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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Crise dos Migrantes: O Fim da Europa.





Não é possível passar os olhos pela Internet nos últimos dias sem deparar com uma quantidade enorme de “informações” e “opiniões” sobre os refugiados e migrantes que se amontoam às portas da Europa. A maior parte das vezes deparamo-nos com fotografias, vídeos, frases soltas que tentam provar ou que aqueles que agora tentam entrar no nosso continente são terroristas ou então que qualquer pessoa que seja contra a sua entrada na Europa é um fascista empedernido, pouco mais que um discípulo de Hitler. 

O problema é que a questão dos refugiados e migrantes é um assunto complexo que não cabe num comentário do Facebook, num post de um blog, num pequeno vídeo no Youtube, nos 140 caracteres do Twiter, nem em qualquer outro formato de qualquer outra rede social. Ser capaz de pesquisar no Google não transforma ninguém em especialista de assunto nenhum e descarregar uma aplicação que transmite notícias ao minuto não nos torna mais informados.

A nossa geração, a geração da Internet no telefone e das notícias instantâneas, tornou-se incapaz de ajuizar qualquer facto. A nossa sociedade vive de causas e histerias que duram dias ou, com sorte, semanas. Neste momento são os refugiados. Há pouco tempo era o leão Cecil, antes a destruição de Palmira, o Charlie Hebdo, e por ai fora. Quantos é que hoje ainda se lembra de Koni, que há três era o maior criminoso de guerra do mundo?

Ora, o drama humanitário a que todos nós assistimos, de centenas milhares a tentar entrar na Europa, não tem uma solução fácil. Não se trata simplesmente de ser a favor ou contra os refugiados e os migrantes. Ou de simplesmente deixar entrar ou repatriar.

De facto, a maior parte dos argumentos que ambos os lados defendem são verdade. É verdade que a grande maioria daquelas pessoas não tem nada, é verdade que muitos fogem da guerra, é verdade que a maior parte são inocentes, é verdade que muitos só querem paz e sossego. Também é verdade que no meio daquelas multidões haverá extremistas, é verdade que há a possibilidade de existirem terroristas “plantados” entre os refugiados, é verdade que a Europa não tem capacidade para simplesmente acolher toda aquela gente, é verdade que muitos desprezam o Ocidente e os valores europeus e é verdade que podem vir a constituir um perigo para a Europa.

Dito isto, sabendo que existe um longo trabalho pela frente, sobra a questão: o que fazemos diante dos que nada têm e nos batem à porta? 

A minha pergunta não é como é que os acolhemos, nem como é que os vamos sustentar, ou como é que garantimos que eles não nos façam mal, ou como é que resolvemos o problema para eles não terem de fugir. Essas são as questões que teremos que tratar depois.

A questão é muito concreta: estão pessoas a morrer para chegar à Europa, estão pessoas desesperadas, sem terem nada a bater à porta. O que vamos fazer? 

A Europa foi fundada pelo Cristianismo. Os valores do Ocidente nascem da ideia cristã de que todo o homem é criado à imagem e semelhança de Deus. Erguer um muro e deixar os refugiados e os migrantes entregues à sua sorte não é defender os valores europeus, é negar os valores europeus. Fechar a porta na cara a quem nos procura não é defender o ideal cristão é nega-lo. Não é possível defender o cristianismo, a cultura cristã, através da sua negação.
Depois de acolher-mos estas pessoas podemos fazer várias coisas: criar campos de refugiados, repatriar os emigrantes que não cumpram os requisitos para entrar na Europa, acabar com a guerra na Síria e no Iraque para que os refugiados possam voltar, prender os terroristas infiltrados, vigiar os suspeitos de extremismo.

Aquilo que não podemos fazer, ou que não podemos fazer sem negar a identidade europeia, é deixar aquelas multidões entregues à fome, à pobreza, aos traficantes de pessoas. Entregues à morte.

Não sei como resolver o problema dos refugiados e dos migrantes. Não sei como manter a Europa a salvo de potenciais actos de terrorismo ou de uma invasão moura. Só sei o que Cristo disse há dois mil anos e que a Igreja continua hoje a repetir:

«O Rei dirá, então, aos da sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.’

