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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A mensagem do presidente - Nuno Melo, JN, 05/01/17

Avaliando com bondade 2016 no acessório e protelando para 2017 o que é estratégico e fundamental, o presidente da República tornou ostensivos os falhanços da governação naquilo que verdadeiramente interessa ao país. O presidente constatou que a geringonça funcionou; tudo bem. Muitos, nos quais me incluo, julgariam improvável que assim acontecesse, mais que não fosse, porque dificilmente se acreditaria que em tão pouco tempo o PCP se anulasse, como se anulou, exceção feita a simbolismos que contam pouco, caso da adulação de um ditador cubano até à morte. No mais, de cada vez que o PCP espirrou sobre o que não permitiria, ficou tudo sempre, ou quase, como o PS quis.

Num ou noutro caso, o presidente foi até para lá do que em certa medida aconteceu. Considerou que "trabalhamos para reforçar o sistema bancário", quando o enredo à volta da nova Administração da CGD, atualmente em gestão corrente, resulta num absoluto tratado sobre como fragilizar o sistema bancário português perante o Mundo.

Relevante, mesmo assim, é que o presidente tenha incluído no "muito que ficou por fazer", o crescimento económico insuficiente, a dívida muito elevada e os cortes financeiros em domínios sociais. No comentário desportivo equivaleria a dizer que a seleção portuguesa não se qualificou para a fase final do "Mundial" de futebol, mas os estádios estiveram muito bonitos.

Factos:

Em 2016, com a troika longe e o PS no Governo, o país crescerá menos do que em 2015 com o PSD e o CDS acabados de libertar Portugal do resgate financeiro.

Em 2016, com o PS no Governo, a dívida bateu todos os recordes - 133% do PIB no 3.º trimestre - o valor mais alto desde pelo menos 2007. Com o PSD e o CDS, em 2015, a dívida tinha descido pela primeira vez em 15 anos.

Em 2016, com o PS no Governo, decidiram-se cortes financeiros no SNS em prejuízo de profissionais e doentes e acumularam-se dívidas brutais a fornecedores. Fez-se o contrário do prometido em belos discursos dourados de preocupações sociais. Com o Governo anterior, em 2015, tinha sido notícia que a dívida do SNS caíra para valores históricos.

Perceba-se que a teoria da devolução de rendimentos aos portugueses, para estímulo do consumo, nunca passou de conversa. Não devolve quem pratica o calote. Some-se o brutal aumento de impostos indiretos, que foi pena o presidente da República não referir - combustíveis, portagens, rendas, IMI, IUC, eletricidade, transportes - e logo se perceberá que este Governo dá com uma mão, mas tira com duas. Não devolve. Apropria-se.

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