Imaculada Conceição que me lembro, a fazer a presépio. Em pequeno fazia-o com os meus pais e os meus irmãos, hoje com a minha mulher os meus filhos. E se em pequeno era eu que escrevia cartas ao Menino Jesus a pedir os presentes que queria para o celebrar o Seu nascimento, hoje ajudo os meus filhos a escreverem as deles.

O presépio sempre me comoveu e desde que me casei, e passámos a ter o “nosso” presépio, que tento todos os anos ir acrescentado peças. O resultado é uma salganhada de peças, umas tradicionais portuguesas, outras compradas no Corte Inglês (a única grande superfície que ainda vende peças de presépio) e algumas da loja do chinês.
Evidentemente que o resultado é bastante pouco histórico. Duvido que em Belém houvesse uma Igreja, senhoras vestidas de camponesas portuguesas ou um homem de fartos bigodes a oferecer um bacalhau ao Divino Infante. Mas o ponto do presépio não é ser histórico, mas sim ajudar-nos a fazer memória desta tão grande ternura de Deus.
A beleza do presépio é ajudar-me a fazer memória de que Deus se fez carne, fez-se um bebé, como qualquer um de nós. E esta figuras do presépio, que nos são mais familiares a nós do que à Judeia do tempo de Jesus, tornam-me o Natal mais familiar. Porque o Natal é, ao mesmo tempo, acontecimento histórico, que aconteceu na História, num momento e local concreto, e completamente sobrenatural: Deus Todo-o-Poderoso fez-se Homem. Por isso aconteceu concretamente àqueles pastores, mas acontece a cada pessoa que acolhe Jesus. Porque Deus fez-se Homem para cada um de nós.
Por isso o presépio, com a sua lavade
ira saída de uma aldeia portuguesa do meio do século passado e o seu castelo medieval, recorda-nos que o Natal aconteceu no tempo e ao, mesmo tempo, na Eternidade. Ao mesmo tempo carnal e sobrenatural.
Para mim este é o valor do presépio. Que, aliás, é o paradoxo do cristianismo: umas imagens baratas, de barro e resina, toscas e mal pintadas, são sinal e presença de Deus. É verdade sobre as figuras do presépio e é verdade sobre mim.