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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Eleições em Inglaterra: A Derrota do Socialismo e a Última Vitória de Margaret Thatcher.





Quando Tony Blair chegou à liderança do Partido Trabalhista, os conservadores estavam no poder há 15 anos. Quando finalmente venceu as eleições em 1997, havia eleitores que nunca tinham visto outro partido no governo que não o Conservador.

O extraordinário consulado de Margaret Thatcher tinha exposto claramente todos os defeitos do socialismo. A Senhora de Grantham pegou num país com uma economia dominada pelo Estado e paralisada pelo poder dos sindicatos e em onze anos construiu uma economia mais rica e um país mais livre.

A sua política externa devolveu aos ingleses o seu orgulho perdido na crise do Suez e voltou a colocar o Reino Unido no seu lugar entre as grandes potências mundiais. A sua obstinada recusa em ceder diante dos Soviéticos, assim como a sua férrea fidelidade à aliança com a América, foram essenciais para o fim da Guerra Fria.

Ficou assim claro para os britânicos que o socialismo tinha arruinado o país e que só um Estado que defendesse as liberdades individuais dentro e fora das suas fronteiras podia permitir ao Reino Unido continuar a ocupar o seu lugar entre as grandes potências.

Tony Blair também percebeu a lição. Rapidamente retirou o socialismo da matriz ideológica do Partido Trabalhista e abraçou a Terceira Via: um encontro entre o socialismo e o capitalismo. Abandonou o pacifismo típico dos seus antecessores e mostrou-se como herdeiro da Baronesa Thatcher na política externa.

Este mudar de rumo do Partido Trabalhista não foi pacífico no partido, sendo que Blair acabou por sair da liderança do mesmo em 2007, muitíssimo contestado tanto pela sua política interna como pela sua política externa. O seu sucessor, Gordon Brown, perdeu as eleições de 2010 para os Conservadores de David Cameron, pese o facto de este ter necessitado do Partido Liberal-Democrata para conseguir formar governo.

Ainda em 2010 chegou um novo líder ao Partido Trabalhista. Ed Milliband apresentou-se como um novo messias: descreve-se como socialista, próximo dos sindicatos, crítico de Blair e da sua política externa. Embora se apresentasse como uma novidade, a verdade é que Miliband significava, no fundo, um regresso ao passado: ao Labour socialista, pacifista e progressista. Tudo aquilo que parecia ter sido destruído por Thatcher renascia na roupagem de um jovem político de 40 anos.

E a verdade é que, mesmo sem muita glória, as sondagens que foram sido feitas nos últimos meses permitiam a Ed Miliband sonhar. Apesar do surgimento do Partido Escoês, a quem todas as sondagens davam mais de cinquenta deputados, muitos à custa do Labour, tudo apontava para o empate ou mesmo uma vitória dos socialistas sobre os conservadores e para um governo de coligação entre os trabalhistas e os escoceses.

Mas, mesmo depois de morta, Margaret Thatcher teve ontem mais uma vitória sobre as sondagens. Os eleitores ingleses não só deram a vitória a David Cameron, como lhe deram ainda uma maioria absoluta, permitindo-lhe governar sozinho.

O regresso do Partido Trabalhista ao socialismo aparentemente só convenceu as empresas de sondagens, porque Ed Miliband consegui eleger menos 26 de deputados do que nas últimas eleições e ficar com menos cem deputados do que os conservadores. Entre as baixas de ontem encontram-se o seu ministro-sombra das finanças, demonstrado claramente que os ingleses não querem o socialismo.

A vitória de ontem foi obviamente de David Cameron. Tendo governado o Reino Unido em plena crise económica, o Primeiro-Ministro inglês consegue o feito, só realizado por Margaret Thatcher, de aumentar a sua maioria no parlamento.

Contudo, os resultados de ontem evidenciam também a derrota do socialismo. Demonstram que o povo inglês prefere um mercado livre, prefere as liberdades individuais, prefere defender os seus valores. E isso é devido a Margaret Thatcher. Por isso as eleições de ontem não são apenas a vitória de David Cameron, são também última vitória da Dama Ferro sobre o socialismo inglês.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Diante do Mal, Só o Bem Pode Salvar.





