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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Que se lixem as eleições?- Paula Sá, DN, 22/11/16

Nenhum dos que aqui estão foi eleito para ganhar as próximas eleições, nem para ajudar a ganhar autárquicas, nem as regionais deste ano nos Açores, nem as europeias que aí vêm a seguir, não foi para isso que fomos eleitos. Foi para responder ao país." Passos dixit em setembro de 2012, num jantar com o grupo parlamentar do PSD. A um ano das autárquicas de 2013, esta frase caiu que nem uma bomba nas bases sociais-democratas, que começavam a preparar o terreno para a corrida eleitoral.

A frase servia de aviso ao partido para o que por aí vinha de mau resultado, em particular nas autárquicas, fruto da austeridade imposta ao país pela troika e pelo governo de coligação. E o resultado revelou-se francamente mau para o PSD, que acabou o combate eleitoral com 106 câmaras (20 das quais em coligação com o CDS) contra as 149 do PS, num total de 308 municípios. Como o partido estava no poder, as estruturas aguentaram o embate e encaixaram o desaire eleitoral à espera de melhores dias.

No início de dezembro, agora a menos de um ano do mesmo ato eleitoral, já arredado do poder, mas sempre a falar mais para o país do que para o PSD, Passos garantiu aos militantes que não havia motivos para andar "numa lufa-lufa" para apresentar candidatos autárquicos.

Só que a falta de comparência de Pedro Santana Lopes à chamada para o combate na capital contra o socialista Fernando Medina - sendo compreensível que o partido tenha esperado por um dos poucos candidatos que poderiam fazer frente ao adversário do PS, embora devesse ter sempre contado com um plano B - acelerou todo o processo interno.

As notícias que vieram a público sobre o eventual apoio do PSD à líder do CDS na capital, e à revelia do coordenador autárquico do partido, Carlos Carreiras, e do próprio Passos, mostram que a pressão sobre a direção vai aumentar para se definir quanto antes. As bases querem mesmo "lufa-lufa" na escolha dos candidatos, em particular em Lisboa e Porto, porque dependem muito das autarquias para manter o poder que têm.

Já se percebeu que os barões e baronetes do PSD não estão virados para o combate autárquico porque não precisam dele para terem influência, e seria uma surpresa que Passos conseguisse convencer alguma figura grada a calcorrear as ruas de Lisboa à conquista do eleitorado. O mais provável é que a opção seja a de apoiar um independente (e no Porto também) ou, como foi noticiado, a líder do CDS, Assunção Cristas. Nos dois casos, haverá quem esperneie no partido, talvez muitos até. Mas decidir rapidamente, já no início do novo ano, e não até março como previsto, talvez seja paradoxalmente a melhor maneira de as bases não lixarem mais as eleições a Passos Coelho com intrigalhada q.b..

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