Então, os justos vão responder-lhe: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?’ E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’

Em seguida dirá aos da esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos! Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me.’ Por sua vez, eles perguntarão: ‘Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?’ Ele responderá, então: ‘Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.’»

É verdade que esta migração pode trazer o fim da Europa. Se acolhermos todos os que hoje procuram entrar no nosso continente o fim poderá eventualmente acontecer pela violência. Mas se lhes negarmos a entrada, deixando-os entregues a si mesmo, a Europa acaba seguramente. Não por mãos alheias, mas pelas suas próprias.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Os Erros de Obama.




O presidente dos Estados Unidos tem-se demonstrado incapaz de lidar com a ameaça do Estado Islâmico desde o seu aparecimento. O tempo vai passando e, apesar da retórica de Barack Obama, o poder e a ameaça do EI continua a alastrar.

O problema mais grave é que a incapacidade de Obama lidar com esta ameaça não é fruto de um inimigo especial subtil ou capaz, mas sim dos seus próprios erros em relação a este assunto.

Muito haveria para dizer sobre este assunto, mas limito-me a apresentar aqueles que me parecem três dos erros mais graves de Obama.

1. Fingir que os Estados Unidos não têm responsabilidade no assunto.

Até agora o presidente Obama tem tratado este assunto como se os Estado Unidos não tivessem nenhuma responsabilidade sobre ele. O Estado Islâmico e a sua tomada de poder no Iraque, nas palavras do presidente americano, aparenta ser apenas mais uma ameaça à ordem púbica internacional à qual a América reage como protectora dessa mesma ordem.

O problema é que isto é mentira. A ameaça do EI é directamente fruto da politica externa americana e, especificamente, da politica de Obama.

Após derrubar Sadam Hussein, os Estado Unidos tentaram criar um estado democrático no Iraque. Este esforço foi dando frutos, mas muito frágeis. Não é possível construir em pouco tempo uma democracia saudável num país que só conheceu ditaduras mais ou menos brandas.

Por isso o governo legítimo do Iraque dependeu sempre das armas americanas para garantir a segurança do país. A retirada americana, ordenada por Obama contra o parecer dos oficiais no terreno e do governo iraquiano, criou um vazio de poder que permitiu ao Estado Islâmico começar a sua caminhada para o poder.

Para além da sua desastrosa intervenção no Iraque, também o papel do Estados Unidos na crise Síria foi importante para o aparecimento do EI.

De facto, foi o apoio, aqui não apenas dos americanos, mas do ocidente em geral, aos revoltosos sírios que lhes permitiu manter uma guerra contra o regime. Essa guerra criou o caos na Síria e permitiu aos sunitas iraquianos ganhar uma base territorial, assim como acesso a armas e homens. Foi a partir da fronteira da Síria que o Estado Islâmico lançou a sua ofensiva contra o Iraque.

O drama humanitário que hoje se vive no Iraque, onde milhares de pessoas vivem e morrem violentamente debaixo da tirania de extremistas islâmicos, é directamente fruto da política externa americana.

Por isso Obama não pode dizer que cabe ao governo do Iraque, ou às forças da região resolver o problema. Foi ele que o criou, tem que ser ele a resolver. A vergonhosa retirada dos americanos e a miserável demora em agir parece confirmar o adágio de que os cemitérios de todo o mundo estão cheios de amigos dos americanos.

2. Afirmar que o Estado Islâmico e o terrorismo islâmico não são islâmicos.

Outro dos graves erros de Obama tem sido tentar separar os actos do Estado Islâmico e de outros grupo de extremistas islâmicos do Islão.

Antes de mais isto demonstra uma arrogância extraordinária. Ver alguém que não é islâmico, nem tem especial conhecimento sobre o Islão, afirmar que movimentos que se dizem islâmicos, que são apoiados por milhares de islâmicos e têm a simpatia de grande parte do mundo islâmico não tem nada a ver com o Islão, é simplesmente absurdo.

Mas o erro é mais grave do que isso. Estes movimentos que violentamente têm espalhado o terror no Próximo Oriente e em África não são um fenómeno único e excepcional. De facto a expansão islâmica foi feita assim.

Isso deve-se ao facto de que, no Islão, não há uma separação entre o poder político e a religião. Por isso, para os islâmicos mais puristas, o único poder legitimo é o poder islâmico. A guerra santa, “jihad”, é um dever prescrito a todos os crentes.