A notícia de uma rapariga de 12 anos que, após anos de abusos e violações pelo seu padrasto, se encontrava grávida de cinco meses, encheu o país de dor e revolta. Todo o drama nos parece incompreensível e inaceitável. 

Como é possível um adulto fazer tal barbaridade a uma criança? Mais ainda um adulto que tinha responsabilidades sobre a criança. Como é possível que a mãe não tenho feito nada? Como pode não ter reparado que a sua filha estava grávida? Como é possível que na escola só tenham reparado quando a gravidez já ia nos cinco meses? E os serviços sociais, que já tinham tirado a criança à família uma vez, como é que não fizeram nada antes? Os mesmo serviços sociais que são tão velozes a tirar crianças as mães só porque estas são pobres, como não repararam numa criança que já tinha estado ao seu cuidado e que foi violada durantes anos? E por fim, como é possível que um horror destes aconteça numa sociedade civilizada? Como é que a nossa sociedade é incapaz de defender as suas crianças?

E para estas perguntas não há nenhuma resposta que nos satisfaça. Nada pode justificar a destruição da infância de uma criança sem que ninguém tenha feito nada para a defender. Eu não sou capaz sequer de começar a imaginar o sofrimento desta criança de doze anos, que viu a sua vida desfeita pela violência e pela negligência dos adultos. Como poderá ela voltar a confiar em alguém, se todos aqueles que a deviam defender a atacaram e ignoraram?

Porém, o mal não se cura com o mal. O mal só pode ser curado pelo bem. Aquilo que a violência e a negligência destruíram não poderá ser reconstruído através de mais violência.
Tenho visto muitos comentários que defendem que a criança deve abortar, que é o melhor para ela. Eu contudo não percebo como é que a destruição de outra vida inocente pode ser uma ajuda para esta criança.

Sobretudo quando se sabe que fazer um aborto nesta altura é tão ou mais perigoso que o parto. Aos cinco meses já existe uma alta probabilidade de a criança sobreviver fora da barriga da mãe. A diferença entre uma criança de 5 meses, uma de 9 e um recém-nascido é peso e tamanho.

Por isso se o parto eventualmente pode representar um perigo, a verdade é que o aborto ainda mais, uma vez que inclui matar a criança e depois tirá-la de dentro da mãe.

Mas o que mais custa compreender é como é que é possível defender, com tanta naturalidade, a morte de uma criança inocente. Neste caso só há dois inocentes, a pobre criança que foi violada e a criança que se encontra dentro dela.

Como é que num país onde a Constituição afirma que a vida é inviolável é possível defender a morte de um inocente de cinco meses. Se no princípio da gestação ainda pode existir alguma confusão, dado que o bebé ainda não tem tudo que necessita para viver autonomamente, aos cinco meses ninguém tem dúvida de que se trata de uma vida humana.
De facto, existem crianças que nasceram aos cinco meses de gravidez. E que cresceram normalmente. A criança que está por nascer neste caso já tem cabeça, olhos, pés, mãos, pulmões, coração. Já ouve, já sente calor, frio, incomodo. Já sente dor!

Como é que a morte dessa criança pode trazer um bem para esta história tenebrosa? Como pode servir para curar a sua mãe-criança? Como é que morte de um inocente pode trazer justiça? Como é que num país onde não há pena de morte, o único que pode ser condenado a esse fim é o inocente?

Compreendo a dor e a revolta que este caso provoca. Mas continuo a afirmar que a única coisa capaz de curar o mal é o bem. Tentar curar a injustiça e a dor de que foi alvo esta criança de doze anos, com uma nova injustiça, com um novo mal, nunca poderá melhorar a situação. Se de facto a criança acabar por abortar, a sua dor e o seu trauma não irão encontrar consolo algum. O único resultado será que este horrendo drama irá produzir mais uma vítima.

P.S.: A imagem corresponde a um bebé às 22 semanas de gestação, o que equivale ao quinto mês.. A imagem foi retirado do site net-bebes.com.

terça-feira, 28 de abril de 2015

41 Anos Depois: Já Podemos Seguir Em Frente?




Completaram-se este Sábado 41 anos sobre a revolução do 25 de Abril. Seria de esperar que, passado tanto tempo, já fosse possível falar sobre o assunto com algum distanciamento e frieza. Infelizmente a retórica exacerbada parece continuar a levar a melhor sobre os factos, cavando duas trincheiras ideológica que condicionam o debate político em Portugal. 

