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quinta-feira, 30 de março de 2017

Era só conversa - Nuno Melo, JN, 30/03/17

"Indignados", indignem-se. "Que se lixe a troika", mostrem-se "lixados", um bocadinho que seja, com qualquer coisinha. "Geração à rasca", só passaram dois anos. Ninguém acredita que se desenrascaram com essa facilidade. "Auditoria cidadã à dívida", está alguém em casa? A dívida ultrapassou 132% do PIB. Embora lá tirar do bolso a máquina calculadora. Camaradas do "Congresso das alternativas" e da "Rede economia com futuro", como é que é?

A CGD, financiada por "fundos abutres" à taxa de 10,75%, com comissões e impostos pagos em offshore do Luxemburgo, prepara-se para encerrar 180 balcões no Norte, Centro, Sul, Açores e Madeira e despedir 2200 trabalhadores até 2020. O Novo Banco, depois de entregue à Lone Star, vai encerrar 55 balcões e despedir 400 trabalhadores. Mais de 500 foram dispensados das escolas privadas. E os camaradas nem um grito, nem uma lágrima? Francamente.

Parte importante do esforço de contestação de rua, nascido depois de 2011 em Portugal, revela-se o que sempre foi. Uma encenação instrumental indecente, dos partidos à Esquerda. Quando a conversa à volta da "consciência cidadã" é uma treta, estas coisas acontecem.

Os casos antes tratados como implacáveis despedimentos, contestados com violência em manifestações, quando o PSD e o CDS eram Governo, passaram a rescisões negociadas com justificação, desde que o PS, o PCP e o BE mandam. E os cortes e a austeridade indignas do passado transformaram-se em cativações e ajustamentos forçados pelas circunstâncias.

Em 2011, a dita "Plataforma 15 de outubro", que é como quem diz os indignados de faz-de-conta que por cá mimetizaram sem originalidade nem expressão, o que em Espanha tinha direitos de autor e dimensão, anunciavam a luta contra "as medidas de brutalidade" do Governo da coligação que prometiam "destruir centenas de milhares de postos de trabalho e os direitos daqueles que ainda trabalham". Em 2017, recusam-se a sair do armário, pela simples razão de que isso significaria trair a militância dissimulada que lhes deu origem.

Antes, quatro ou cinco bloquistas ou comunistas, ajudados pelo socialismo conivente, juntavam-se na encenação criativa de um "movimento" ou "plataforma", a que atribuíam uma denominação de inspiração invariavelmente libertária, bastante para que se pudessem desdobrar em comunicados à Imprensa e fossem tratados como representativos de setores expressivos da sociedade, apesar de só se representarem a si próprios. Desde outubro de 2015 desapareceram. Compreende-se. Corporizam, no esforço e nas decisões, a "geringonça" que manda.

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