É evidente que sobre isto existem muitas interpretações e que existem muitas correntes no islão que olham a guerra santa como um dever meramente espiritual. Basta olharmos para Portugal para vermos uma comunidade islâmica que vive a sua fé em paz, sem causar incómodo ou violência na sociedade.

Mas isto não retira o facto de que também existe uma grande corrente no Islão que defende a violência contra os infiéis. E de que movimentos como o Estado Islâmico e o Boko Haram são frutos do Islão.

Se a interpretação que fazem do Corão é certa ou errada, se de defendem o verdadeiro Islão ou uma versão deturpada do islamismo, é um assunto que não cabe ao presidente americano responder, mas ao próprio Islão.

Fingir que o extremismo islâmico nada tem a ver com o Islão é não olhar o problema de frente. É ignorar a complexidade do problema. E num mundo onde quase já não há fronteiras isso pode vir a revelar-se um perigo que ultrapassa em muito as fronteiras do Próximo Oriente.

3.  Procura uma equiparação moral entre as religiões: o mito das Cruzadas e da Inqusição.

Destes erros de Obama este último é provavelmente o que mais demonstra a sua ideologia. O presidente americano tem insistido na ideia de que todas as religiões são iguais e de que todas têm os seus erros comuns. Como exemplo escolheu as Cruzadas e a Inquisição.

O problema é que as religiões não são iguais. Isso quer dizer que os cristãos nunca fizeram erros por causa da sua fé? Não. Os cristão fizeram erros, muitos erros e muito graves.

Contudo o Cristianismo defende que todos os homens foram criados à imagem e semelhança de Deus. Esta ideia revolucionou o mundo e deu origem aos Direito Humanos baseados na dignidade de toda a vida humana.

Nunca a guerra foi considerada pelos cristãos como um bem, mas antes como um mal que devia ser usado quando era necessário para evital um mal maior. Ora esta ideia não tem paralelo com a ideia de "jihad" islâmica, que vê a guerra como um bem para a expansão do Islão.

Tal como a inquisição não tinha a pretensão de regular toda a sociedade, mas apenas os católicos. Não tinha a pretensão totalitária da sharia de regular toda a sociedade.

Claro que em ambos os casos houve muitos abusos. Em muitas ocasiões, quer as Cruzadas, quer a Inquisição, foram pervertidas e transformadas em instrumentos de opressão.

Contudo os abusos, que foram condenados na altura e pelos quais a Igreja tem vindo sempre a pedir perdão, não tornam o Cristianismo e o Islão iguais. De facto, no Islão não existe a ideia de que toda a vida tem igual dignidade. E isso é uma diferença abismal em relação ao Cristianismo.

Negar isso, é negar os próprios fundamentos do Ocidente. E assim, diante do extremismo islâmico a única coisa que o Ocidente tem a oferecer é o relativismo moral e decadente. Diante de homens dispostos a morrer e a matar por aquilo em que acreditam, a nossa sociedade só tem a apresentar o vazio.

Por isso, este erro, embora pareça o mais inofensivo é provavelmente o mais perigoso. Porque num momento crucial da história, o lider da maior potência mundial não tem nada a oferecer que não seja palavras vazias.


O presidente Obama, diante desta grande crise, tem provado mais uma vez que é um político típico dos nossos tempos: sem ideias ou ideais, apenas um conjunto de slogans ao sabor das reacções dos media.

Esperemos que o seu sucessor seja um verdadeiro Estadista, disposto a governar e a liderar. E que o Ocidente sobreviva até lá.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Je ne suis pas Charlie.


Hoje três homens entraram na redacção do jornal satirico Charlie Hebdo e mataram 12 pessoas. Foi um acto bárbaro, sem qualquer justificação possível.

Num Estado civilizado tem que haver liberdade até para insultar. Ninguém deve ser morto por exprimir a sua opinião, qualquer que ela seja. Se alguém fica ofendido pelo que o outro escreve ou desenha tem uma solução fácil: não lê, não olha, não compra. Se mesmo assim se sentir ofendida tem outras soluções: promove um boicote, uma campanha ou mesmo recorre aos tribunais.