De um lado temos aqueles que retratam o Estado Novo como uma brutal ditadura fascista e pintam o 25 de Abril como o supremo momento de liberdade, onde todos se tornaram livres e felizes excepto os fascistas. Esta é a posição habitual da esquerda, que se considera possuidora do monopólio da moral democrática e que pensa, mesmo quando não o diz, que a direita não devia ter direito a celebrar o 25 de Abril.

Do outro lado temos aqueles que consideram que o Estado Novo era constituído apenas por pessoas rectas e moralmente superiores e que a censura e a polícia política apenas corrigiam alguns abusos, o que era um pequeno preço a pagar pela estabilidade.

Para alguém nascido em plena democracia, como é o meu caso, ambas as posições são bastante difíceis de compreender.

É verdade que o 25 de Abril pôs fim a uma ditadura e abriu caminho para a democracia que eu sempre conheci. Mas também é verdade que o processo para lá chega foi muito acidentado. A tentativa da esquerda de “tomar” a Revolução como criatura sua levou a acontecimentos inaceitáveis numa sociedade livre. Houve prisões políticas, saneamentos, nacionalizações injustificadas. Para além disso temos uma Constituição que diz que caminhamos para o socialismo e que teve que ser aprovada pelos militares.

Contudo, nenhum destes factos justifica o Estado Novo. O facto de ter havido abusos nos anos que se seguiram ao 25 de Abril não justifica um estado ditatorial. Tal como nem a honestidade, nem a estabilidade ou sequer a competência justifica que se retire a liberdade às pessoas.

Um Estado que substitua a dignidade de cada ser humana, com todos os seus direitos, pelo bem da Sociedade é um Estado injusto e que deve ser derrubado. Por isso não vale a pena argumentar que a censura portuguesa não se compara à censura comunista, ou de que o Marcelo Caetano não era violento como Estaline. Ser menos ditador do que Hitler ou Fidel Castro não torna ninguém num governante exemplar.

Enquanto não conseguirmos olhar e avaliar quer o Estado Novo quer o 25 de Abril sem palas ideológicas, enquanto fingirmos não reparar nos defeitos de um ou de outro, enquanto continuarmos a sobrevalorizar as qualidades de um ou de outro, não conseguiremos ultrapassar as trincheiras ideológicas.

E isso é um problema, porque esta forma de olhar par história recente portuguesa continua a condicionar a política portuguesa. Em Portugal para se ser democrático uma pessoa no máximo pode ser do centro político. Se não usar o palavreado socialista, garantido sempre o Estado Social e os direitos adquiridos, está-se automaticamente carimbado como “salazarista” ou “fascista”.

Alguém que defende por exemplo a Liberdade de Educação ou um Serviço Nacional de Saúde mais racional não tem qualquer hipótese na política portuguesa. Rapidamente será acusado de trair Abril, ou de querer voltar ao tempo da "outra senhora". O que é estranho se pensarmos que qualquer uma destas propostas teria sido rejeitada pelo Estado Novo por ser demasiado liberal.

Por outro lado, boa parte da Direita despreza a política actual, onde os partidos e o poder são mais importantes que o bem nacional e a maior parte dos governantes são pouco mais do que representantes de grupos de interesse. Por isso ficam na nostalgia, de um tempo antigo (que de facto nunca existiu a não ser na sua imaginação), onde todos os políticos procuravam apenas o bem comum e eram honesto e recusam-se a descer à “chiqueira” partidária.

O resultado é a ausência de um verdadeiro debate político. Hoje os grandes assuntos que distinguem os partidos é serem a favor ou contra a austeridade, a favor ou contra o despesismo. 

Enquanto a esquerda estiver presa na sua moral democrática superior, como herdeira dos capitães de Abril (mas esquecendo-se do COPCON e das prisões sem mandato) e a direita refém da sua altivez de quem está acima da chicana política (esquecendo-se provavelmente como foi feita a sucessão ao Dr. Salazar) a política nacional continuara a ser feita de palavras de ordem e demagogia, sem deixar espaço ao verdadeiro debates de ideias e de políticas.