Todos as mensagens anteriores a 7 de Janeiro de 2015 foram originalmente publicadas em www.samuraisdecristo.blogspot.com

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

As duas faces da mesma moeda - António Paula Soares, Sábado, 14/11/16

Uma semana após as eleições norte americanas continuamos a assistir às mais diversas manifestações contrárias à vontade democrática da população americana. Manifestações essas, que vindas dos mais variados recantos do Mundo, poderão umas considerar-se mais coerentes que outras.

Vejamos o caso de Portugal, onde um partido político, com assento parlamentar, publicitou nos seus meios de comunicação social um manifesto contrário à democracia de um estado soberano, como é o caso dos Estados Unidos da América.

O PAN (Partido pelas Pessoas, Animais e Natureza) publicou um comunicado onde descreve o resultado das eleições norte americanas como "a balança que hoje foi tendenciosamente desequilibrada para o lado do nacionalismo, do racismo, da xenofobia, da misoginia, da homofobia e do especismo", dizendo igualmente que "nenhum país sairá beneficiado com a presidência de um candidato que apoia uma posição meramente ideológica" ou que continua por se atingir uma real solução para uma liderança global em termos de um novo paradigma que "elimine, de vez, o antropocentrismo", ou seja, uma liderança política mundial que elimine de vez o papel do homem como o centro do Universo.

Ora, considerando desde logo surpreendente que um partido político que elegeu um deputado para Assembleia da República graças a um sistema eleitoral que privilegia franjas da sociedade com pouca expressão no colectivo eleitoral nacional, e como tal, tenha permitido que um partido com apenas 1,39% dos votos nacionais possa ter um representante na Assembleia da República, venha agora criticar o esquema democrático de um País que favorece os estados menos povoados e rurais, de modo a que todos possam ter representação nos seus órgãos de soberania.

Mas mais difícil de entender é a dualidade de critérios, ou a incapacidade de introspecção destes movimentos e dos seus seguidores, perante a realidade de ideologias diferentes das suas. E isso torna-se visível no dia-a-dia da comunicação interna e externa destes mesmos movimentos, ou não fossem uma constante os ataques às liberdades e direitos democráticos das ideologias contrárias às suas.

Estamos a falar de um mesmo movimento e partido político que permitem que nos seus meios de comunicação sejam feitos ataques como incitação à violência contra os profissionais de tauromaquia, ou inusitados impropérios desejando a sua morte e dos seus familiares. Os mesmos órgãos de comunicação que permitem a definição dos caçadores como assassinos, e inseridos no rol de incitações semelhantes a qualquer criminoso hediondo. Ao mesmo tempo que usa e abusa da imagem de espécies protegidas para as quais nada fez por garantir a sua viabilidade existencial, mas que ataca indiscriminadamente quem o faz. Igualmente, atacam indiscriminadamente os profissionais do mundo rural e da pecuária, por serem um entrave aos seus princípios vegan e de um objectivo claro da equiparação dos animais aos humanos.

O mesmo partido que propôs na Assembleia da República, que para se atingir uma sua ideologia, os direitos e liberdades de quem cria animais de raça deveriam ser proibidos, como se estivéssemos perante um estado totalitário em que a vontade de poucos subjuga os direitos de muitos. O mesmo partido que assenta a grande maioria das suas propostas e intenções em políticas proibicionistas, sem nunca procurar consensos com as outras partes.

Então, com que direito pretende este movimento, pouco ou nada democrático, com soslaios de totalitarismo, e que se rege por um pressuposto ideológico, vir agora criticar uma democracia que fez valer a voz dos seus cidadãos, goste-se ou não se goste do resultado da mesma?

É uma estranha forma de estar em democracia…

Eu pessoalmente, não concordo com as políticas e ideais de nenhum dos candidatos mais fortes nas eleições norte americanas, mas eu não tenho o "poder" de voto nos Países de outros, e como tal, respeito a decisão democrática dos que o fizeram, quer goste mais, ou menos, do resultado obtido.

Sem comentários:

Enviar um comentário