Por isso nada justifica aquilo que hoje aconteceu em Paris. Mais grave ainda porque vem no seguimento de vários atentados que têm vindo a ser feitos em França neste último mês. A grande diferença é que aquilo que aconteceu hoje não foi claramente fruto de um só homem, mas sim um operação planeada com alvos definidos.

Dito isto, não posso dizer, como na campanha que começa a ganhar forma no facebook, que "je suis Charlie".

O jornal em questão mais do que usar a liberdade de expressão, abusava  e travestia a liberdade que o Estado lhe garante.

O Charlie Hebdo pegou em situações graves e explosivas e fez com elas humor rasca, baixo e demagógico. Não hesitou em gozar com milhões de pessoas que nada mais fizeram do que viver a sua fé em paz e sossego.

Por isso é verdade que nada justifica os barbáros assassinios que hoje foram feitos. Nenhum daqueles que hoje morreu merecia isto. Não somos obrigados a viver com medo de sermos mortos pelas ordinarices que publicamos ou dizemos. Mas os colunistas do Charlie Hebdo não são mártires da liberdade de expressão. São vítimas injustas de terrorismo. Um terrorismo que urge parar. Mas não mártires. Hoje houve apenas um mártir da liberdade de expressão: o polícia que foi morto a tentar garantir que em França continua a existir liberdade, até para insultar!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Não quero ser teu amigo.


SEXTA-FEIRA, JUNHO 05, 2009


O Presidente Obama encontra-se neste momento em digressão pelo Médio Oriente. No Cairo declarou querer começar uma nova relação com o Islão. Diante disto a Europa suspira com orgulho e baba-se diante do seu messias.

O que a Europa não percebe (porque eu duvido que Obama não o saiba) é que o problema não é a política Bush. O senhor terá feito erros (como por exemplo, invadir o Iraque) mas não inventou a guerra de civilizações.

Os extremistas islâmicos não nossos "amigos" porque não o querem ser. Claro que um presidente americano que os combate os irrita mais do que um que lhes sorri. Mas continuaram a odiar a América e o Ocidente à mesma.

Por isso sorrir e fingir que não se passa nada é adiar o problema. Ao adiar o problema estamos a aumenta-lo.

Pelos visto já nos esquecemos da paz de Munique.

P.S.: Na foto o presidente do país que se recusou a dobrar diante de qualquer rei faz um profunda vénia ao rei da Arábia Saudita.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Os filhos de Witiza


Há uns quantos séculos, nesta península à beira-mar plantada, havia um rei chamado Witiza. Quando este morreu sucedeu-lhe Roderico que não era seu filho, pois a monarquia visigoda era electiva e não hereditária.


Quem não achou graça nenhuma a eleição de Roderico foram os filhos de Witiza. Então estalou a guerra civil. Como a guerra não lhes estava a correr muito bem, os filhos de Witiza decidiram pedir ajuda aos mouros, que não se fizeram rogados e entraram pela Penísula a dentro só parando nas Astúrias. Os mouros permaneceram por cá 700 anos, dos filhos de Witiza ficou uma vaga recordação...

Esta história, que é maçadoramente contada em "Eurico o Presbítero" é um bom exemplo para a Europa moderna. A esquerda moderna parece-se aliar cada vez mais ao islão para combater a herança cristã ocidental. Cada vez mais os herdeiros da revolução francesa se juntam aos terroristas islâmicos para culpar o Ocidente Cristão do terrorismo. 

A Turquia, um país onde no príncipio do Século XX existia um comunidade cristã que representava 25% da população, dos quais sobram menos de 5% depois do exterminio dos arménios, é olhada como parceira ideal para demonstrar que UE não é um "clube cristão". E assim, de pequeno passo em pequeno passo a Europa vai-se descristianizando, ao mesmo tempo que envelhece.

Quando a Europa estiver finalmente descristianizada, quando o Papa se tiver mudado para as Filipinas ou para o Brazil, quando Portugal se erguer como o novo reino das Astúrias, onde a promessa da Senhora de Fátima prevalece sobre os cálculos do mundo, então não será o fim da Igreja, pois a Igreja tem promessas de vida eterna. Mas será seguramente o fim da Europa. Dos herdeiros da revolução francesa sobrará o que sobrou dos filhos de Witiza: uma vaga recordação...